O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto confirmado de fora do Sistema Solar, segue trajetória que passará a exatos 53,445 milhões de quilômetros de Júpiter em 16 de março de 2026.
Essa distância coincide com o raio de Hill do planeta, região de influência gravitacional, o que representa probabilidade de uma em 26 mil para um evento aleatório.
Astrônomos da NASA coordenam observações com telescópios e sondas para analisar a composição química do visitante, descoberto em 1º de julho de 2025 pelo sistema ATLAS no Chile.
A proximidade com Júpiter permitirá dados sobre interações gravitacionais, sem risco de colisão, já que o objeto viajará a mais de 60 km/s.
Descoberta e confirmação inicial
O objeto foi identificado inicialmente em observações de 14 de junho de 2025 pela Zwicky Transient Facility da Caltech, antes da detecção oficial.
Em 2 de julho, telescópios como o Nordic Optical Telescope confirmaram atividade cometária, com coma difusa e alongamento de cauda de 3 segundos de arco.
- Composição rica em cianeto e vapor de níquel detectada pelo VLT em agosto.
- Cor avermelhada da coma sugere poeira similar à de 2I/Borisov.
- Órbita hiperbólica com excentricidade superior a 6 indica origem externa.
A designação 3I reflete sua condição como terceiro interestelar, após ‘Oumuamua e Borisov.

Composição química revela origens distantes
Análises do James Webb Space Telescope em julho de 2025 identificaram altos níveis de dióxido de carbono na coma, com razão CO2 para água de 8:1.
Essa proporção difere de cometas solares típicos e sugere formação em disco protoplanetário rico em carbono.
Vapores de monóxido de carbono foram observados em agosto, confirmando idade estimada em mais de sete bilhões de anos, anterior à do Sistema Solar.
O Telescópio Hubble capturou imagem em 21 de julho mostrando núcleo gelado com casulo de poeira em forma de gota, a 277 milhões de milhas da Terra.
Trajetória hiperbólica e acelerações
O cometa entrou pelo plano eclíptico alinhado a 5 graus, com velocidade de excesso hiperbólico de 60 km/s.
Durante julho, agosto e novembro de 2025, exibiu jato solar (anti-cauda) não ilusório, estendendo-se por mais de um milhão de quilômetros.
Em outubro, perto do periélio em 29 de outubro a 1,4 UA do Sol, registrou aceleração não gravitacional de 5×10^{-7} UA/dia².
Essa mudança ajustou a rota para a precisão atual em Júpiter, conforme dados do JPL Horizons.
Observações de sondas espaciais
A sonda Juice da ESA passou a 64 milhões de quilômetros em 4 de novembro de 2025, coletando dados em UV, infravermelho e rádio.
Em 3 de outubro, aproximou-se de Marte a 29 milhões de quilômetros, imersa na cauda iônica observada pela Hera.
A missão Lucy capturou imagem retroiluminada, mostrando estrutura de poeira, enquanto o Mars Reconnaissance Orbiter registrou extensão luminosa à frente.
- MAVEN detectou átomos de hidrogênio em 28 de setembro, de três fontes: cometa, Marte e meio interplanetário.
- SOHO observou brilho tênue entre 15 e 16 de outubro.
- Juno posicionará sensores para março de 2026.
Avi Loeb destaca irregularidades
O astrofísico de Harvard lista 13 anomalias, incluindo polarização negativa extrema e direção coincidente com o sinal Wow! a 9 graus.
A rotação de 16,16 horas não borra os jatos colimados, observados em 9 de novembro por telescópios belgas.
Loeb classifica o objeto como raro, com probabilidade combinada baixa para eventos naturais, elevando-o na escala Loeb para 4.
Ele sugere possível sonda para semear Júpiter, mas aguarda dados de dezembro para revisão.
Encontro com Júpiter em detalhes
Em 16 de março de 2026, a 53,445 milhões de km, o cometa cruzará o limite do raio de Hill de 53,502 milhões de km.
Simulações indicam que a gravidade de Júpiter alterará a trajetória final, ejetando-o para a constelação de Gêmeos.
A sonda Juno observará de 9 a 22 de março, potencialmente detectando novos objetos orbitais.
Essa interação testará modelos de dinâmica orbital para objetos interestelares.
A composição níquel-rica e ferro-pobre reforça hipóteses de formação em sistema distante.
Proximidade com a Terra em dezembro
Em 19 de dezembro de 2025, o 3I/ATLAS atingirá 270 milhões de quilômetros da Terra, visível em Virgem e Leão com magnitude 12.
Astrônomos amadores poderão rastreá-lo com telescópios médios, enquanto profissionais usam o Hubble para espectroscopia.
Não há ameaça, mas a passagem oferece último vislumbre antes da saída do Sistema Solar.
Dados de rádio confirmam sublimação de gelo frio da Via Láctea, preservando registro químico antigo.
Monitoramento contínuo e perspectivas
A NASA mobilizou 20 missões para imagens, incluindo Europa Clipper, que cruzará a cauda em 2026.
Observações em dezembro focarão emissões gasosas e poeira, aprimorando compreensão de formação planetária.
O objeto, com diâmetro estimado em até 11 km por agências australianas, desafia modelos de tamanho para interestelares.
Pesquisas indianas simularam 500 cenários orbitais, confirmando entrada de Sagitário e saída para Gêmeos.