O cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar confirmado a visitar o Sistema Solar, reapareceu no céu oriental antes do amanhecer nesta terça-feira, 11 de novembro de 2025. Descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, o corpo celeste atingiu seu periélio em 30 de outubro, a cerca de 1,4 unidade astronômica do Sol, sem representar ameaça à Terra. Astrônomos da NASA e da ESA coordenam observações para mapear sua composição química e trajetória hiperbólica, que o leva de volta ao espaço interestelar.
A detecção precoce, com observações retroativas até 14 de junho, permitiu cálculos precisos da órbita. O cometa, com núcleo estimado entre 440 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro, exibe atividade com jatos de gás e poeira observados por missões espaciais.
- Velocidade inicial: cerca de 61 km/s ao ser avistado.
- Distância mínima à Terra: 1,8 UA, ou 270 milhões de quilômetros.
- Composição detectada: dióxido de carbono, água, monóxido de carbono e gelo de água.
Trajetória hiperbólica define visita única
A órbita do 3I/ATLAS segue uma curva hiperbólica, confirmada por dados do Minor Planet Center, indicando origem fora do Sistema Solar.
Astrônomos rastreiam o objeto desde sua entrada na vizinhança de Júpiter, a 670 milhões de quilômetros do Sol.
A trajetória o aproximou de Marte em 3 de outubro, a 30 milhões de quilômetros, permitindo imagens da sonda ExoMars Trace Gas Orbiter.

Descoberta e nomeação aceleram estudos globais
O telescópio ATLAS, financiado pela NASA e operado pela Universidade do Havaí, identificou o cometa durante varredura rotineira em Río Hurtado, Chile. Observações pré-descoberta de outros sites ATLAS e do Zwicky Transient Facility estenderam o registro para junho.
A nomenclatura “3I” reflete sua posição como terceiro interestelar, após ‘Oumuamua em 2017 e 2I/Borisov em 2019. Equipes internacionais mobilizaram telescópios terrestres na Austrália, Havaí e Chile logo após o alerta.
O nome homenageia o sistema de alerta para impactos de asteroides, adaptado para cometas.
Missões espaciais capturam detalhes inéditos
O Telescópio Espacial Hubble registrou imagem em 21 de julho de 2025, revelando pluma de poeira em forma de gota ao redor do núcleo gelado, a 445 milhões de quilômetros da Terra. Estrelas de fundo aparecem estriadas devido ao rastreamento da trajetória hiperbólica.
O James Webb Space Telescope observou em 6 de agosto com o instrumento NIRSpec, detectando emissões infravermelhas de compostos orgânicos.
A missão SPHEREx coletou dados de 7 a 15 de agosto, analisando ices e poeira.
Outras sondas, como Parker Solar Probe e SOHO, monitoraram interações solares durante o periélio.
Composição química surpreende pesquisadores
Análises preliminares indicam presença de tholins, compostos orgânicos irradiados que conferem cor avermelhada, similar a asteroides D-type e ao cometa 2I/Borisov.
Gás e poeira ejetados incluem grãos pequenos de 1 micrômetro a 22 m/s e maiores de 100 micrômetros a 2 m/s, com taxa de ejeção de até 60 kg por segundo em julho.
Água foi detectada em 20 de julho por espectroscopia no infravermelho próximo, via Gemini South e Infrared Telescope Facility.
Atividade precoce em maio, a 6,4 UA do Sol, sugere sublimação de voláteis como CO2 e CO, incomum para distâncias maiores.
Observações pós-periélio abrem nova fase
O cometa emergiu do brilho solar em novembro, visível a telescópios de pelo menos 20 centímetros de abertura, magnitude +11.
Hubble planeja espectroscopia ultravioleta em novembro para medir emissões de gás e razão enxofre-oxigênio.
Sondas como Mars Reconnaissance Orbiter e Perseverance capturaram vistas de Marte durante a aproximação.
O app NASA’s Eyes on the Solar System simula o percurso, auxiliando visualizações públicas.
Atividade estável desafia expectativas
Dados até agosto mostram ausência de surtos, com brilho e ejeção de material constantes.
Observações do TESS em maio a junho indicam coma ativa a 6,4 UA, impulsionada por ices voláteis.
Brilho aumentou cinco vezes perto do periélio, detectado por observatórios amadores e ALMA, sugerindo aceleração não gravitacional de 3,7 desvios padrão.
Origem galáctica intriga cientistas
O cometa veio da direção de Sagitário, centro da Via Láctea, possivelmente do disco fino ou grosso, com idade estimada de 3 a 11 bilhões de anos.
Formado em outro sistema estelar, foi ejetado para o espaço interestelar, vagando por milhões de anos.
Estudos comparam sua química a cometas solares, revelando diversidade em sistemas planetários.
Visibilidade atual e próximos passos
Astrônomos amadores relatam detecção em 5 de novembro na Espanha, com cor azulada em terceira mudança observada.
O objeto segue para saída do Sistema Solar, com monitoramento até dezembro.
Missões futuras como Comet Interceptor da ESA preparam interceptações de visitantes similares.