O cometa interestelar 3I/ATLAS reapareceu no céu matutino em 8 de novembro de 2025, após período de ocultação pelo brilho solar, e exibiu uma cauda complexa com múltiplas direções. Astrônomos da Áustria, como Michael Jaeger, capturaram imagens do objeto a 7 a 10 graus acima do horizonte, revelando jatos finos e uma aparência alterada. A mudança ocorreu perto do periélio, em 30 de outubro, quando o cometa chegou a 1,4 unidade astronômica do Sol.
Essa transformação gerou especulações sobre fragmentação do núcleo, impulsionada pelo calor solar que acelera a sublimação de gelos. O 3I/ATLAS, detectado em julho no Chile pelo telescópio ATLAS, viaja a 61 km/s em trajetória hiperbólica, confirmando origem fora do Sistema Solar. Ele representa o terceiro visitante interestelar conhecido, após ʻOumuamua e Borisov.
Observações do Telescópio Espacial James Webb indicam composição rica em dióxido de carbono, oito vezes superior à água, o que diferencia o cometa de objetos locais. A liberação repentina de gás e poeira explica o aumento de brilho observado.
3I/ATLAS showed a complex tail structure early this morning (2025 nov. 8 4.10 UT)
— Michael Jäger (@Komet123Jager) November 8, 2025
The sum image from 24x35sec green and 2×35 red and 2×35 blue with 11" RASA shows a 5' coma and 4-5 tails or jets: 400“ pa 0, 500” pa 316, 900“ pa 295, 430” pa 278 and a counter-tail 200" pa 109 pic.twitter.com/GjjWIu8KGV
- Velocidade média: 221 mil km/h, sem influência gravitacional solar prolongada.
- Distância mínima à Terra: 270 milhões de km, em dezembro de 2025.
- Idade estimada: Mais de 7 bilhões de anos, exposta a radiação interestelar.
Observações iniciais do cometa
Astrofotógrafos europeus registraram o 3I/ATLAS em 8 de novembro de 2025, sob condições de crepúsculo e interferência lunar. As imagens mostraram quatro caudas distintas, incluindo um jato solar fino. Jaeger relatou a estrutura complexa via plataformas astronômicas.
Essa detecção ocorreu em Martinsberg, na Áustria, com equipamentos elevados para superar a baixa altitude do objeto. Os dados preliminares sugerem emissão de poeira em direções variadas, diferente de caudas lineares comuns.
Hipóteses sobre a fragmentação
Especialistas avaliam que o calor próximo ao Sol provocou ruptura parcial do núcleo de 3I/ATLAS. Modelos computacionais previram estabilidade até o periélio, mas o aumento de atividade indica liberação de 4,4 milhões de libras de material por segundo.
A fragmentação ampliaria a área superficial, acelerando a perda de massa em 13% ou mais. Observações de Avi Loeb, de Harvard, destacam aceleração não gravitacional, compatível com ejeção de gases voláteis como CO2.
Sondas como Europa Clipper detectaram partículas da cauda iônica entre 30 de outubro e 6 de novembro de 2025. As interações com o vento solar alteram a polarização da poeira, um traço incomum mas observado em cometas ativos.
Composição química revelada
O Telescópio James Webb analisou o 3I/ATLAS em agosto de 2025, confirmando predominância de dióxido de carbono na coma. Essa proporção elevada sugere formação em disco protoplanetário frio, distante do centro galáctico.
A baixa presença de água, cerca de 4% da massa gasosa, contrasta com cometas solares típicos. Espectroscopia ultravioleta mediu razões enxofre-oxigênio, revelando exposição prolongada a radiação cósmica durante bilhões de anos.
O núcleo, estimado entre 300 metros e 5,6 km de diâmetro, preserva compostos orgânicos raros. Atividade superficial cobre mais de 8% da área, impulsionando jatos observados em outubro.
Mudanças na cauda pós-periélio
Imagens de 5 de novembro de 2025, do Observatório R. Naves na Espanha, mostraram ausência inicial de cauda clássica, apesar da perda de massa. Posteriormente, em 9 de novembro, Frank Niebling e Michael Buechner capturaram estruturas múltiplas, com jatos de 1 milhão de km.
A transição de anticauda solar para cauda afastada ocorreu em setembro, conforme Nordic Optical Telescope. Isso resulta de partículas de poeira reagindo à pressão de radiação, com grãos maiores criando ilusões geométricas.
O brilho aumentou cinco vezes após o periélio, com tom verde de carbono diatômico. Polarização negativa extrema indica poeira fina, sem evidência de surtos explosivos até novembro.
Trajetória e monitoramento contínuo
O 3I/ATLAS segue órbita prevista, passando por Vênus a 97 milhões de km em novembro de 2025. A missão JUICE da ESA observou emissões remotas, enquanto Mars Reconnaissance Orbiter forneceu imagens de alta resolução em outubro.
Rede Internacional de Alerta de Asteroides coordenou exercícios de astrometria até 7 de novembro. Telescópios terrestres monitoram polarização da cauda iônica, detectando drapejamento magnético.
A velocidade de 210 mil km/h garante saída do Sistema Solar em dezembro, sem risco de colisão. Observações pós-periélio confirmam estabilidade, apesar da atividade elevada.