Deputado republicano Mario Diaz-Balart, integrante do subcomitê de Defesa da Câmara dos EUA, declarou em 8 de outubro de 2025 que o presidente venezuelano Nicolás Maduro enfrenta opções limitadas diante das ações americanas contra o tráfico de drogas no Caribe. A declaração ocorreu durante entrevista ao jornal Republica USA, em Washington. Diaz-Balart vinculou Maduro ao cartel Los Soles, classificado como terrorista pelos EUA, e comparou sua situação a casos históricos de intervenções militares.
O parlamentar destacou que o cerco naval e aéreo dos EUA na região, iniciado em setembro, visa combater embarcações ligadas à Venezuela transportando narcóticos. Pelo menos quatro navios foram interceptados desde então, segundo autoridades americanas. Maduro, acusado de liderar o cartel, pode optar por renunciar e deixar o país, ser capturado como o ex-ditador panamenho Manuel Noriega em 1989 ou eliminado em operação precisa, similar ao general iraniano Qassem Soleimani.
A menção a Soleimani refere-se ao ataque de drone em Bagdá, no Iraque, em 3 de janeiro de 2020, autorizado pelo então presidente Donald Trump. O veículo do general foi atingido por mísseis do MQ-9 Reaper, resultando em sua morte imediata.
Opções apresentadas por Diaz-Balart
Diaz-Balart enumerou as alternativas para Maduro de forma direta na entrevista.
- Renúncia voluntária e exílio em país neutro, evitando escalada imediata.
- Captura por forças especiais americanas, com extradição por crimes de narcotráfico, como ocorreu com Noriega.
- Eliminação remota via drone, sem necessidade de invasão terrestre, ecoando o destino de Soleimani.
Essas opções surgem no contexto de sanções ampliadas contra aliados de Maduro, impostas pela administração Trump em 2025.
A declaração reflete a estratégia republicana de pressionar regimes aliados a adversários como Irã e Rússia. Diaz-Balart enfatizou que o diálogo bilateral está esgotado após anos de negociações infrutíferas.
Contexto do ataque a Soleimani
O episódio de 2020 marcou uma escalada nas tensões EUA-Irã. Soleimani, chefe da Força Quds do IRGC, coordenava operações regionais contra interesses americanos.
Trump justificou o ataque como medida preventiva contra ameaças iminentes. O drone MQ-9, operado remotamente, lançou dois mísseis Hellfire, destruindo o comboio em segundos.
A ação gerou condenações internacionais e retaliações iranianas, incluindo mísseis contra bases americanas no Iraque. Nenhum soldado dos EUA morreu, mas dezenas sofreram lesões cerebrais traumáticas.
Analistas apontam que o precedente abriu caminho para operações antiterrorismo seletivas, agora aplicadas ao narcotráfico no hemisfério ocidental.
Pressão militar no Caribe
Desde setembro de 2025, os EUA posicionaram uma frota com navios de guerra, submarinos e caças no Caribe. A operação foca em rotas de cocaína da Venezuela para os EUA, estimadas em bilhões de dólares anuais.
Autoridades americanas relataram a destruição de cargas em alto-mar, sem confrontos diretos com a Marinha venezuelana. Trump descreveu as ações como defesa da “guerra global contra o terror”.
- Quatro embarcações venezuelanas neutralizadas até 8 de outubro.
- Sanções a 16 oficiais de Maduro por obstrução eleitoral e violações de direitos humanos.
- Exercícios navais conjuntos com aliados, como a Unitas 2025.
O governo Maduro qualificou as manobras como provocação imperialista, apelando à ONU por mediação.
Caso Noriega e lições históricas
Em dezembro de 1989, os EUA invadiram o Panamá na Operação Causa Justa para depor Noriega, acusado de lavagem de dinheiro e tráfico.
Tropas do 82º Divisão Aerotransportada capturaram o general em 3 de janeiro de 1990, após bombardeios a seu refúgio. Ele foi extraditado e condenado a 40 anos nos EUA, morrendo em 2017.
A operação resultou em 300 mortes panamenhas e críticas por danos colaterais. Diaz-Balart citou o caso para ilustrar a capacidade americana de remover líderes corruptos sem guerras prolongadas.
Historiadores notam que Noriega, ex-aliado da CIA, virou alvo após aliança com cartéis colombianos. O precedente reforça a doutrina de intervenções rápidas contra ameaças hemisféricas.
Reações regionais ao alerta
Países vizinhos monitoram as declarações com cautela. A Colômbia reforçou fronteiras com a Venezuela, temendo fluxos migratórios ou confrontos.
O Brasil, via Itamaraty, defendeu soluções diplomáticas multilaterais, citando o Grupo de Lima. Especialistas da OEA alertam para riscos de instabilidade continental se houver escalada.
Maduro não comentou diretamente as palavras de Diaz-Balart, mas aliados chavistas as chamaram de “chantagem terrorista”. O presidente venezuelano decretou estado de alerta em unidades militares.
A oposição interna, liderada por figuras como María Corina Machado, vê o momento como oportunidade para transição pacífica, embora exilada.
Implicações para o narcotráfico
O cartel Los Soles, formado por oficiais venezuelanos, facilita o envio de 200 toneladas de cocaína anuais aos EUA, segundo relatórios da DEA de 2025.
Classificação como terrorista permite ações sob a Lei de Autorização de Uso Militar, ampliando o escopo de operações. Trump prometeu intensificar buscas em águas internacionais.
- Cooperação com México e Colômbia em inteligência compartilhada.
- Bloqueio de ativos de US$ 2 bilhões ligados a Los Soles.
- Treinamento de forças locais para interceptações costeiras.
Essas medidas visam desmantelar redes, mas analistas questionam se isolam Maduro ou forçam sua saída.