O cometa 3I/Atlas, terceiro objeto interestelar detectado pela ciência, reaparece no céu a partir do final de novembro de 2025. Astrônomos em Santa Catarina planejam observações detalhadas do visitante, que viaja a 210 mil quilômetros por hora.
Descoberto em julho pelo telescópio ATLAS no Chile, o cometa segue trajetória hiperbólica e não orbita o Sol. Especialistas da Universidade Federal de Santa Catarina confirmam que ele se aproxima a 270 milhões de quilômetros da Terra, sem risco de colisão.
O objeto intriga pela composição rica em dióxido de carbono, oito vezes maior que em cometas locais. Observações do Telescópio Espacial James Webb revelam coma dominada por CO2, liberada cedo durante a aproximação solar.
Descoberta e trajetória do 3I/Atlas
Astrônomos identificaram o cometa em 1º de julho de 2025, próximo à constelação de Sagitário. Inicialmente classificado como asteroide, análises posteriores confirmaram atividade cometária com cauda e coma.
A órbita hiperbólica, com excentricidade superior a 6, indica origem fora do Sistema Solar. O cometa atingiu o periélio em 29 de outubro, a 203 milhões de quilômetros do Sol, dentro da órbita de Marte.
Estudos estimam idade de 7 bilhões de anos, possivelmente mais antigo que o Sol. Dados da NASA apontam diâmetro entre 5,6 e 30 quilômetros, com velocidade de 61 km/s.

Composição química que surpreende
O núcleo libera gás e poeira a distâncias maiores que o esperado. Proporção de CO2 em relação à água difere de cometas solares, sugerindo formação em ambiente estelar distante.
Observações da ESA detectam jatos direcionados ao Sol, influenciados pela rotação do objeto. Todos os compostos identificados ocorrem em cometas locais, mas em proporções alteradas.
Análises do Observatório Nacional no Brasil validam que o cometa não altera trajetórias de forma anômala.
Preparativos para observação em SC
Em Santa Catarina, o professor Daniel Ruschel Dutra, da UFSC, coordena buscas matinais. Telescópios de médio porte captarão o cometa na constelação de Virgem entre 3 e 17 de novembro.
Equipamentos como binóculos astronômicos ou telescópios amadores serão essenciais, pois o brilho atinge magnitude 11. O melhor período inicia em 27 de novembro, durante campanha global da IAWN.
Locais como o Observatório Astronômico de Joinville já agendam sessões públicas. Condições climáticas claras favorecem visibilidade no litoral e planalto.
Campanha global de monitoramento
A Rede Internacional de Alerta de Asteroides organiza exercícios de 27 de novembro de 2025 a 27 de janeiro de 2026. Astrônomos aprimoram medições orbitais com dados de telescópios mundiais.
Missões espaciais contribuem: a Juice da ESA observará o cometa perto de Vênus em novembro. A Europa Clipper da NASA cruza possível cauda do objeto no início do mês.
- Participantes precisam de código MPC para observatórios.
- Foco em astrometria de cometas, mais complexa devido a caudas.
- Workshop online abre inscrições até 7 de novembro.
Passagens próximas a planetas
O cometa passou a 30 milhões de quilômetros de Marte em 3 de outubro. Imagens do Trace Gas Orbiter da ESA registraram detalhes da coma.
Em 3 de novembro, aproxima-se de Vênus a 97 milhões de quilômetros. A sonda Juice capturará dados durante a manobra gravitacional.
Em março de 2026, passará por Júpiter a 54 milhões de quilômetros. Juno fornecerá observações adicionais antes da saída do Sistema Solar.
A trajetória permite comparações com Oumuamua e Borisov, os dois interestelares anteriores.
Visibilidade e dicas práticas
O cometa surge antes do nascer do Sol, por volta das 4h30 em SC. Elongação angular aumenta em dezembro, melhorando condições.
Astrônomos recomendam apps como TheSkyLive para rastreio. Evite poluição luminosa em áreas urbanas.
- Use telescópios com montagem equatorial para rastreio.
- Registre imagens em CCD para análise posterior.
- Compartilhe dados com redes como IAWN para ciência coletiva.
O brilho pode variar com sublimação de gelos, mas projeções indicam visibilidade até dezembro.
Oportunidades científicas únicas
O 3I/Atlas oferece janela para química interestelar. Estudos comparam reações ao vento solar com cometas locais.
Dados preliminares sugerem material primitivo do Universo inicial. Observações terrestres complementam missões espaciais. A detecção precoce, a 4,5 UA do Sol, destaca avanços em surveys como ATLAS.