Ciência

Pesquisador explica por que pessoas acreditam em Terra plana e conspirações sem provas

Planeta Terra
Planeta Terra - ESA/NASA

O pesquisador Eli Elster, da Universidade da Califórnia, publicou revisão científica que aponta a experiência pessoal como fator central para a adesão a crenças extraordinárias. O estudo, divulgado na revista Trends in Cognitive Sciences, defende que teorias como terraplanismo, espíritos e microchips em vacinas seguem o mesmo processo de qualquer convicção comum.

As pessoas interpretam vivências do dia a dia como confirmação de ideias pré-existentes, mesmo quando contrariam evidências científicas consolidadas. O trabalho desafia visões tradicionais que atribuem essas crenças apenas a vieses cognitivos ou pressão social.

  • Exemplos citados incluem o caso de Mad Mike Hughes, que morreu em 2020 ao tentar provar que a Terra é plana com foguete caseiro.
  • Fenômenos como paralisia do sono também servem de base para relatos de presença sobrenatural.
  • Práticas rituais com substâncias psicoativas reforçam convicções sobre ancestrais e espíritos.

Experiência atua como filtro seletivo

A revisão destaca que nem todas as ideias falsas se tornam populares. A crença na Terra plana prevalece sobre outras teorias igualmente incorretas porque a superfície terrestre parece plana aos olhos humanos.

Outras formas geométricas, como cone ou pirâmide, não encontram respaldo na percepção cotidiana. Esse filtro sensorial explica por que certas crenças extraordinárias se disseminam mais que outras.

Vivências estranhas acendem a chama

Eventos difíceis de explicar funcionam como gatilho inicial. A paralisia do sono, comum em diversas populações, gera sensação de presença ameaçadora no quarto.

Muitas pessoas interpretam o episódio como visita de entidades sobrenaturais. Sem conhecimento neurológico, a experiência vira prova concreta da existência desses seres.

Alucinações auditivas seguem caminho semelhante e alimentam convicções sobre vozes espirituais.

Planeta Terra
Planeta Terra – BEST-BACKGROUNDS/Shutterstock.com

Práticas imersivas reforçam convicções

Rituals e uso de substâncias alucinógenas criam evidências sensoriais diretas. Em comunidades tradicionais, participantes relatam contato visual e auditivo com ancestrais durante cerimônias.

Essas vivências fortalecem a crença na continuidade espiritual após a morte. A experiência gerada pelo próprio ritual torna a ideia mais palpável que explicações científicas.

Terra plana resiste por percepção visual

A aparência plana do horizonte favorece o terraplanismo desde a antiguidade. Fotos e vídeos da curvatura terrestre são rejeitados como manipulação digital por muitos adeptos.

O caso de Mad Mike Hughes ilustra a força dessa convicção. O norte-americano morreu em fevereiro de 2020 durante lançamento de foguete caseiro no deserto de Mojave, nos Estados Unidos.

Abordagem tradicional ignora papel da vivência

Estudos anteriores priorizavam vieses cognitivos e influência social. A tendência humana de atribuir intenção a eventos aleatórios explica parte das crenças em divindades.

A busca por pertencimento comunitário também pesa na adesão a grupos conspiracionistas. No entanto, essas explicações deixam lacunas que a nova revisão pretende preencher ao incluir a experiência direta como elemento central.

Aplicação prática da nova perspectiva

Compreender o mecanismo abre caminho para estratégias mais eficazes contra desinformação. Campanhas baseadas apenas em fatos científicos falham quando ignoram as vivências que sustentam as crenças.

A abordagem sugere maior empatia no diálogo com portadores de convicções diferentes. Eles não rejeitam evidências por má-fé, mas porque interpretam suas experiências como prova contrária.

A revisão conclui que crenças extraordinárias seguem o mesmo caminho cognitivo de qualquer outra convicção humana, o que exige repensar formas de comunicação científica e combate à desinformação em temas sensíveis como vacinas e mudanças climáticas.

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