O dólar comercial registrou forte queda nesta segunda-feira (15), alcançando R$ 5,314 às 14h50, menor patamar desde 6 de junho de 2024, com o mercado reagindo às expectativas de decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil. A desvalorização da moeda americana, que intensificou perdas ao longo do dia, reflete a aposta em um corte de 25 pontos-base na taxa do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira (17) e a manutenção da Selic em 15% pelo Banco Central brasileiro. O cenário é reforçado pela desaceleração da economia brasileira, conforme indicado pelo recuo de 0,5% no Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em julho. Investidores também ajustam posições após a revisão para baixo da projeção de inflação para 2025, que caiu de 4,85% para 4,83% no Relatório Focus. A fraqueza do dólar ante outras moedas globais também contribui para o movimento.
A queda do dólar comercial, que abriu o dia em baixa e acelerou o recuo por volta das 13h, sinaliza a confiança do mercado em um ambiente de políticas monetárias mais acomodatícias. Na B3, o contrato de dólar para outubro, o mais líquido, recuava 0,64%, cotado a 5.334 pontos.
- Principais fatores da queda: expectativas de corte de juros nos EUA.
- Impacto local: manutenção da Selic e sinais de desaceleração econômica.
- Contexto global: dólar mais fraco ante moedas de mercados emergentes.
O movimento cambial desta segunda-feira reflete um mercado atento às decisões de política monetária que podem redefinir o cenário econômico global e local nos próximos meses.
Movimentos do mercado de câmbio
O dólar comercial iniciou a semana com forte desvalorização, registrando queda de 0,74% às 14h50, cotado a R$ 5,314 na venda. Esse nível representa o menor valor desde 6 de junho de 2024, quando a moeda americana também esteve sob pressão devido a expectativas de flexibilização monetária global. Na sexta-feira (12), o dólar à vista já havia recuado 0,69%, fechando a R$ 5,3537, indicando uma tendência de enfraquecimento contínuo.
O comportamento da moeda reflete a combinação de fatores domésticos e internacionais. No Brasil, a divulgação do IBC-Br pelo Banco Central, apontando retração de 0,5% em julho, superou negativamente a expectativa de analistas, que previam queda de 0,2%. Esse dado reforça a percepção de desaceleração econômica, o que pode pressionar o Banco Central a reconsiderar a política de juros.
No cenário externo, a expectativa de um corte de 25 pontos-base na taxa de juros do Fed, atualmente entre 5,25% e 5,5%, domina as atenções. Investidores globais ajustam suas posições, reduzindo a demanda por dólar, o que impacta moedas de mercados emergentes, como o real.
- Fatores globais: apostas em flexibilização monetária nos EUA.
- Fatores locais: desaceleração econômica e revisão da inflação.
- Impacto no câmbio: dólar mais fraco ante o real e outras moedas.
- Tendência: mercado monitora decisões do Fed e Copom.
Impacto da desaceleração econômica no Brasil
A queda do IBC-Br em julho, superior ao esperado, intensificou o debate sobre o ritmo da economia brasileira. O índice, considerado uma prévia do PIB, reflete um arrefecimento em setores como indústria e serviços, impactados por juros altos e menor consumo. Analistas apontam que a desaceleração pode levar o Banco Central a avaliar cortes na Selic antes do previsto, embora a taxa atual de 15% seja mantida como âncora contra pressões inflacionárias.
O Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, trouxe uma revisão marginal na projeção de inflação para 2025, de 4,85% para 4,83%. Essa redução, embora pequena, sinaliza maior confiança do mercado na convergência da inflação para a meta, o que pode facilitar decisões futuras do Copom.
A combinação de uma economia mais fraca e expectativas de inflação controlada pressiona as taxas de juros futuras, com os Depósitos Interfinanceiros (DIs) registrando queda. Esse movimento reforça a desvalorização do dólar, já que investidores buscam ativos de maior risco em mercados emergentes.

Expectativas para as decisões de juros
As decisões de política monetária nos EUA e no Brasil são o principal foco do mercado nesta semana. Nos Estados Unidos, o Fed deve anunciar sua decisão na quarta-feira (17), com ampla expectativa de corte de 25 pontos-base na taxa de juros. Alguns analistas, no entanto, não descartam um corte mais agressivo, de 50 pontos-base, caso os dados econômicos recentes indiquem maior desaceleração.
No Brasil, o Copom se reúne na terça e quarta-feira (16 e 17), com a manutenção da Selic em 15% como cenário base. A desaceleração econômica, no entanto, reacende discussões sobre a possibilidade de cortes no início de 2026, especialmente se a inflação continuar convergindo para a meta de 3%.
- Pontos de atenção no Fed: tamanho do corte de juros e sinalizações futuras.
- Pontos de atenção no Copom: manutenção da Selic e tom do comunicado.
- Impacto no dólar: cortes nos EUA podem enfraquecer ainda mais a moeda.
- Cenário local: desaceleração econômica pode antecipar flexibilização.
O mercado monitora de perto os comunicados das autoridades monetárias, que podem trazer novas pistas sobre o rumo das políticas econômicas.
Cenário global e o dólar
A fraqueza do dólar não se restringe ao Brasil. A moeda americana cedeu terreno ante outras divisas de mercados emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, refletindo a expectativa de uma política monetária mais frouxa nos EUA. Além disso, indicadores globais, como a desaceleração da inflação nos EUA, reforçam a aposta em um ciclo de cortes de juros, o que reduz a atratividade do dólar como ativo de segurança.
No Brasil, o real se beneficia desse cenário, mas a volatilidade permanece alta. A proximidade das decisões do Fed e do Copom mantém os investidores cautelosos, com possibilidade de ajustes rápidos nas cotações caso os anúncios tragam surpresas.
O dólar turismo, por sua vez, também acompanhou a queda, com compra a R$ 5,349 e venda a R$ 5,529, refletindo a menor pressão no mercado de câmbio.
- Moedas emergentes: real, peso mexicano e rand em alta.
- Fatores globais: inflação controlada nos EUA e expectativa de cortes.
- Riscos: possíveis surpresas nas decisões de juros podem aumentar volatilidade.
Histórico recente do dólar
O dólar comercial vem apresentando trajetória de queda desde meados de agosto, quando oscilava próximo a R$ 5,50. A combinação de dados econômicos mais fracos no Brasil e a perspectiva de flexibilização monetária global contribuiu para o recuo. Em 6 de junho de 2024, o dólar já havia registrado um piso semelhante ao desta segunda-feira, refletindo um momento de otimismo com o real.
A volatilidade, no entanto, é uma constante no mercado de câmbio. Fatores como a evolução da economia chinesa, que impacta preços de commodities, e o desempenho fiscal brasileiro podem influenciar as cotações nas próximas semanas.
- Piso recente: R$ 5,31 em 6 de junho de 2024.
- Fatores de suporte ao real: preços de commodities e juros altos.
- Riscos ao real: incertezas fiscais e desaceleração global.
- Projeção: mercado espera volatilidade até as decisões de juros.
O cenário atual sugere que o dólar pode continuar pressionado no curto prazo, mas a sustentabilidade dessa tendência dependerá dos rumos da política monetária e da economia global.