Esportes

Lucas Chumbo conquista título de melhor surfista em ondas gigantes no Big Wave Challenge 2025 em Newport Beach

Lucas Chumbo
Lucas Chumbo - Foto: studio f22 ricardo rocha / Shutterstock.com

Lucas Chumbo, surfista carioca de 30 anos conhecido como Chianca, foi eleito o melhor do mundo em ondas gigantes durante a premiação do Big Wave Challenge, realizada no domingo em Newport Beach, na Califórnia, Estados Unidos. O evento, que celebra os feitos da temporada 2024/25, destacou o brasileiro por suas performances excepcionais, incluindo o título compartilhado no Gigantes de Nazaré ao lado de Pedro Scooby e Lucas Fink, além do prêmio de melhor performance nessa competição. No dia 30 de julho, Chumbo quebrou o recorde nacional ao surfar uma onda de 14,82 metros na Laje de Jaguaruna, em Santa Catarina, marcando um marco histórico para o surfe brasileiro em águas nacionais. Essa conquista, aliada a descidas ousadas em spots como Jaws e Nazaré, posicionou o atleta de Saquarema como referência global na modalidade, que exige não apenas habilidade técnica, mas também preparo físico e mental para enfrentar condições extremas.

A cerimônia reuniu nomes proeminentes do surfe de big waves, com o Brasil dominando o palco graças a outros compatriotas premiados, reforçando o crescimento da nação no circuito internacional de ondas grandes. O porquê dessa eleição reside na consistência de Chumbo ao longo da temporada, onde ele acumulou ondas impressionantes que superaram concorrentes de diversos países, consolidando sua trajetória desde o início da carreira em praias cariocas até os palcos mundiais.

A trajetória de Chumbo reflete anos de dedicação a um esporte de alto risco, onde cada sessão pode significar superação de limites humanos. Formado nas ondas de Itacoatiara e Saquarema, o surfista evoluiu rapidamente para o tow-in, técnica que usa jet skis para acessar ondas impossíveis de remar, ampliando suas conquistas em locais lendários.

Outros atletas brasileiros também se destacaram, ampliando o impacto nacional na premiação. Michaela Fregonese, por exemplo, emergiu como uma força feminina no big wave, enquanto inovações como as de Lucas Fink trouxeram frescor à categoria.

Feitos que impulsionaram o reconhecimento de Chumbo

A temporada 2024/25 marcou um ponto alto na carreira de Lucas Chumbo, com ações que vão além de competições formais. Sua vitória no Gigantes de Nazaré, disputado em Portugal, envolveu manobras precisas em ondas que ultrapassavam 20 metros, dividindo o troféu com Scooby e Fink em uma bateria que testou coordenação e estratégia em equipe. Esse evento, parte do calendário da World Surf League, destacou a capacidade do brasileiro em manter o equilíbrio em paredes verticais, evitando quedas que poderiam resultar em lesões graves.

Em julho, a Laje de Jaguaruna se tornou palco de um recorde que ecoou pelo mundo do surfe. A onda de 14,82 metros, medida por equipamentos especializados, superou marcas anteriores no Brasil e colocou Chumbo em listas globais de maiores rides. Essa descida ocorreu em condições de swell forte no Sul do país, onde o atlântico sul gera potenciais gigantes, embora menos explorados que os do hemisfério norte.

Chumbo também competiu em eventos como o Itacoatiara Big Wave, em Niterói, onde, ao lado de Scooby, venceu na categoria time masculino com ondas de até três metros em tow-in. Essa vitória reforçou sua versatilidade, transitando entre spots nacionais e internacionais sem perder o ritmo.

  • Onda recorde na Laje de Jaguaruna: 14,82 metros, estabelecendo novo marco brasileiro em 30 de julho.
  • Título no Gigantes de Nazaré: Compartilhado com Scooby e Fink, incluindo melhor performance individual.
  • Participação no Urca Challenge: Evento inédito no Rio Grande do Norte, com potencial para ondas históricas a 29 km da costa.
  • Segunda colocação no Nazaré Big Wave Challenge: Ao lado de Scooby, somando 35,20 pontos em baterias intensas.

Esses resultados não surgiram do nada; Chumbo investe em treinamentos rigorosos, incluindo simulações em piscinas de ondas e sessões de condicionamento físico que duram horas diárias.

Destaque para as mulheres no big wave

Michaela Fregonese consolidou sua posição como uma das principais surfistas femininas de ondas gigantes ao conquistar dois prêmios no Big Wave Challenge. Sua performance em Jaws, no Havaí, rendeu os troféus de “onda do ano” e “maior onda” na categoria feminina, com descidas que impressionaram pela ousadia e técnica. Fregonese, natural de Curitiba e radicada no litoral, começou sua jornada no surfe aos 15 anos e evoluiu para big waves há poucos anos, representando tanto o Brasil quanto a Itália em competições.

Em Jaws, ela enfrentou swells do El Niño que geraram paredes de até 15 metros, executando remadas limpas e drops precisos que a colocaram à frente de rivais como Justine Dupont. Essa spot havaiano, conhecido por sua potência e correntes fortes, testou sua preparação, que inclui anos de bodyboarding como base para transições ao surfe de prancha.

Fregonese também competiu em Nazaré e no Itacoatiara Big Wave, onde formou duplas mistas vitoriosas, demonstrando adaptação a diferentes condições oceânicas. Sua ascensão reflete o aumento de mulheres no circuito, com mais de 20% das indicações femininas na premiação vindas de atletas latinas.

A francesa Justine Dupont, embora vencedora como melhor surfista do ano entre as mulheres, destacou a competitividade crescente, com Fregonese frequentemente citada como uma das mais consistentes em tow-in feminino.

