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Por que o motor mais ousado da Honda teve de fracassar?

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Honda - Foto: tomeng/istock

A Honda desenvolveu na década de 1970 um motor inovador com pistões ovais para competir no Campeonato Mundial de Motovelocidade, atual MotoGP. O projeto NR500 buscava superar os motores de dois tempos dominantes com uma solução de quatro tempos. A iniciativa partiu do fundador Soichiro Honda, que rejeitava os motores de dois tempos por considerá-los barulhentos e ineficientes. O motor V4 de 500 cc adotou pistões ovais para permitir oito válvulas por cilindro, totalizando 32 válvulas e oito velas de ignição.

A estreia ocorreu no GP da Grã-Bretanha em 1979. As duas motos inscritas não completaram a corrida e ficaram bem atrás das rivais de dois tempos. As limitações das regras da época restringiam a quatro cilindros e 500 cc, forçando a Honda a buscar rotações extremas. O motor alcançou inicialmente cerca de 100 cv a 16.000 rpm, mas o objetivo era 130 cv a 23.000 rpm para igualar a potência dos concorrentes.

Desafios técnicos do projeto NR500

Os pistões ovais exigiram anéis especiais para vedação perfeita em formato oblongo. A usinagem precisou de tolerâncias mínimas, levando as tecnologias da época ao limite. Cada pistão contava com duas bielas para equilibrar o movimento, aumentando o peso e a massa recíproca. Os pinos longos sofriam flexão sob altas rotações, gerando problemas de durabilidade.

A Honda continuou o desenvolvimento nas temporadas seguintes. Em 1981, o piloto Freddie Spencer obteve o melhor resultado, terminando em quinto no GP da Grã-Bretanha antes de abandonar por falha mecânica. A moto ganhou vitórias em eventos como a corrida de Suzuka de 500 km em 1981 com Kengo Kiyama. Apesar dos avanços, o peso extra do motor complexo impedia competitividade consistente.

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Honda – Foto: chameleonseye/istock

Evolução do motor e transição para dois tempos

As versões modificadas do motor, como a 2X em 1982 e a 3X em 1983, alcançaram 135 cv e 130 cv, respectivamente. Os engenheiros incorporaram metais leves como magnésio e titânio para reduzir peso. A embreagem deslizante surgiu como inovação para controlar torque reverso. A Honda abandonou o projeto NR500 no início de 1982, focando na NS500 de três cilindros e dois tempos, que conquistou o título mundial em 1983.

Inovações que perduraram no motociclismo

O projeto impulsionou tecnologias de usinagem precisa e materiais exóticos. A embreagem deslizante e garfos invertidos tornaram-se comuns em motos modernas. As lições do NR500 influenciaram o desenvolvimento de motores V4 da Honda em competições posteriores.

A versão de rua NR750

Em 1992, a Honda lançou a NR750 como edição limitada para vias públicas. Produzida em cerca de 300 unidades, a moto usava pistões elípticos com lados curvos e atingia 125 cv a 15.000 rpm. O preço elevado, equivalente a cerca de US$ 60.000 na época, destinava-a a colecionadores. Hoje, exemplares raros alcançam valores elevados em leilões.

A NR750 homenageou o projeto de corrida e demonstrou a viabilidade da tecnologia fora das pistas. O design incorporou injeção eletrônica e elementos de alta performance.

Legado da tecnologia de pistões ovais

A ousadia da Honda em desafiar convenções marcou a história do motociclismo. Apesar de não ter vencido campeonatos, o NR500 provou que inovações radicais podem gerar avanços duradouros. A experiência influenciou gerações de engenheiros e contribuiu para o domínio posterior da marca em categorias de quatro tempos.

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