Ciência

Cometa 3I/ATLAS intriga cientistas com composição química rica em CO2 e alerta global

Cometa 3I - Atlas
Cometa 3I - Atlas - Foto: NAsa Cometa 3I - Atlas - Foto: NAsa

O cometa interestelar 3I/ATLAS, detectado em julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, ativou protocolos de defesa planetária da Nasa devido a seu comportamento orbital incomum.

A Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) coordena um exercício de treinamento de 27 de novembro de 2025 a 27 de janeiro de 2026 para refinar medições de sua trajetória hiperbólica.

O objeto, terceiro interestelar confirmado, viaja a mais de 210 mil km/h e atinge o periélio em 29 de outubro de 2025, a 210 milhões de km do Sol.

Sua composição química peculiar, observada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), justifica o monitoramento intensivo sem representar ameaça à Terra.

Descoberta e detecção inicial

O telescópio ATLAS, financiado pela Nasa e instalado em Río Hurtado, no Chile, identificou o 3I/ATLAS em 1º de julho de 2025, próximo à constelação de Sagitário.

Observações preliminares confirmaram sua origem extrassolar pela velocidade de 61 km/s, que impede captura gravitacional pelo Sol.

O nome “3I” indica o terceiro objeto interestelar, após ‘Oumuamua em 2017 e Borisov em 2019.

Dados do Minor Planet Center de Harvard, via boletim MPEC 2025-U142 de 21 de outubro, reforçaram a necessidade de alertas internacionais.

Composição química revelada pelo JWST

O JWST capturou dados em 6 de agosto de 2025 com seu Espectrógrafo de Infravermelho Próximo, mostrando uma coma dominada por dióxido de carbono (CO2).

Essa concentração, oito vezes superior à de água, excede variações esperadas em seis vezes para cometas solares.

A presença de monóxido de carbono, sulfeto de carbonila e gelo de água em quantidades mínimas sugere formação em condições frias de outro sistema estelar.

  • Nível de CO2 na coma: superior a 80% do total de gases detectados.
  • Relação CO2/água: 8:1, inédita em observações anteriores.
  • Emissões de OH (hidroxila): ativas a mais de 450 milhões de km do Sol.
  • Vapor de níquel detectado: indica sublimação precoce de metais.

Esses achados, analisados em preprint disponível online, destacam diferenças químicas entre cometas interestelares e locais.

Trajetória e desafios de monitoramento

A órbita hiperbólica do 3I/ATLAS o leva a uma distância mínima de 270 milhões de km da Terra, sem risco de colisão.

Durante a conjunção solar em 21 de outubro de 2025, o objeto fica oculto pela luz do Sol, limitando observações terrestres até dezembro.

A IAWN enfatiza “desafios únicos” para prever variações, como ejeções de poeira que alteram a cauda para direção anti-solar.

Sondas como Europa Clipper e Hera podem cruzar sua cauda entre 30 de outubro e 6 de novembro de 2025, permitindo detecção de partículas.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia e de Oslo notaram liberação de material proporcional à radiação solar, com jatos de poeira e gás apontando ao Sol em imagens de 2 de agosto de 2025 pelo Telescópio Gêmeo de Dois Metros, na Espanha.

Essa atividade, incomum em distâncias tão grandes, acelera a corrida por dados antes da saída do Sistema Solar em março de 2026, após passagem por Júpiter.

O núcleo, estimado entre 320 metros e 5,6 km de diâmetro pelo Hubble em 21 de julho de 2025, permanece estável sem surtos detectados até agosto.

Idade e origem estimadas

Modelos computacionais indicam que o 3I/ATLAS tem mais de sete bilhões de anos, anterior à formação do Sistema Solar há 4,6 bilhões de anos.

Formado possivelmente no disco espesso da Via Láctea, o cometa foi ejetado por interações gravitacionais e vagou por milhões de anos.

Observações do TESS, de 7 de maio a 3 de junho de 2025, revelam atividade comética precoce a 6,4 unidades astronômicas do Sol, ligada a sublimação de voláteis não aquosos.

A sonda Juice da ESA o observará em fevereiro de 2026, no pico de atividade, fornecendo espectros infravermelhos e submilimétricos para mapear emissões gasosas.

Observações por múltiplos telescópios

O Hubble registrou o núcleo em forma de gota com poeira em 21 de julho de 2025, a 445 milhões de km da Terra.

O SPHEREx observou de 7 a 15 de agosto de 2025, medindo propriedades térmicas e composição de pós.

Rovers em Marte, como Perseverance e Curiosity, capturam dados indiretos via órbitas de reconhecimento.

  • Telescópios envolvidos: Hubble, JWST, TESS, Swift, SOHO.
  • Distância inicial de detecção: 670 milhões de km do Sol.
  • Velocidade média: 221 mil km/h.
  • Reaparecimento visível: início de dezembro de 2025.

Essas contribuições coletivas aprimoram modelos de formação planetária em sistemas distantes.

Treinamento da IAWN para astrometria

A campanha de astrometria da IAWN, de novembro de 2025 a janeiro de 2026, testa métodos para observações precisas de cometas ativos.

Foco em extrair posições orbitais apesar de comas difusas e ejeções variáveis.

Participantes globais, incluindo ESA e agências asiáticas, compartilham dados para validar trajetórias.

O exercício usa o 3I/ATLAS como caso prático devido à sua visibilidade prolongada da Terra.

A iniciativa melhora protocolos para objetos interestelares futuros, integrando telescópios terrestres e espaciais em tempo real.

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