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Censo 2022: 35,3% dos trabalhadores recebem até um salário mínimo

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INSS, moedas, carteira de trabalho, dinheiro - Foto: gustavomellossa/Shutterstock.com INSS, moedas, carteira de trabalho, dinheiro - Foto: gustavomellossa/Shutterstock.com

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira (9), dados preliminares do Censo Demográfico 2022, revelando que 35,3% dos trabalhadores brasileiros recebem até um salário mínimo, equivalente a R$ 1.212 em 2022. A pesquisa, realizada entre 25 e 31 de julho, mostra que a renda se concentra em uma pequena parcela da população, com apenas 7,6% ganhando acima de cinco salários mínimos (R$ 6.060). As desigualdades regionais, de gênero e raça persistem, com maiores rendimentos entre homens, pessoas brancas e amarelas, e moradores do Centro-Sul. Comparado a 2010, houve leve redução na proporção de trabalhadores com baixa renda.

A faixa de renda mais comum, abrangendo 32,7% dos ocupados, é entre um e dois salários mínimos (R$ 1.212,01 a R$ 2.424). O levantamento também destaca que apenas 0,7% dos trabalhadores recebem acima de 20 salários mínimos (R$ 24.240).

  • Dados foram coletados de pessoas com 14 anos ou mais que trabalharam ao menos uma hora no período.
  • O salário mínimo em 2022 era de R$ 1.212.
  • A média nacional de rendimento mensal é de R$ 2.851.

Disparidades regionais

As diferenças de renda por região refletem a desigualdade econômica no país. O Centro-Oeste lidera com rendimento médio de R$ 3.292, seguido por Sudeste (R$ 3.154) e Sul (R$ 3.190), todos acima da média nacional.

No Norte (R$ 2.238) e Nordeste (R$ 2.015), os valores ficam bem abaixo, representando 78,5% e 70,7% da média nacional, respectivamente.

Diferenças por sexo e raça

Os dados do Censo 2022 expõem desigualdades estruturais no mercado de trabalho. Homens recebem, em média, R$ 3.115, valor 24,3% superior ao das mulheres (R$ 2.506). A disparidade se mantém em todos os níveis de escolaridade.

Por cor ou raça, pessoas amarelas (R$ 5.942) e brancas (R$ 3.659) têm rendimentos acima da média, enquanto pardos (R$ 2.186) e pretos (R$ 2.061) ficam abaixo. Indígenas registram a menor média, com R$ 1.683.

Concentração de renda

O Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, foi de 0,542 em 2022. Valores próximos de 1 indicam maior concentração de renda. As regiões Norte (0,545) e Nordeste (0,541) apresentam os maiores índices, enquanto o Sul (0,476) tem a distribuição mais equilibrada.

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carteira de trabalho e previdência social – Foto: gustavomellossa/Shutterstock.com

Estados com maiores e menores rendimentos

O Distrito Federal lidera com rendimento médio de R$ 4.715, seguido por São Paulo (R$ 3.460) e Santa Catarina (R$ 3.391). Já Maranhão (R$ 1.855), Piauí (R$ 1.905) e Bahia (R$ 1.944) registram as menores médias, evidenciando a concentração de atividades econômicas em áreas específicas.

A análise por unidades da federação mostra que 18 estados estão abaixo da média nacional de R$ 2.851, reforçando as desigualdades regionais.

Perfil dos trabalhadores

Cerca de 35,3% dos trabalhadores estão na faixa de até um salário mínimo, enquanto 32,7% recebem entre um e dois salários. Apenas 7,6% ganham acima de cinco salários, e 0,7% superam 20 salários mínimos.

Esses números indicam a persistência de desafios estruturais no mercado de trabalho brasileiro, com concentração de renda em grupos específicos.

Comparação com 2010

Em 2010, 36,4% dos trabalhadores recebiam até um salário mínimo, e 9,6% ganhavam acima de cinco salários. A leve redução em 2022 sugere avanços tímidos na distribuição de renda, mas as desigualdades regionais, de gênero e raça permanecem significativas.

O Censo destaca que a renda média nacional cresceu, mas a disparidade entre grupos demográficos e regiões continua a marcar o mercado de trabalho.

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