Ao vivo: Foguete Hanbit-Nano decola de Alcântara em primeiro lançamento orbital comercial do Brasil

O Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, sedia nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, o lançamento do foguete Hanbit-Nano, desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace. A missão, conhecida como Operação Spaceward, representa o primeiro lançamento orbital comercial realizado em território brasileiro. O voo está previsto para ocorrer a partir das 15h34, horário local, com janela estendida até 22 de dezembro caso necessário.
A operação mobiliza cerca de 400 profissionais brasileiros, entre militares e civis, além de 60 integrantes da equipe sul-coreana. O foguete transportará oito cargas úteis, incluindo cinco pequenos satélites e três experimentos tecnológicos de clientes do Brasil, Índia e Coreia do Sul. Se bem-sucedido, o lançamento colocará o Brasil no mercado global de serviços espaciais comerciais.
Após adiamentos anteriores devido a ajustes técnicos e uma anomalia detectada no sistema de resfriamento, as equipes concluíram as verificações finais. A Força Aérea Brasileira coordena as atividades, garantindo a segurança e a precisão da missão.
Características do foguete Hanbit-Nano
O Hanbit-Nano mede 21,8 metros de altura e pesa aproximadamente 20 toneladas. Ele utiliza propulsão híbrida em dois estágios, capaz de atingir órbita baixa da Terra em poucos minutos.
O veículo foi projetado para colocar até 90 quilos de carga útil em altitudes entre 300 e 500 quilômetros. Sua estrutura leve incorpora materiais compostos avançados para maior eficiência.
- Propulsão híbrida combina combustível sólido e oxidante líquido.
- Velocidade máxima próxima a 30 mil km/h.
- Carenagem otimizada para redução de peso e resistência térmica.
Cargas úteis da missão
A missão transporta cargas de três países, com ênfase em projetos brasileiros. Dois satélites vêm da Universidade Federal do Maranhão: o Jussara-K e o PionBR-2, também chamado Cientistas de Alcântara.
Outras cargas incluem experimentos da Agência Espacial Brasileira em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina e consórcios empresariais. Um sistema de navegação inercial e receptores GNSS completam as contribuições nacionais.
- Satélite da empresa indiana Grahaa Space.
- Carga simbólica da marca sul-coreana Brewguru.
- Experimentos tecnológicos permanecem acoplados ao foguete.
Essas cargas passaram por testes de integração e vibração no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Preparativos e coordenação operacional
As atividades preparatórias iniciaram em novembro, com ensaios gerais na plataforma de lançamento. Equipes realizaram simulações completas, incluindo deslocamento do foguete e verificações de sequência.
A coordenação envolve o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da Força Aérea Brasileira. Profissionais monitoram sistemas em tempo real durante a contagem regressiva, que dura cerca de nove horas.
A operação segue protocolos rigorosos de segurança, com redundância em estações críticas. Condições meteorológicas e inspeções finais determinam o momento exato do lançamento.
Vantagens geográficas de Alcântara
A localização do Centro de Lançamento de Alcântara, próxima à linha do Equador, oferece economia de até 20% em combustível para missões orbitais. Essa posição reduz a energia necessária para ajustes de inclinação.
A base conta com infraestrutura dedicada, incluindo plataforma exclusiva para a Innospace. Sua proximidade com o oceano Atlântico minimiza riscos em trajetórias de voo.
O local atrai parcerias internacionais desde edital lançado pela Agência Espacial Brasileira em 2020. O contrato com a Innospace foi assinado em 2022, estabelecendo modelo de retribuição ao Estado.
Parcerias institucionais envolvidas
A missão resulta de colaboração entre a Força Aérea Brasileira, Agência Espacial Brasileira e Innospace. Universidades federais contribuem com desenvolvimento de satélites educacionais e tecnológicos.
Empresas nacionais participam de consórcios para sistemas de navegação. A operação testa na prática o modelo de parcerias público-privadas no setor espacial.
- Universidade Federal do Maranhão desenvolve satélites.
- Universidade Federal de Santa Catarina apoia experimentos.
- Consórcio inclui Concert Space, Horuseye Tech e Cron.
Essas instituições realizam testes em laboratórios nacionais, como o de Integração e Testes do INPE.
Histórico de desenvolvimento do Hanbit-Nano
A Innospace iniciou o desenvolvimento do Hanbit-Nano após testes suborbitais bem-sucedidos. Um voo experimental ocorreu em 2023, validando o motor híbrido.
O projeto evoluiu com versões maiores em planejamento, como Hanbit-Micro e Hanbit-Mini. A empresa sul-coreana foca em lançadores de pequeno porte para mercado de nanossatélites.
A seleção para operações em Alcântara ocorreu via chamamento público. Integrações técnicas avançaram ao longo de 2024 e 2025, culminando na missão atual.
O foguete incorpora tecnologias independentes, com cadeia de suprimentos majoritariamente sul-coreana.
A Operação Spaceward consolida décadas de investimentos no programa espacial brasileiro. Alcântara posiciona-se como hub competitivo para lançamentos comerciais internacionais.
Profissionais envolvidos destacam a maturidade técnica alcançada. A missão abre caminhos para futuras operações com veículos nacionais e estrangeiros.
O lançamento poderá ser visível a olho nu em partes do litoral maranhense. Transmissões ao vivo permitem acompanhamento remoto da contagem regressiva e decolagem.
Equipes permanecem em alerta para eventuais ajustes finais. A janela ampliada garante flexibilidade operacional.



