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Governo de Hong Kong prende suspeitos após incêndio que ceifou 55 vidas em complexo em reforma

Hong Kong
Hong Kong - reprodução TV Globo

Um incêndio de grandes proporções atingiu o complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, em Hong Kong, na tarde de quarta-feira (26). O fogo começou por volta das 14h51 e se espalhou rapidamente por sete dos oito prédios de 31 andares, deixando pelo menos 55 mortos, incluindo um bombeiro. Autoridades locais confirmam que centenas de residentes, em sua maioria idosos, ficaram presos nos apartamentos superiores devido à fumaça densa e ao calor intenso.

O incidente ocorreu durante obras de reforma iniciadas em julho de 2024, com andaimes de bambu e materiais inflamáveis que facilitaram a propagação das chamas. Equipes de resgate, compostas por centenas de bombeiros, enfrentaram dificuldades para acessar os andares altos, onde mangueiras não alcançavam adequadamente. Até a manhã de quinta-feira (27), 279 pessoas permaneciam desaparecidas, e 76 feridos estavam internados, com 15 em estado crítico.

Relatos de sobreviventes destacam a ausência de alarmes de incêndio audíveis em alguns blocos, o que atrasou a evacuação. O governo elevou o alerta de incêndio para o nível máximo, o quinto, pela primeira vez em 17 anos, mobilizando recursos para conter o fogo que ainda queimava em áreas isoladas.

  • Fogo iniciado em andaime externo, possivelmente por faísca elétrica;
  • Propagação acelerada por isopor e rede de proteção nos prédios;
  • Evacuação de cerca de 900 moradores para abrigos temporários;
  • Doações de voluntários incluem roupas, alimentos e suprimentos médicos.

Propagação acelerada pelas estruturas de obra

O incêndio se iniciou em um andaime de bambu no bloco A do complexo, construído na década de 1980 para abrigar famílias de baixa renda. Materiais como isopor usado em fachadas externas contribuíram para o avanço rápido das chamas, alcançando múltiplos andares em minutos.

Autoridades apontam que as reformas envolviam rede verde de proteção, que reteve a fumaça e impediu saídas de emergência. Bombeiros relataram temperaturas acima de 1.000 graus Celsius em alguns pontos, o que forçou pausas nas operações de busca.

Esforços de resgate em meio a destroços

Equipes de emergência resgataram um bebê e uma idosa no início da noite de quarta-feira, mas o calor extremo limitou acessos. Até o momento, 26 grupos de resgate operam no local, removendo escombros para verificar apartamentos intactos.

Cerca de 62 pessoas foram localizadas presas em sete prédios, com foco em corredores e escadas bloqueadas. Helicópteros auxiliaram na ventilação de fumaça, enquanto drones mapeavam áreas de risco.

Um bombeiro morreu durante o combate inicial, elevando o balanço de fatalidades. Outros 71 feridos incluem inalação de fumaça e queimaduras graves, tratados em hospitais próximos.

Voluntários organizaram pontos de distribuição de suprimentos, com doações chegando de toda a cidade. O governo alocou 300 milhões de dólares de Hong Kong para assistência imediata aos desalojados.

Prisões e investigação em curso

Três homens ligados à construtora responsável pelas reformas foram detidos na quinta-feira por suspeita de homicídio culposo. A polícia abriu inquéritos criminais, administrativos e de corrupção para apurar falhas de segurança.

Queixas de moradores sobre os andaimes datam de setembro, registradas no departamento de edifícios. Especialistas questionam a durabilidade do bambu em obras urbanas densas, comum em Hong Kong por custo reduzido.

O líder executivo John Lee classificou o evento como catástrofe massiva e prometeu auditorias em todos os canteiros de obra semelhantes. Xi Jinping, presidente da China, enviou condolências e instruiu esforços para conter danos adicionais.

Relatos de moradores afetados

Peter Leung, 71 anos, retornou ao local e descreveu a cena como indelével. Seu apartamento no 28º andar escapou das chamas, mas ele lamentou a perda de vizinhos próximos.

Sra. Fong, 40 anos, perdeu contato com a mãe de 70 anos após ligação às 20h de quarta. Ela aguardava em abrigo, junto a outros familiares que buscavam atualizações.

Animais de estimação foram resgatados em alguns casos, com moradores implorando por salvamentos durante chamadas de emergência. A rodovia Tai Po permaneceu interditada, desviando tráfego e linhas de ônibus.

Abrigos e suporte aos desalojados

Nove centros de emergência abrigam 500 pessoas, com 250 médicos e profissionais atendendo demandas. Escolas e centros comunitários foram adaptados para acomodar famílias inteiras.

Doações fluem de cidadãos, incluindo roupas e alimentos essenciais. O governo planeja relocação temporária para unidades públicas enquanto avalia a habitabilidade dos prédios.

Cerca de 4.800 residentes viviam no complexo antes do incêndio, com ênfase em apoio psicológico para sobreviventes. Linhas de ajuda operam 24 horas para registrar desaparecidos.

Medidas preventivas em edifícios antigos

Hong Kong registra aumento de 20% em reformas residenciais desde 2020, impulsionado por programas governamentais. Normas de segurança exigem inspeções semestrais em andaimes, mas fiscalização varia.

Especialistas recomendam substituição gradual de bambu por estruturas metálicas em zonas de alta densidade. Testes de inflamabilidade em materiais de fachada serão obrigatórios após o incidente.

O departamento de incêndio planeja campanhas de conscientização sobre alarmes e rotas de fuga em condomínios idosos. Investimentos em tecnologia de detecção precoce somam 50 milhões de dólares anuais.

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