São Paulo registrou 1.486 quilômetros de congestionamento às 19h desta terça-feira (9), maior índice do ano. A marca supera os 1.335 km registrados em 8 de agosto e resulta da combinação entre greve surpresa de motoristas e cobradores de ônibus e chuva forte no horário de pico. A paralisação começou às 16h por falta de pagamento do 13º salário e vale-refeição.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) confirmou o pico às 19h em todas as regiões da cidade. A suspensão do rodízio municipal de veículos, anunciada pela prefeitura, não conseguiu evitar o colapso viário. Milhares de passageiros ficaram sem transporte coletivo em pontos de grande movimento.
Paralisação sem aviso prévio
Motoristas e cobradores decidiram cruzar os braços após assembleia realizada no início da tarde. O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) alega descumprimento de acordo coletivo.
As empresas concessionárias não efetuaram o pagamento do 13º salário nem do vale-refeição referente às férias, conforme previsto na campanha salarial anterior. A categoria considera a medida imediata necessária para pressionar o cumprimento das obrigações.
Reação da prefeitura
A gestão municipal registrou boletim de ocorrência contra as operadoras que aderiram à greve. O documento classifica a paralisação como ilegal por falta de comunicação prévia exigida pela legislação trabalhista.
A responsabilidade pelo pagamento dos direitos trabalhistas recai exclusivamente sobre as empresas concessionárias, segundo nota oficial da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito. A prefeitura mantém fiscalização permanente sobre os contratos de concessão.
Reunião emergencial no Palácio do Anhangabaú
O prefeito Ricardo Nunes convocou reunião na noite desta terça-feira com representantes das viações e do sindicato. O encontro ocorre na sede da prefeitura para buscar solução imediata ao impasse.
Participam do diálogo dirigentes das empresas do sistema estrutural e de distribuição. A expectativa é definir cronograma para regularização dos pagamentos e retorno gradual das linhas.
Impacto nas principais vias
A lentidão afetou corredores importantes da capital paulista durante todo o período vespertino.
- Marginal Tietê apresentou 85 km de filas em ambos os sentidos
- Avenida Paulista registrou pontos de parada total entre 17h e 20h
- Corredor Norte-Sul acumulou mais de 60 km de congestionamento
- Rodovia dos Bandeirantes teve reflexo com 45 km de filas na chegada à cidade
Comparativo histórico
O índice de 1.486 km fica abaixo do recorde absoluto da série histórica da CET. Em setembro de 2019 a cidade alcançou 1.902 km em dia útil com condições semelhantes de chuva e problemas no transporte público.
Este ano o maior registro anterior ocorria em agosto com 1.335 km. A marca desta terça-feira representa aumento de 11% em relação ao pico anterior de 2025.
Medidas adotadas pela CET
Técnicos da companhia reforçaram o monitoramento em tempo real nas principais vias. Agentes de trânsito atuaram em 180 pontos críticos para minimizar os reflexos da ausência de ônibus.
A prefeitura orientou motoristas a priorizarem vias alternativas e horários fora do pico. O aplicativo do SPTrans registrou aumento de 320% nas consultas de itinerário durante a tarde.
Perspectiva para quarta-feira
As negociações continuam até o início da madrugada desta quarta-feira (10). A volta parcial das linhas depende do acordo firmado na reunião com o prefeito.
Caso não haja entendimento, a categoria ameaça manter a paralisação. A prefeitura já prepara plano de contingência com frota reserva e reforço no metrô.