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Programa do SUS para largar o cigarro oferece tratamento gratuito com apoio e remédios; saiba como acessar

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Nopphon_1987/Shutterstock.com Nopphon_1987/Shutterstock.com

O Sistema Único de Saúde (SUS) mantém um programa nacional, gratuito e estruturado para auxiliar pessoas que desejam parar de fumar. A iniciativa está disponível em postos de saúde por todo o território nacional e combina acompanhamento profissional com a disponibilização de medicamentos para controlar os sintomas da abstinência de nicotina.

O acesso ao tratamento é realizado por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que funcionam como a porta de entrada para os serviços do SUS. O objetivo é oferecer o suporte necessário para que o indivíduo consiga superar a dependência química e psicológica causada pelo cigarro.

Considerado uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diversas enfermidades graves, incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias e diferentes tipos de câncer, representando uma das maiores causas de mortes evitáveis no mundo.

Como funciona o acesso ao programa

O primeiro passo para quem decide parar de fumar com o auxílio do SUS é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência ou trabalho. Ao manifestar o interesse em participar do programa, o paciente passará por uma avaliação inicial com um profissional de saúde, que irá analisar seu histórico, nível de dependência da nicotina e estado geral de saúde.

Com base nessa avaliação clínica, é definido um plano terapêutico personalizado. O tratamento é majoritariamente conduzido em grupo, através de sessões de terapia cognitivo-comportamental, mas também pode incluir acompanhamento individual, dependendo da necessidade do paciente e da estrutura da unidade de saúde. O suporte contínuo é fundamental para fortalecer a decisão e prevenir recaídas.

Abordagem terapêutica e suporte profissional

A base do tratamento oferecido pelo SUS é a terapia cognitivo-comportamental, uma abordagem que ajuda o fumante a identificar as situações que servem como gatilho para o desejo de fumar.

Durante os encontros, os participantes aprendem estratégias para resistir à vontade de acender um cigarro e para modificar hábitos associados ao fumo.

As sessões são conduzidas por equipes multidisciplinares, que podem incluir médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, garantindo um suporte completo ao paciente.

O programa também incentiva a marcação de uma data específica para parar de fumar, conhecida como “Dia D”, um marco importante no processo de cessação que é trabalhado durante as sessões de terapia.

Uso de medicamentos como auxílio no processo

Para pacientes com um grau mais elevado de dependência da nicotina, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos que auxiliam no controle das crises de abstinência. O SUS disponibiliza gratuitamente a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), por meio de adesivos transdérmicos e gomas de mascar, além do cloridrato de bupropiona, um antidepressivo que demonstrou eficácia na redução do desejo de fumar. A prescrição desses medicamentos é feita exclusivamente por um médico após avaliação criteriosa, pois não são indicados para todos os casos. É importante ressaltar que os remédios funcionam como um suporte e devem ser utilizados em conjunto com o acompanhamento terapêutico, pois não eliminam a dependência sozinhos, mas aliviam os sintomas físicos e psicológicos mais intensos, como ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração, que surgem nas primeiras semanas sem o cigarro.

Os riscos associados ao tabagismo

O cigarro contém mais de 7 mil substâncias tóxicas, das quais dezenas são comprovadamente cancerígenas. O consumo de tabaco está diretamente relacionado a quase 50 doenças diferentes.

Entre as principais estão os cânceres de pulmão, boca, laringe e bexiga, além de infarto agudo do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e doenças pulmonares obstrutivas crônicas (DPOC).

Dados do inquérito Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, apontam que a prevalência de fumantes adultos no Brasil é de 9,3%, o que representa um número significativo de pessoas expostas diariamente a esses riscos.

Cigarros eletrônicos não são uma alternativa segura

Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), como cigarros eletrônicos e vapes, são frequentemente vistos como uma opção menos prejudicial, mas especialistas alertam para os perigos. Esses dispositivos também contêm nicotina, a substância que causa alta dependência, além de outros produtos químicos tóxicos que podem provocar danos aos pulmões e ao sistema cardiovascular.

A comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de DEFs são proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e seu uso não é considerado uma terapia segura ou eficaz para a cessação do tabagismo.

O impacto do tabagismo passivo

A exposição à fumaça do cigarro também afeta gravemente a saúde de não fumantes. O tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, aumentando o risco de doenças respiratórias, problemas cardíacos e câncer em adultos, além de agravar quadros de asma em crianças.

Benefícios imediatos e a longo prazo ao parar de fumar

Os benefícios de abandonar o cigarro começam a ser sentidos quase imediatamente. Em poucas semanas, a função pulmonar e a circulação sanguínea melhoram, resultando em mais fôlego e disposição para atividades diárias.

A longo prazo, os riscos de desenvolver doenças graves diminuem drasticamente. Após 15 anos sem fumar, por exemplo, o risco de um ex-fumante sofrer um infarto se torna igual ao de uma pessoa que nunca fumou, evidenciando que a decisão de parar sempre vale a pena.

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