A Federação Internacional de Futebol (Fifa) impôs ao Sport Club Corinthians Paulista seis condenações financeiras totalizando R$ 125,6 milhões, decorrentes de atrasos em pagamentos por contratações de jogadores estrangeiros. O clube, sediado em São Paulo, enfrenta essas pendências desde o início de 2024, com duas decisões já confirmadas pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), a instância máxima da justiça esportiva. O maior valor refere-se à quebra de contrato com o meia Matías Rojas, em R$ 41,3 milhões.
O transfer ban, proibição de registrar novos atletas, permanece ativo desde 12 de agosto de 2025, originado da dívida com o Santos Laguna, do México, pela aquisição do zagueiro Félix Torres. Quatro outros casos aguardam julgamento no CAS, e o não cumprimento pode elevar o montante com juros e multas. A situação agrava o déficit orçamentário do Corinthians, projetado em R$ 83,3 milhões para 2025.
🎨🎶🖤#VaiCorinthians pic.twitter.com/ibaQzEn35J
— Corinthians (@Corinthians) October 5, 2025
Detalhes das contratações envolvidas
O Santos Laguna acionou a Fifa após o Corinthians pagar apenas a entrada de US$ 2 milhões pela compra de Félix Torres em janeiro de 2024. O contrato previa cinco parcelas adicionais, com a primeira vencendo em maio daquele ano, totalizando US$ 6,147 milhões.
A CAS confirmou a condenação em julho de 2025, fixando o valor em R$ 40 milhões com juros de 18% ao ano. Negociações para parcelamento falharam, pois o clube mexicano rejeitou propostas de 70% à vista. O transfer ban afeta três janelas de transferências, limitando o elenco atual.
Situação de Matías Rojas e rescisão
Matías Rojas rescindiu o contrato com o Corinthians em março de 2024, alegando atrasos em salários e direitos de imagem. A cláusula do acordo estipulava pagamento integral do vínculo até junho de 2027 em caso de inadimplência.
A Fifa determinou R$ 40,4 milhões iniciais, acrescidos de 5% de juros anuais desde fevereiro de 2024, totalizando R$ 41,3 milhões. O CAS endossou a decisão em setembro de 2025, com prazo de 45 dias para quitação, até 7 de novembro. Sem acordo, um novo transfer ban será aplicado.
O meia paraguaio, contratado em fevereiro de 2024 por empréstimo do Racing, da Argentina, disputou 28 jogos pelo Timão antes da saída. A diretoria busca diálogo com o estafe do jogador para evitar agravamento das sanções.
Casos de Garro e Martínez em análise
Rodrigo Garro chegou ao Corinthians em janeiro de 2024 por US$ 4 milhões do Talleres, da Argentina, mas divergências sobre impostos e despesas operacionais geraram disputa. O clube argentino cobrava US$ 612 mil adicionais, contestados pelo Timão.
A Fifa condenou o pagamento de US$ 3,612 milhões mais multa de US$ 722,400 e juros de 18% ao ano, equivalendo a R$ 23,35 milhões. O processo está no CAS desde maio de 2025, com decisão pendente que pode incluir proibição de registros.
José Martínez foi contratado em agosto de 2024 do Philadelphia Union por US$ 1,7 milhão, com US$ 200 mil pagos à vista e três parcelas restantes. A primeira, de dezembro de 2024, não foi quitada, acelerando o vencimento total.
A condenação da Fifa fixou R$ 8 milhões, com expectativa de acréscimo para R$ 10 milhões em negociações. O volante venezuelano segue no elenco, e o recurso no CAS visa parcelamento com o credor americano.
Empréstimos de Maycon e Charles sob julgamento
O Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, processou o Corinthians por não pagamento de valores em dois empréstimos de Maycon, de dezembro de 2022 a dezembro de 2024. Os contratos previam 250 mil euros em quatro ocasiões por período.
A Fifa determinou 1 milhão de euros mais juros de 10% ao ano, multa de 75 mil euros e 45 mil euros em custas, totalizando R$ 6,76 milhões. O CAS ainda não realizou audiência, e o volante permanece no clube paulista.
Charles foi adquirido do Midtjylland, da Dinamarca, em 2024 por 1,6 milhão de euros em três parcelas. As duas iniciais foram pagas, mas a de 800 mil euros, devida em março de 2025, acumulou multa de 200 mil euros.
A condenação recente da Fifa soma R$ 6,25 milhões com 12% de juros anuais desde março. O Corinthians recorreu ao CAS imediatamente, aguardando posicionamento que pode resultar em sanção adicional.
Medidas internas para quitação de débitos
A diretoria corintiana criou um comitê de planejamento estratégico em outubro de 2025 para otimizar recursos e elevar receitas. O grupo, subordinado ao presidente Osmar Stabile, foca em eficiência administrativa.
Receitas da Liga Forte União do Futebol Brasileiro, previstas para dezembro, destinam-se à resolução de pendências. O clube revisou o orçamento anual, ajustando despesas que subiram 30% no primeiro semestre.
- Identificação de oportunidades para corte de custos operacionais.
- Incremento de parcerias comerciais e vendas de ativos.
- Negociações diretas com credores para parcelamentos viáveis.
O déficit do primeiro semestre atingiu R$ 60,2 milhões, contribuindo para o endividamento geral de R$ 2,6 bilhões. A iniciativa visa sustentabilidade financeira a longo prazo.
Pendências adicionais e cronologia dos processos
Débitos com o New York City, pelos empréstimos de Talles Magno, e com o Tokushima Vortis, pela compra de Cacá, somam valores não quantificados na lista principal. Esses casos tramitam separadamente na Fifa.
A cronologia inicia em janeiro de 2024 com Torres e Garro, prosseguindo com Rojas em março, Martínez em agosto e Maycon em extensão de 2024. Charles e a confirmação de Rojas ocorreram em 2025.
O primeiro transfer ban ativou-se em agosto de 2025, após falha no prazo da CAS para Torres. Rojas representa o risco imediato de duplicação da punição.
Quatro recursos no CAS concentram-se em Garro, Martínez, Maycon e Charles, com audiências agendadas para os próximos meses. O Corinthians monitora prazos para evitar perda de pontos, prevista apenas após três transfer bans consecutivos.