Luiz Perillo, arquiteto brasiliense de 35 anos, faleceu nesta terça-feira (30) em São Paulo, uma semana após passar por um raro transplante multivisceral. O procedimento, realizado no dia 23 de setembro, envolveu a substituição de cinco órgãos — estômago, pâncreas, fígado, intestino e rim — de um único doador. Uma infecção generalizada interrompeu o ciclo de cirurgias, levando a uma parada cardíaca que resultou em sua morte. A família comunicou o falecimento pelas redes sociais, sem detalhar a causa exata.
Após quatro anos na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS), Perillo enfrentou complicações devido à trombofilia, doença que comprometeu seus órgãos. O transplante, um dos mais complexos da medicina, foi realizado em um hospital habilitado em São Paulo. A cirurgia era considerada uma esperança para o arquiteto, que mobilizou campanhas pela doação de órgãos.
- Apenas dois transplantes multiviscerais foram realizados no Brasil em 2024.
- Cerca de 30 mil transplantes ocorreram no país neste ano, segundo dados oficiais.
- O procedimento pode custar até dez vezes mais que um transplante convencional.
Luta contra a trombofilia
A trombofilia, diagnosticada na juventude, causou coágulos que danificaram a veia porta de Perillo, essencial ao sistema digestivo. Isso levou à falência de múltiplos órgãos, exigindo o transplante.
Durante anos, ele dependeu de nutrição parenteral por 13 horas diárias e hemodiálise três vezes por semana. Mesmo com o quadro grave, manteve uma rotina de exercícios para preservar a saúde física.

Preparação para o transplante
Antes da cirurgia, Perillo enfrentou uma infecção que agravou seu estado. Internado por semanas, ele teve os acessos para nutrição e hemodiálise comprometidos.
A gravidade do caso o colocou em prioridade na fila de espera. A compatibilidade com o doador foi confirmada após anos de espera, trazendo esperança à família.
A cirurgia ocorreu em um dos cinco hospitais brasileiros habilitados para o procedimento. A inclusão do transplante multivisceral no SUS, em fevereiro de 2024, ampliou o acesso a pacientes como Perillo.
Impacto da doação de órgãos
A doação de órgãos depende da autorização familiar no Brasil. Perillo usava as redes sociais para incentivar a manifestação da vontade de doar em vida.
- A decisão pode ser registrada no novo RG ou no site www.aedo.org.br.
- A conscientização é essencial para aumentar o número de doações no país.
- Em 2024, o Brasil realizou milhares de transplantes, mas a demanda segue alta.
Um procedimento raro
O transplante multivisceral é um dos mais complexos da medicina, com poucos hospitais capacitados. No Brasil, apenas cinco centros estão habilitados, e o procedimento exige alta compatibilidade entre doador e receptor.
O custo elevado e a necessidade de múltiplos órgãos de um único doador tornam a cirurgia rara. Em 2024, apenas dois casos foram registrados no país. A família de Perillo celebrou a chance do transplante como um marco. A mãe, Jussara Martins, destacou a força do filho durante a espera.
Legado de conscientização
Luiz Perillo se tornou símbolo de luta e esperança. Sua história destacou a importância da doação de órgãos e a complexidade do transplante multivisceral. Apesar do desfecho, sua campanha inspirou debates sobre o tema. A família espera que o caso motive mais pessoas a autorizarem a doação.