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Bolsonaro passa por oitava cirurgia para hérnia inguinal bilateral em Brasília

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro - Foto: Instagram

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido nesta quinta-feira (25 de dezembro) a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral no Hospital DF Star, em Brasília (horário local). O procedimento, que durou cerca de quatro horas, transcorreu sem intercorrências, conforme informou a equipe médica. Bolsonaro permanece internado em quarto sob cuidados pós-operatórios, com previsão de alta hospitalar em aproximadamente uma semana. Esta é a oitava cirurgia à qual o ex-presidente é submetido desde o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018 em Juiz de Fora (MG). A intervenção foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo em que Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

A hérnia inguinal bilateral ocorre quando partes do intestino ou tecido gorduroso escapam por fraquezas na parede abdominal na região da virilha. No caso de Bolsonaro, laudo pericial da Polícia Federal identificou protrusão mais evidente no lado direito, com saliência de alça intestinal, e estágio inicial no lado esquerdo, com saliência de gordura pré-peritoneal. A cirurgia adotou técnica aberta com colocação de tela sintética para reforço da musculatura. Especialistas explicam que hérnias inguinais não corrigidas tendem a progredir e podem causar complicações graves, como estrangulamento de órgãos. O procedimento também visou prevenir piora do quadro clínico.

Durante a internação, a equipe médica avalia a realização de bloqueio anestésico do nervo frênico para tratar as crises persistentes de soluço que o ex-presidente relata há meses. Essas crises interferem na alimentação, no sono e na qualidade de vida. O bloqueio é um tratamento reconhecido para soluços refratários e será decidido com base na evolução do paciente nos próximos dias.

Detalhes da cirurgia realizada

A operação começou por volta das 9h e terminou no início da tarde. A técnica utilizada seguiu padrão para hérnias bilaterais, com incisão na região inguinal de ambos os lados. A tela de polipropileno foi implantada para fortalecer a parede abdominal e reduzir chances de recidiva. Médicos destacaram que o lado esquerdo, menos avançado, foi tratado simultaneamente para evitar nova cirurgia futura.

A recuperação imediata inclui analgesia controlada, fisioterapia motora precoce e medidas preventivas contra trombose venosa profunda. O quadro clínico inicial é considerado estável e dentro do esperado.

Story de Michelle Bolsonaro a respeito da cirurgia de Jair Bolsonaro
Story de Michelle Bolsonaro a respeito da cirurgia de Jair Bolsonaro – @michellebolsonaro

Medidas de segurança adotadas

A transferência de Bolsonaro da carceragem para o hospital ocorreu na véspera da cirurgia, com escolta reforçada da Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou protocolo rígido: entrada pela garagem do hospital, vigilância permanente no quarto, proibição de celulares, tablets e computadores não médicos, além de revista em todos os visitantes.

Inicialmente, apenas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teve autorização para visitas. Posteriormente, Moraes ampliou a permissão para incluir os filhos do ex-presidente.

Repercussão política da internação

A cirurgia coincidiu com movimentações intensas no campo da direita. Flávio Bolsonaro leu, em frente ao hospital, uma carta atribuída ao pai na qual o ex-presidente confirma a indicação do filho como pré-candidato à Presidência da República em 2026. O texto menciona o preço pago com saúde e família pela defesa de convicções e reforça o compromisso com a vontade popular.

O anúncio gerou reações mistas entre aliados. Alguns criticam a forma como a pré-candidatura foi comunicada, enquanto outros aguardam posicionamentos de figuras como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A família utilizou redes sociais para divulgar mensagens de apoio e pedidos de orações.

Histórico de procedimentos cirúrgicos

Desde o atentado de 2018, Bolsonaro passou por sete cirurgias abdominais anteriores. As intervenções iniciais trataram lesões intestinais graves, retirada de colostomia e correção de aderências. Procedimentos posteriores abordaram obstruções e complicações relacionadas. A atual cirurgia é considerada menos complexa que a realizada neste ano, que durou 12 horas.

A equipe multidisciplinar acompanha permanentemente o ex-presidente. As crises de soluço continuam como principal queixa, mas sem ligação direta com a hérnia corrigida.

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