A Ferrari anunciou nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, os primeiros detalhes técnicos do Elettrica, seu modelo 100% elétrico previsto para o primeiro semestre de 2026. O veículo, desenvolvido integralmente em Maranello, na Itália, contará com quatro motores elétricos que somam mais de 1.000 cv de potência, priorizando desempenho e dinâmica de condução. A montadora destacou a integração de componentes proprietários, como plataforma e software, para manter a essência da marca em um contexto de eletrificação global.
O lançamento ocorre em meio à estratégia da Ferrari de expandir sua linha para incluir 20% de modelos elétricos até 2030, sem abandonar os motores de combustão. O Elettrica será o pioneiro nessa transição, com entregas iniciando no final de 2026 e preço estimado acima de 500 mil euros.
- Potência total superior a 1.000 cv no modo boost.
- Aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos.
- Velocidade máxima de 310 km/h.
Esses números posicionam o modelo próximo aos supercarros atuais da marca, como o F80, mas com foco em curvas e equilíbrio.
Configuração de motores impulsiona tração e modos de direção
Dois motores elétricos no eixo dianteiro geram 286 cv, enquanto os traseiros produzem 843 cv, permitindo tração integral ou traseira seletiva. O sistema de 800V suporta carregamento rápido de até 350 kW, recuperando 300 km de autonomia em 20 minutos. A bateria de 122 kWh, com densidade de 195 Wh/kg, integra o assoalho e reduz o centro de gravidade em 80 mm em relação a equivalentes a combustão.

Os engenheiros da Ferrari incorporaram o Torque Shift Engagement, com cinco níveis de torque acionados por alavancas no volante, simulando trocas de marcha. Outro ajuste controla a frenagem regenerativa, adaptando a resposta ao estilo do condutor.
Bateria e autonomia definem eficiência do Elettrica
A bateria estrutural utiliza 75% de alumínio reciclado, economizando 6,7 toneladas de CO2 por unidade. Com autonomia estimada em 530 km pelo ciclo WLTP, o modelo atende demandas de viagens longas sem comprometer o peso total de cerca de 2.300 kg. O resfriamento avançado mantém temperaturas estáveis durante uso intenso.
Desenvolvimento interno garante controle total
A Ferrari produziu internamente os eixos elétricos, inversores e suspensão ativa de terceira geração, co-desenvolvida com a Multimatic. Essa suspensão ajusta forças verticais, longitudinais e laterais 200 vezes por segundo, eliminando barras estabilizadoras tradicionais. O subchassi traseiro isolado minimiza vibrações na cabine, uma novidade para a marca.
O chassi de alumínio reciclado e a carroceria de quatro portas com entre-eixos de 2,96 metros sugerem configuração para quatro ocupantes. Mais de 60 patentes foram registradas nesse processo, reforçando a inovação proprietária.
- Integração de acelerômetros para captar vibrações reais.
- Ajustes independentes em cada roda para direção precisa.
- Redução de ruído interno em 50% comparado a protótipos iniciais.
Som autêntico diferencia o EV da Ferrari
Um sensor no inversor traseiro detecta vibrações mecânicas e as amplifica, criando um timbre natural que varia com a condução. Diferente de sons artificiais em concorrentes, essa abordagem usa aceleração real do powertrain, comparada a uma guitarra elétrica. O resultado integra o silêncio elétrico a uma identidade sonora única da marca.
Estratégia de eletrificação avança com cautela
A Ferrari planeja quatro lançamentos anuais de 2026 a 2030, equilibrando 40% de modelos a combustão, 40% híbridos e 20% elétricos. O Elettrica surge após 15 anos de pesquisa em hibridização, iniciada na Fórmula 1 em 2009. A parceria com a LoveFrom, de Jony Ive, cuida do design exterior e interior, a ser revelado em janeiro de 2026.
O CEO Benedetto Vigna enfatizou a produção em Maranello para preservar a artesania, com foco em dinâmica de curvas sobre acelerações lineares. Prototótipos já circulam em testes na Itália, camuflados para manter sigilo.
O veículo terá rodas motrizes independentes, com atuadores traseiros que direcionam até 2,15 graus, aprimorando estabilidade em alta velocidade. Essa configuração marca a primeira Ferrari com controle total de todas as rodas, incluindo direção traseira ativa, elevando o padrão de precisão em EVs de luxo. A montadora testou o sistema em pistas variadas, validando respostas em curvas fechadas e retas longas, onde o torque instantâneo dos motores elétricos brilha sem perda de tração.
Parceria com designers impulsiona estilo único
A colaboração com Marc Newson e Jony Ive, via LoveFrom, visa um visual que fuja de clichês de EVs, integrando linhas fluidas e proporções compactas. O entre-eixos curto e balanços mínimos sugerem agilidade urbana aliada a grand touring. Imagens de protótipos indicam silhueta de shooting brake, mas detalhes finais permanecem sob embargo até a primavera de 2026.
Suspensão ativa eleva dinâmica de condução
O sistema de terceira geração, visto no Purosangue, usa parafusos de esferas controlados eletricamente, ajustando amortecimento 100 vezes por segundo. Sensores térmicos compensam variações de viscosidade do óleo, garantindo consistência em climas extremos. Essa evolução gerencia forças independentes por eixo, reduzindo rolagem em 30% sem sacrificar conforto em rodovias.
A Ferrari aplicou lições da F1, com arranjo Halbach nos rotores para concentrar campos magnéticos, aumentando eficiência em 15%. Bobinas de estator em resina impregnada ao vácuo dissipam calor melhor que ar, suportando sessões prolongadas em circuito.
- Ajuste de 20 graus no ângulo de inclinação para maior rigidez.
- Controle de pitch para estabilidade em acelerações laterais.
- Integração com software de IA para previsões de terreno.
Mercado reage a metas revisadas da Ferrari
Ações da montadora caíram após o anúncio de metas de 2030 mais conservadoras, com ênfase em demanda por EVs de luxo. Analistas notam atraso no segundo modelo elétrico para 2028, priorizando híbridos. Ainda assim, o Elettrica atrai 90 mil clientes ativos, 20% acima de 2022, sinalizando interesse em eletrificação premium.
A estratégia reflete tarifas de 15% em importações para os EUA, mas a Ferrari elevou projeções financeiras para 2025, apostando em diversificação.