A análise dos prazos mais curtos, como um e dois anos, mostrou uma proximidade muito grande nos resultados. Essa equiparação de rendimentos se deve à forte correlação entre o Tesouro Selic e o CDI. O investidor que busca liquidez imediata e segurança máxima percebe pouca variação no valor final resgatado.
Em 12 meses, por exemplo, o investimento de R$ 1 mil no Tesouro Direto resultaria em R$ 1.121,45, enquanto no CDB seria R$ 1.122,93. A diferença é de apenas R$ 1,48. No período de dois anos, o Tesouro Selic alcançaria R$ 1.268,83 e o CDB chegaria a R$ 1.269,34, mantendo a rentabilidade quase idêntica.
Vantagem do CDB se acentua em uma década
A disparidade entre os ativos torna-se ligeiramente mais evidente à medida que o prazo de aplicação se estende. A simulação projeta a rentabilidade do investimento em períodos de cinco e dez anos, um horizonte de tempo comum para objetivos de vida maiores ou planejamento de aposentadoria.
- Em cinco anos, o CDB atingiria R$ 1.852,23, superando o Tesouro Selic (R$ 1.839,46) em R$ 12,77.
- No prazo de dez anos, a aplicação no CDB (R$ 3.558,94) geraria R$ 51,86 a mais que o título público (R$ 3.507,08), confirmando uma pequena, mas constante, vantagem para o certificado bancário na metodologia simulada.

Apesar da diferença marginal, o resultado demonstra que, em cenários de Selic estável, o CDB 100% do CDI tem um potencial de acumulação um pouco superior no longuíssimo prazo, algo que pode ser potencializado em valores maiores de aporte.
Tributação e riscos de crédito e soberano
Ambos os ativos estão submetidos à tabela regressiva do Imposto de Renda (IR), cobrado apenas sobre o rendimento. A alíquota diminui conforme o tempo de aplicação, favorecendo investimentos de longo prazo.
- Aplicações de até 180 dias: 22,5%.
- De 181 a 360 dias: 20%.
- De 361 a 720 dias: 17,5%.
- Acima de 720 dias: 15%.
É fundamental considerar o risco atrelado a cada investimento. No caso dos CDBs, o principal é o risco de crédito, a possibilidade de a instituição financeira emissora não honrar o pagamento. Esse risco, contudo, é mitigado pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF e por instituição.
O Tesouro Direto, por sua vez, não conta com a proteção do FGC, mas é considerado o investimento de menor risco do país, chamado risco soberano, pois é garantido pelo próprio governo federal. A segurança superior do Tesouro Selic, em comparação com um CDB de banco menor que oferece 100% do CDI, justifica a ligeira desvantagem em rentabilidade. A liquidez também é um fator, sendo que o Tesouro Selic possui liquidez diária e o CDB deve ser avaliado individualmente.
Cenário de juros e marcação a mercado
A simulação assume um cenário de estabilidade da Selic em 15% ao ano, embora a taxa seja revista a cada 45 dias pelo Comitê de Política Econômica (Copom). Analistas de mercado apontam que a escolha entre os ativos depende dos objetivos do investidor e da visão sobre a política monetária futura.
- A marcação a mercado é um fator relevante para o Tesouro Selic. Ao contrário do CDB, a venda antecipada do título público pode gerar um valor de resgate diferente do esperado, conforme as condições do mercado naquele dia.
- O CDB, se mantido até o vencimento, geralmente garante a taxa contratada, evitando a volatilidade da marcação a mercado. Para reservas de emergência, onde a liquidez é crucial, ambos os títulos com liquidez diária se apresentam como opções atrativas e de fácil acesso.
Em 2024, outros títulos bancários, como LCIs e LCAs, que são isentos de imposto de renda, superaram o Tesouro Direto em volume de investimentos de pessoas físicas, indicando uma diversificação de preferência. No entanto, o Tesouro Selic e o CDB 100% CDI permanecem como os pilares da renda fixa pós-fixada para o investidor que prioriza segurança e facilidade.