Ciência

Interesse global cresce com cometa 3I/ATLAS, mais antigo que o Sistema Solar

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Cometa - Foto: Trifonov_Evgeniy/ iStock Cometa - Foto: Trifonov_Evgeniy/ iStock

O cometa interestelar 3I/ATLAS, detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, representa o terceiro objeto de fora do Sistema Solar a visitar nossa vizinhança cósmica. Cientistas da Nasa e agências internacionais monitoram sua passagem rápida, que atinge o ponto mais próximo do Sol nesta quarta-feira, 29 de outubro, a 1,4 unidade astronômica de distância. A composição química atípica, revelada por observações recentes, explica o aumento nas buscas por “cometa” em ferramentas como o Google Trends, com picos de 40% nos últimos 30 dias no Brasil e em outros países.

Essa trajetória hiperbólica confirma sua origem extrassolar, com velocidade superior a 210 mil km/h, e não oferece risco à Terra, mantendo-se a pelo menos 1,8 unidade astronômica do planeta até 19 de dezembro. Astrônomos correm para coletar dados antes de sua saída definitiva em 2026.

  • Observações preliminares datam de 14 de junho de 2025.
  • Atividade cometa confirmada em 2 de julho por múltiplos telescópios.
  • Passagem por Marte em 3 de outubro permitiu imagens de orbitadores da ESA.

Trajetória e visibilidade do 3I/ATLAS

O 3I/ATLAS segue uma rota que o leva além da órbita de Marte após o periélio, tornando-se visível novamente em dezembro de 2025 para telescópios terrestres. Telescópios como o Hubble capturaram imagens em 21 de julho, mostrando uma cauda fraca e difusa apontando para longe do Sol.

Em março de 2026, o cometa se aproximará de Júpiter a 0,36 unidade astronômica, o que pode alterar ligeiramente sua órbita devido à gravidade do planeta. Essa interação gravitacional é estudada para prever desvios em objetos interestelares futuros.

Composição química revelada pelo JWST

Observações do Telescópio Espacial James Webb em 6 de agosto de 2025 identificaram uma coma dominada por dióxido de carbono, com proporção de CO₂ para água de 8:1, a mais alta registrada em cometas. Essa anomalia sugere formação em regiões frias e ricas em CO₂ ao redor de outra estrela.

O instrumento NIRSpec do JWST detectou também monóxido de carbono, sulfeto de carbonila e gelo de água, indicando uma mistura volátil que impulsiona a atividade do cometa a distâncias de até 6,4 unidades astronômicas do Sol.

Pesquisadores notam que a emissão de níquel e cianeto, observada pelo VLT em julho e agosto, alinha-se com padrões de cometas locais, mas a abundância de CO₂ desafia modelos de formação planetária.

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cometa – Foto: Nazarii_Neshcherenskyi/Shutterstock.com

Observações de missões espaciais

A sonda ExoMars da ESA registrou o 3I/ATLAS em 3 de outubro de 2025, capturando um ponto difuso em imagens do instrumento CaSSIS. Mars Express complementou com dados espectrais, confirmando a cor avermelhada da coma, similar à de 2I/Borisov.

O Observatório Gemini Sul produziu uma imagem profunda em setembro, revelando um jato de gás e poeira em forma de leque direcionado ao Sol, medido em 159 exposições de 50 segundos cada. Esse jato, detectado pelo Telescópio Twin de 2 metros, indica ejeção de material a alta velocidade.

A missão SPHEREx da Nasa observou em agosto, fornecendo fotometria que estima o núcleo entre 320 metros e 5,6 km de diâmetro.

Idade estimada e origens

Modelos computacionais indicam que o 3I/ATLAS tem mais de 7 bilhões de anos, superando a idade do Sistema Solar em 2,4 bilhões de anos. Essa estimativa baseia-se na velocidade e na composição, sugerindo deriva por bilhões de anos em espaço interestelar.

A formação próxima à linha de geada de CO₂ em um disco protoplanetário distante explica a dominância de dióxido de carbono, diferentemente dos cometas solares ricos em água.

Atividade e jatos inesperados

Imagens recentes do Telescópio Twin mostram um jato proeminente em direção ao Sol, formado por pressão de radiação solar sobre partículas de poeira. Essa estrutura em leque quebra o anel de coma, medido em comprimento angular de 3 segundos de arco.

A atividade começou possivelmente em maio de 2025, conforme dados do TESS, sem surtos detectados até agosto. A luminosidade permanece estável, mas o aquecimento no periélio pode intensificar emissões.

Astrônomos preveem monitoramento contínuo pelo Hubble em novembro para espectroscopia ultravioleta, focando na razão enxofre-oxigênio.

Treinamento para medições precisas

O Minor Planet Center coordena uma campanha global para astrometria exata do 3I/ATLAS, envolvendo observatórios amadores e profissionais. Essa iniciativa testa capacidades de rastreamento para objetos rápidos, com foco em posições precisas durante o periélio.

  • Participação aberta a telescópios de 2 metros ou maiores.
  • Ênfase em redução de erros de medição abaixo de 0,1 segundo de arco.
  • Resultados alimentam bancos de dados da União Astronômica Internacional.

Essa estrutura prepara para detecções futuras de interestelares, melhorando alertas de impacto terrestre.

O cometa 3I/ATLAS oferece uma janela rara para estudar química extrassolar, com dados do JWST e Hubble refinando teorias de formação de planetas. Sua passagem acelera avanços em espectroscopia de cometas, enquanto buscas online refletem o fascínio público por esses visitantes cósmicos. Observações prosseguem até sua saída em 2026, garantindo um arquivo completo de sua jornada.

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