A Great Wall Motors (GWM) anunciou um avanço significativo em sua estratégia de eletrificação no mercado, confirmando a introdução de sistemas híbridos flexíveis para os aclamados SUVs Haval H6 e Tank 300. Este movimento estratégico, revelado durante o Summit Futuro da Mobilidade em São Paulo, visa consolidar a presença da montadora no crescente segmento de veículos eletrificados bicombustíveis no país. Os aguardados lançamentos estão programados para o primeiro semestre de 2026, alinhados à meta de produção local que teve início em agosto de 2025 na moderna fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo. A iniciativa posiciona a GWM para competir diretamente com líderes de mercado, como a Toyota, que atualmente domina o setor de híbridos flex, buscando equiparar e até superar a oferta tecnológica existente. A empresa demonstra um compromisso firme com a inovação e a sustentabilidade, adaptando sua frota às necessidades e à infraestrutura energética do país.
A colaboração estratégica com a Bosch desempenha um papel fundamental nesse processo, acelerando o desenvolvimento de tecnologias que permitem a adaptação eficiente de motores a gasolina para o uso de etanol, sem qualquer comprometimento do desempenho. Esta parceria técnica é crucial para garantir que os novos modelos atendam às expectativas de consumidores, que buscam veículos com maior autonomia e menor impacto ambiental.
A expectativa é que o Haval H6, principal modelo da marca, seja o primeiro a receber a atualização flex em todas as suas variantes híbridas, enquanto o robusto Tank 300, ainda importado, integrará o sistema flex ao seu motor 2.0 turbo. As especificações técnicas divulgadas para esses veículos são notáveis:
Colaboração técnica e os avanços em Iracemápolis
A parceria entre GWM e Bosch foca na adaptação de componentes para biocombustíveis, garantindo compatibilidade com o etanol. Esta iniciativa promete reduzir em até 20% as emissões de carbono em comparação com a gasolina pura, contribuindo para uma mobilidade mais limpa. Engenheiros têm testado protótipos intensivamente desde o início de 2025, priorizando a durabilidade e o desempenho em diversas condições climáticas e de uso.
Os resultados preliminares dos testes de campo indicam uma eficiência energética contínua para os veículos, com o Haval H6 registrando um consumo médio impressionante de 18 km/l no ciclo misto. A tecnologia será lançada de forma madura, evitando falhas iniciais comuns em adaptações complexas e assegurando a confiança dos consumidores desde o primeiro dia.
Haval H6: Inovação flexível e foco na produção nacional
O Haval H6 tem sido importado em módulos desde agosto de 2025 para montagem local, elevando a taxa de nacionalização para 35%, com uma meta ambiciosa de 60% até 2026. Seu motor 1.5 turbo flex será integrado ao sistema híbrido elétrico (HEV) com bateria de 1,6 kWh, otimizando o consumo e a performance.
Na versão híbrida plug-in (PHEV), a bateria de 19 kWh permite carregamento externo e entrega uma potência combinada de 326 HP, enquanto a versão GT alcança 393 HP, equipada com câmbio automatizado de duas marchas. Testes de desempenho confirmam uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos, destacando a esportividade do modelo.
As atualizações visuais incluem lanternas traseiras escurecidas e um acabamento interno em aço escovado, conferindo um toque de sofisticação e modernidade. Os preços iniciais para o Haval H6 HEV One, limitado a 2 mil unidades, começam em R$ 199 mil, tornando a tecnologia híbrida mais acessível.
A produção na unidade de Iracemápolis prioriza o H6 como veículo-chefe, com uma capacidade inicial de 5 mil unidades por mês, e planos de expansão para outros modelos em fases subsequentes. Essa estratégia visa atender à crescente demanda por veículos eletrificados com agilidade e eficiência.
Tank 300: Robustez off-road com tecnologia bicombustível
O Tank 300 mantém seu foco na robustez e capacidade off-road, com tração 4×4 sob demanda, agora aprimorada com o motor 2.0 turbo flex. Aliado ao sistema PHEV, o conjunto entrega 394 HP e 76,4 kgfm de torque, garantindo desempenho superior em terrenos variados. O câmbio de nove velocidades contribui para a versatilidade e controle.
Importado da China, o modelo apresenta 4,76 metros de comprimento e um porta-malas espaçoso de 863 litros, ideal para aventuras ou uso familiar. Sua autonomia elétrica atinge 75 km, proporcionando uma excelente opção para deslocamentos urbanos diários sem emissões.
As versões iniciais do Tank 300 têm um custo aproximado de R$ 350 mil, posicionando-o em um segmento premium acima do Haval H6 GT. A GWM planeja edições especiais para a estreia da versão flexível, que já registra 18,4 km/l na cidade, superando rivais a diesel em eficiência. Ajustes na suspensão adaptam o veículo ao etanol sem comprometer a dirigibilidade.
Expansão de vendas e aceitação no mercado nacional
A GWM tem demonstrado um forte desempenho de vendas, registrando 800 unidades vendidas do caminhão Poer P30 em apenas três meses, um indicativo da aceitação da marca em novos segmentos. Além disso, o Haval H9, um SUV a diesel, acumulou 2.000 pedidos em menos de três semanas, superando as projeções internas em 40%.
Diego Fernandes, COO da GWM, enfatiza a rápida aceitação dos veículos da marca no segmento premium, um reflexo da qualidade e inovação oferecidas. As entregas continuam até novembro de 2025, com o estoque expandido na fábrica de Iracemápolis para atender à demanda.
O sucesso se reflete na liderança da marca em híbridos, conquistando 15% de participação no mercado de SUVs médios, um feito notável em pouco tempo. A GWM está em negociações com 100 fornecedores locais para componentes, visando fortalecer a cadeia de produção nacional. A expansão inclui cinco lançamentos previstos para 2026, entre eles o elétrico Ora.
Nacionalização e investimentos impulsionam futuro da GWM
A fábrica de Iracemápolis adota um modelo de importação integral de peças, que são montadas localmente desde agosto de 2025, para maior agilidade no processo produtivo. Essa abordagem estratégica evita a dependência dos kits CKD, mais comuns nas fases iniciais de produção, e otimiza a logística.
A alíquota nacional de 35% será gradualmente aumentada por meio de parcerias locais, especialmente na produção de baterias e componentes eletrônicos. A meta de nacionalização de 60% até 2027 visa reduzir os custos de produção em 15%, tornando os veículos ainda mais competitivos.
Os investimentos totais da GWM no país somam R$ 2,5 bilhões, gerando 500 empregos diretos e impulsionando a economia regional. A empresa planeja expandir suas operações, com exportações para a América Latina previstas para 2027. Desafios logísticos, como a distribuição de peças, estão sendo solucionados com a implementação de armazéns regionais, e a pré-produção atinge 1.000 unidades do H6 por mês.
O futuro da GWM e a mobilidade eletrificada
A GWM demonstra um compromisso robusto com a transição energética e a eletrificação veicular, alinhando-se às tendências globais de sustentabilidade e eficiência. A aposta em tecnologias híbridas flexíveis representa um caminho estratégico para atender às particularidades do mercado, oferecendo soluções inovadoras e adaptadas à infraestrutura energética disponível. O futuro da mobilidade no país se desenha com mais opções eletrificadas, impulsionadas pela chegada de novas tecnologias e investimentos significativos.
