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Corinthians propõe sócio-torcedor com voto em eleições e mandatos de quatro anos no anteprojeto

Corinthians feminino
Corinthians feminino - Foto: Instagram

Corinthians apresenta anteprojeto de reforma estatutária. O documento propõe inclusão de sócio-torcedor com direito a voto nas eleições presidenciais. A iniciativa ocorre em São Paulo, no Parque São Jorge, nesta segunda-feira, 27 de outubro de 2025. A medida visa ampliar a participação da torcida em meio à crise financeira do clube.

Atualmente, apenas associados patrimoniais votam nas eleições internas. O anteprojeto cria a categoria “Sócio de Futebol” para membros do programa Fiel Torcedor. Essa modalidade permite votação após cumprimento de requisitos específicos. O objetivo é democratizar as decisões sem alterar o quadro social tradicional.

  • Primeira opção exige pagamento ininterrupto por quatro anos de taxa especial equivalente a 50% da contribuição mensal associativa.
  • Segunda alternativa mantém o valor cheio do título associativo, acrescido de taxa de um terço da contribuição por igual período.
  • Após seis anos de adimplência, o sócio migra para o quadro social pleno, com acesso a todos os direitos, incluindo candidatura.

O anteprojeto surge após pressão de torcidas organizadas ao longo de 2025. Manifestações destacaram a exclusão dos fiel torcedores das eleições. O clube registrou mais de 100 mil inscritos no Fiel Torcedor em 2024, segundo dados internos. Essa base representa potencial para maior engajamento nas deliberações.

Modalidades para o sócio de futebol

A primeira proposta estabelece taxa de 50% adicional à mensalidade padrão do Fiel Torcedor. O filiado deve manter pagamentos regulares por quatro anos consecutivos. Essa condição garante o direito de voto em eleições para presidente, primeiro e segundo vice-presidentes. A modalidade exclui acesso às instalações do Parque São Jorge.

Duas das três sugestões no documento contemplam o voto para essa categoria. A segunda opção equipara o pagamento ao de associados patrimoniais. Adiciona taxa reduzida de um terço da contribuição por quatro anos. Ambas visam equilibrar inclusão e sustentabilidade financeira do programa.

Ampliação e limites nos mandatos executivos

Os mandatos de presidente, diretoria e conselheiros passam de três para quatro anos no anteprojeto. Essa extensão aplica-se ao Conselho Deliberativo, Conselho de Orientação e Fiscal, além da Comissão de Ética. Uma das opções prevê eleição presidencial em dois turnos para maior representatividade.

O veto à reeleição consecutiva restringe o poder concentrado. O presidente não pode se reeleger imediatamente após o mandato. Permitida apenas uma eleição única, mesmo não consecutiva. Vice-presidentes seguem regra similar, com proibição de recondução seguida. Membros da Mesa Diretora e Cori enfrentam limitações idênticas.

A Comissão de Ética permite uma recondução para eleitos. Essa flexibilidade busca continuidade em análises técnicas. O Conselho Fiscal mantém mandatos ampliados sem reconduções múltiplas. Essas regras respondem a demandas por renovação após escândalos recentes.

Governança com CEO e controles financeiros

O anteprojeto institui o cargo de Chief Executive Officer para gerir operações. A seleção ocorre via processo público conduzido por empresa especializada. O contrato dura até quatro anos, com remuneração atrelada a metas de desempenho financeiras e esportivas. O Corinthians experimentou o modelo em 2024, com Fred Luz no cargo por meses.

Despesas diretoriais não excedem 90% das receitas projetadas. Proibição de aumentos em folha de pagamento nos 12 meses prévios a eleições, exceto para atletas. O futebol profissional, incluindo masculino, feminino e base, recebe orçamento segregado da estrutura social.

Descumprimento reincidente de prazos contábeis configura falta grave. O presidente e vice-financeiro respondem pessoalmente por gestão irregular. Bens particulares podem ser acionados em casos de temeridade comprovada. Metade da arrecadação com taxas de sócio de futebol financia atividades sociais na sede.

Possibilidade de SAF e sociedades empresariais

A criação de Sociedade Anônima do Futebol exige aprovação em Assembleia Geral. Pré-requisito inclui parecer favorável do Conselho Deliberativo e Cori. Auditoria independente precede a deliberação, com due diligence técnica publicada no Portal da Transparência.

Investidores externos vedados de controle majoritário na SAF. O clube mantém pelo menos 51% do capital em sociedades para futebol amador ou profissional. Essas entidades destinam no mínimo 10% da receita líquida ao Corinthians. O anteprojeto permite recuperação judicial sob a Lei da SAF para reestruturação financeira.

O documento totaliza 157 páginas, com mais de 30 propostas analisadas. A Comissão de Reforma, formada em outubro, compilou sugestões de conselheiros e torcedores. Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, detalhou o texto em coletiva às 15h. A votação ocorre em novembro no Conselho, seguida de assembleia em dezembro.

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