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Quem é Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela no centro da sucessão após ataque dos EUA e prisão de Maduro

Delcy Rodríguez
Delcy Rodríguez - lev radin/shutterstock.com

Delcy Eloína Rodríguez Gómez, vice-presidente executiva da Venezuela, tornou-se a principal figura do governo após a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas em operação anunciada pelo presidente Donald Trump neste sábado, 3 de janeiro. A ação militar, descrita como de grande escala, atingiu alvos em Caracas e regiões próximas, com explosões relatadas na capital venezuelana durante a madrugada. Rodríguez, em pronunciamento pela televisão estatal, informou que o paradeiro do presidente e da primeira-dama é desconhecido e exigiu provas imediatas de vida do casal.

A Constituição venezuelana prevê que, em caso de ausência definitiva do presidente, a vice-presidente assuma interinamente o comando do país. Rodríguez acumula o cargo de vice desde junho de 2018 e também responde pela pasta do Petróleo, posição que ocupou a partir de 2024. Sua trajetória no poder remonta ao governo de Hugo Chávez, com entrada em funções públicas em 2003.

O governo venezuelano ativou planos de defesa nacional e declarou estado de comoção externa em resposta à operação militar dos Estados Unidos.

Origens familiares e formação acadêmica

Delcy Rodríguez nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969. Ela é filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, partido de orientação marxista que morreu em 1976 durante custódia policial. Sua mãe se chama Delcy Gómez, e ela mantém laços próximos com o irmão Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional e ex-vice-presidente.

Formada em direito do trabalho pela Universidade Central da Venezuela, Rodríguez afirma ter realizado pós-graduações em Paris e Londres. Ela atuou como professora universitária e presidiu uma associação de advogados trabalhistas antes de ingressar na administração pública.

Na vida pessoal, não possui casamento registrado nem filhos. Relacionamentos conhecidos incluem o com o ator Fernando Carrillo, até 2007, e mais recentemente com Yussef Abou Nassif Smaili, que a acompanhou em viagens oficiais.

Início da carreira política no governo Chávez

A entrada de Rodríguez na política ocorreu em 2003, durante o governo de Hugo Chávez. Ela ocupou cargos técnicos na Vice-Presidência e no Ministério de Energia e Minas. Em 2005, atuou como vice-ministra para Assuntos Europeus, e no ano seguinte tornou-se ministra de Assuntos Presidenciais.

Essas funções iniciais permitiram que ela ganhasse experiência em coordenação governamental e relações internacionais. A partir daí, sua ascensão no núcleo chavista acelerou, com participação em áreas sensíveis da administração.

Rodríguez integrou a direção nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), principal força política do chavismo. Ela também liderou brevemente o movimento Somos Venezuela, criado em 2018 como braço político-social do governo.

Principais cargos ocupados na era Maduro

Com a chegada de Nicolás Maduro ao poder em 2013, Rodríguez assumiu papéis de maior visibilidade. Entre 2013 e 2014, comandou o Ministério da Comunicação e Informação. De 2014 a 2017, exerceu a chancelería como ministra das Relações Exteriores, sendo a primeira mulher no posto.

Em 2017, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, órgão criado pelo governo e contestado pela oposição. Desde 2018, ocupa a vice-presidência executiva, cargo disputado politicamente entre 2019 e 2023.

Mais recentemente, entre 2024 e 2025, respondeu pela Ministério do Petróleo e da Economia. Sua gestão nessas áreas coincidiu com esforços para contornar sanções internacionais e manter a produção energética.

  • Ministra da Comunicação e Informação (2013-2014)
  • Ministra das Relações Exteriores (2014-2017)
  • Presidente da Assembleia Nacional Constituinte (2017-2018)
  • Vice-presidente executiva (desde 2018)
  • Ministra do Petróleo (2024-2025)

Perfil combativo e discurso contra pressões externas

Rodríguez consolidou imagem de defensora intransigente do chavismo em momentos de tensão. Ela manteve presença constante em crises institucionais e diplomáticas. Seu discurso frequentemente critica intervenções estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos.

Nos meses anteriores à operação militar de janeiro de 2026, intensificou condenações a ações norte-americanas. Em dezembro de 2025, classificou apreensões de navios petroleiros como roubo e prometeu recorrer a instâncias internacionais como a ONU.

Ela também repudiou a renovação de sanções contra empresas como a Chevron e a venda forçada da Citgo, subsidiária da estatal PDVSA nos EUA. Afirmou que tais medidas reduziram drasticamente a renda nacional venezuelana.

Sanções internacionais aplicadas desde 2018

Desde 2018, Rodríguez enfrenta restrições impostas por vários países e blocos. Os Estados Unidos aplicaram sanções por acusações de corrupção e violações humanitárias. A União Europeia seguiu com medidas por considerar que suas ações minaram a democracia no país.

Canadá, México e Suíça também adotaram congelamento de ativos e proibições de entrada. Essas restrições limitam viagens e transações financeiras internacionais dela.

As sanções refletem críticas internacionais ao papel de figuras chavistas em processos políticos contestados. Rodríguez respondeu mantendo posição firme contra o que classifica como ingerência externa.

Papel atual na crise institucional venezuelana

A captura de Maduro elevou Rodríguez ao centro da resposta governamental. Ela coordenou a comunicação oficial inicial e ativou mecanismos constitucionais para continuidade do poder executivo. O governo mobilizou forças armadas para garantir soberania territorial.

Analistas destacam sua experiência em diplomacia e economia como fatores para gerenciar a transição interina. Sua proximidade com o núcleo chavista, incluindo o irmão Jorge Rodríguez, reforça coordenação interna.

A crise envolve ativación de protocolos de defesa e apelos a organismos internacionais. Rodríguez representa a continuidade do projeto bolivariano em meio à incerteza sobre o destino de Maduro.

Posição em temas econômicos e energéticos

Como ministra do Petróleo até recentemente, Rodríguez defendeu estratégias para superar bloqueios econômicos. Ela enfatizou produção nacional e parcerias alternativas para manter exportações. O setor petrolífero permanece pivotal para a economia venezuelana apesar de sanções.

Em discursos recentes, destacou crescimento apesar de restrições externas. Afirmou que o país avançava em modelos produtivos próprios, com foco em comunas e circuitos internos.

Sua gestão buscou diversificar relações comerciais, incluindo acordos com aliados regionais e extracontinentais. Esses esforços visavam mitigar impactos de medidas unilaterais impostas por Washington.

Relações familiares no núcleo do poder

O irmão de Rodríguez, Jorge Rodríguez, ocupa a presidência da Assembleia Nacional desde 2021. Ele atuou como articulador político em negociações internas e externas. A dupla familiar representa influência significativa no chavismo atual.

Jorge também exerceu cargos como ministro da Comunicação e prefeito de Caracas. Sua atuação complementa a de Delcy em áreas legislativas e eleitorais.

A família Rodríguez mantém tradição de engajamento político desde a geração anterior. Essa herança influencia sua postura ideológica e compromisso com o socialismo bolivariano.

Perspectivas para o governo venezuelano

Com a ausência de Maduro, Rodríguez coordena ações para preservar instituições chavistas. O governo ativou decretos de emergência e mobilização nacional. Forças armadas receberam ordens para proteger instalações estratégicas.

Diplomacia venezuelana busca apoio em fóruns multilaterais contra a operação norte-americana. Países aliados condenaram a ação e defenderam soberania do país.

A vice-presidente emerge como referência para continuidade administrativa e política no período interino.

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