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Estratégia Xiaomi: corte de opções de 1TB em Redmi e POCO pela crise de chips

Xiaomi celular
Xiaomi celular - Only_NewPhoto/Shutterstock.com

A Xiaomi está implementando ajustes estratégicos em suas linhas de smartphones Redmi e POCO, uma resposta direta à escalada dos custos dos componentes de memória que afeta a indústria global em 2025. A empresa chinesa planeja eliminar as opções de 1TB de armazenamento interno em muitos de seus modelos intermediários, concentrando-se em configurações com capacidade máxima de 512GB.

Esta medida, que se estenderá por 2026, visa preservar a competitividade de preço-benefício, característica marcante dessas submarcas. A demanda por chips em setores como inteligência artificial pressiona a oferta e eleva os preços dos componentes essenciais no mercado.

Xiaomi
Xiaomi – Piotr Swat/Shutterstock.com
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O movimento da Xiaomi antecipa um período de adaptação para os consumidores. Eles encontrarão um portfólio mais enxuto em termos de opções de armazenamento nas categorias de médio custo, uma tentativa de mitigar os impactos financeiros e garantir a continuidade da produção em um mercado volátil.

Aumento nos custos de componentes de memória

A indústria de tecnologia enfrenta uma significativa elevação nos custos de chips de memória DRAM e NAND, componentes cruciais para o funcionamento de smartphones e outros eletrônicos. Essa alta de preços, que se acentuou no final de 2024 e se consolida em 2025, impacta diretamente os custos de produção das fabricantes.

Os fornecedores de memória, incluindo gigantes como Samsung, SK Hynix e Micron, direcionaram grande parte de sua capacidade produtiva para atender à crescente demanda por chips de alta performance, especialmente aqueles usados em servidores de inteligência artificial. Isso resultou em uma redução da oferta disponível para o segmento de dispositivos móveis, gerando escassez e consequente aumento nos valores.

Demanda por inteligência artificial e escassez

A febre da inteligência artificial generativa tem sido o principal motor por trás da atual crise de chips de memória. A alta demanda por memórias de largura de banda elevada (HBM), fundamentais para o treinamento de modelos de IA, desviou significativamente a capacidade fabril dos principais fabricantes.

Empresas como Samsung e SK Hynix registraram lucros recordes em 2025, impulsionados por este novo mercado de alto valor. No entanto, essa priorização resultou em uma oferta limitada de chips DRAM e NAND para outros setores, incluindo o de smartphones, que tradicionalmente consomem grandes volumes desses componentes.

Relatórios de consultorias especializadas, como a TrendForce, indicam que a tendência de alta nos preços dos componentes de memória deverá persistir ao longo do primeiro trimestre de 2026. Contratos de fornecimento já registraram aumentos que, em alguns casos, superaram 100% no final de 2025, evidenciando a gravidade da situação.

Ajustes no catálogo da Xiaomi

A Xiaomi concentra seus primeiros ajustes estratégicos nas submarcas Redmi e POCO, que são amplamente reconhecidas por oferecerem configurações robustas de armazenamento a preços competitivos. A decisão de limitar as opções de 1TB nestas linhas é um reflexo direto da pressão dos custos dos componentes.

A partir dos lançamentos previstos para 2025 e 2026, espera-se que muitos modelos intermediários dessas marcas tenham seu armazenamento máximo limitado a 512GB. As variantes de 1TB deverão ser reservadas exclusivamente para os flagships premium da marca principal Xiaomi, mantendo-as como um diferencial.

Outra medida em avaliação é o possível retorno de configurações com 4GB de RAM em celulares de entrada. Essa ação visa conter os custos de produção em um segmento onde a sensibilidade ao preço é ainda maior, buscando manter a acessibilidade para o consumidor.

A empresa já começou a implementar reajustes em outros produtos, como tablets. Foram aplicados aumentos de 100 a 300 yuans, o que corresponde a ajustes moderados em moeda local, sinalizando a dificuldade em absorver integralmente a alta dos componentes sem repassar parte dos custos.

Medidas adicionais para otimização de custos

Além dos ajustes nas configurações de armazenamento, a Xiaomi está explorando outras frentes para mitigar o impacto da crise de chips. Executivos da companhia já sinalizaram a possibilidade de remover os carregadores da caixa em algumas de suas linhas de smartphones mais básicas e intermediárias, uma estratégia que já foi adotada por outras grandes fabricantes no mercado. Essa medida, embora possa gerar descontentamento, representa uma economia significativa nos custos de produção e logística, ajudando a compensar a alta nos preços dos componentes sem um repasse integral ao consumidor final.

A otimização de software também se mostra uma ferramenta crucial neste cenário. A Xiaomi tem investido no aprimoramento de seu sistema operacional, o HyperOS, para garantir um gerenciamento mais eficiente dos recursos de hardware limitados. Isso inclui melhorias na performance com menos RAM e otimização do espaço de armazenamento, buscando oferecer uma experiência fluida mesmo com especificações mais conservadoras. Reajustes escalonados nos preços de smartphones, especialmente nos modelos que serão lançados ao longo de 2026, são considerados inevitáveis para manter a sustentabilidade do negócio.

Cenário global e impacto em outras marcas

A pressão sobre a Xiaomi não é um caso isolado; o mercado global de smartphones e outros eletrônicos enfrenta desafios semelhantes, com diversas marcas já sentindo os efeitos da escassez e do aumento dos preços dos chips de memória. Relatos da indústria indicam que outras fabricantes também estão considerando ou já implementaram reduções nas especificações de RAM e armazenamento em seus dispositivos de entrada e intermediários, buscando manter a competitividade de custo. A consultoria TrendForce, por exemplo, revisou para baixo suas projeções de produção global de smartphones e notebooks para o próximo ano, refletindo a incerteza no fornecimento de componentes. Marcas chinesas concorrentes, como Realme e Oppo, já sinalizam a possibilidade de aumentos de preços que podem variar de 20% a 30% em alguns de seus modelos, o que indica que os consumidores deverão se preparar para um cenário de valores mais elevados em 2025 e 2026, independentemente da fabricante, à medida que a indústria busca equilibrar a oferta limitada com a demanda de mercado.

Adaptações e expectativas do consumidor

A Xiaomi avalia um enxugamento geral de seu portfólio de produtos, focando em configurações que sejam mais viáveis economicamente e que possam ser produzidas em maior volume. Essa estratégia visa simplificar a cadeia de suprimentos e otimizar a alocação de componentes escassos.

Outra possibilidade em estudo é o retorno da compatibilidade com cartões microSD em certos aparelhos, uma solução para que os consumidores possam expandir o armazenamento a um custo mais acessível. A empresa monitora de perto a evolução dos preços de NAND, que acumularam altas superiores a 200% em alguns contratos.

Persistência da crise de componentes

A prioridade da Xiaomi e de outras fabricantes permanece em manter a acessibilidade para os consumidores em segmentos populares, mesmo diante de um cenário de suprimentos restritos. A crise de chips, impulsionada pela demanda de IA, deve persistir até meados de 2026, exigindo adaptação contínua da indústria para equilibrar especificações e preços.

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