Inovações com pranchas alternativas

Lucas Fink trouxe um elemento inovador à premiação ao vencer na categoria “prancha alternativa” por surfar em Jaws com um skimboard. Pentacampeão mundial de skimboard, o carioca de 25 anos, originário do Rio de Janeiro, adaptou sua expertise em pranchas finless para ondas gigantes, desafiando convenções do surfe tradicional. Sua descida em Jaws, durante um swell massivo no inverno passado, envolveu tow-in com jet ski e manobras que mantiveram velocidade sem quilha, impressionando a comunidade.

Fink, patrocinado por marcas como Red Bull e Mormaii, começou no skimboard em Ipanema e expandiu para big waves nos últimos três anos, colaborando com Chumbo em sessões em Nazaré e Mavericks. Essa performance em Jaws, onde ele perseguiu o swell de Jaws a Mavericks, o posicionou como pioneiro, unindo skim e surfe em um híbrido arriscado.

O skimboard em ondas grandes exige controle absoluto de equilíbrio, já que a ausência de aletas aumenta o risco de perda de direção em faces íngremes. Fink treinou em shore breaks e Pilates funcional para aprimorar a estabilidade, alcançando rides que poderiam rivalizar com pranchas convencionais em termos de velocidade.

  • Adaptação do skimboard: Permite drops mais radicais em ondas de até 15 metros, sem quilha para maior mobilidade.
  • Colaboração com big wavers: Parcerias com Chumbo e Kai Lenny em swells norte-pacíficos aceleraram seu progresso.
  • Recordes potenciais: Em Nazaré, Fink visa o maior ride de skimboard da história, testando equipamentos customizados.
  • Impacto na modalidade: Introduz finless surfing em big waves, inspirando jovens atletas a experimentar limites.

Sua vitória no Big Wave Challenge valida o skim como ferramenta viável para ondas extremas, expandindo as fronteiras do que se considera possível no oceano.

Contribuições fotográficas decisivas

O fotógrafo Fred Pompermayer elevou o nível da premiação ao ganhar o troféu de “foto do ano” por capturar o americano Peter Mel em Mavericks. Brasileiro radicado na Califórnia, Pompermayer documentou sessões em spots como Nazaré e Jaws, usando drones e câmeras subaquáticas para registrar ângulos inéditos. Sua imagem de Mel, em uma onda de cerca de 20 metros, destacou o momento exato do drop, congelando a intensidade da face da onda.

Pompermayer, com anos de experiência em surfe, contribuiu para o esporte ao registrar ondas que entram em análises técnicas da World Surf League. Em temporadas anteriores, ele já havia sido indicado por fotos de Chumbo em Nazaré, enfatizando a importância da fotografia em validar records.

Mavericks, com suas rochas submersas e correntes frias, exige posicionamento preciso para capturas seguras, algo que Pompermayer domina após anos cobrindo eventos como o Nazaré Challenge. Sua obra não só premia atletas, mas preserva a história visual do big wave.

A categoria de foto reforça como a documentação impulsiona o esporte, com imagens usadas em treinamentos e promoções globais.

Presenças internacionais na gala

O australiano Tom Myers levou o prêmio de “onda do ano” na categoria masculina por um ride em Queenscliff Bombie, na Austrália, demonstrando precisão em um spot conhecido por bombas imprevisíveis. Myers, com experiência em swells do Pacífico Sul, executou uma linha perfeita que evitou seções fechadas, somando pontos por estilo e compromisso.

O americano Alo Slebir conquistou “maior onda do ano” entre homens com 23 metros em Mavericks, superando concorrentes em volume puro. Essa onda, surfada em condições de inverno californiano, envolveu tow-in em alta velocidade, destacando a evolução técnica nos EUA.

Justine Dupont, da França, foi eleita melhor surfista feminina, com performances em Nazaré que incluíram remadas em ondas acima de 18 metros. Sua consistência ao longo da temporada a colocou à frente de Fregonese em critérios gerais.

Esses prêmios internacionais ilustram a diversidade do big wave, com spots como Jaws, Nazaré e Mavericks dominando as indicações.

  • Tom Myers em Queenscliff: Onda com vídeo de Essa Staszewska, enfatizando drop e carve.
  • Alo Slebir em Mavericks: 23 metros, recorde de volume na costa oeste americana.
  • Justine Dupont em Nazaré: Remadas puras em faces gigantes, sem tow-in.

A gala em Newport Beach reuniu cerca de 500 participantes, com transmissão ao vivo ampliando o alcance para fãs globais.

Evolução do circuito brasileiro

O domínio brasileiro no Big Wave Challenge reflete investimentos crescentes em infraestrutura para big waves no país. Eventos como o Urca Challenge, no Rio Grande do Norte, distribuem R$ 100 mil em prêmios e atraem swells a 29 km da costa, com ondas potenciais acima de 10 metros. Chumbo e Scooby participaram, testando novas bancadas subaquáticas.

No Itacoatiara Big Wave, ondas de três metros em tow-in premiaram duplas como Chumbo e Scooby, com apoio da prefeitura de Niterói. Essa competição, apelidada de “Nazaré brasileira”, fomenta talentos locais e integra o Circuito Big Wave Brasil.

Fregonese e Fink representam a nova geração, com treinamentos em academias e simulações oceânicas. O Brasil agora tem mais de 20 atletas credenciados para big waves internacionais, um salto de 50% em cinco anos.

Pompermayer’s fotos, usadas em revistas como Waves e Surfer, promovem o surfe nacional globalmente.

A temporada 2024/25 viu um aumento de 30% em participações brasileiras em swells europeus e havaianos, impulsionado por patrocínios locais.

To Top