Uma nova e inusitada versão picape do Duster foi apresentada no mercado europeu, resultado de uma colaboração especializada com a fabricante romena Romturingia. O modelo, baseado na mais recente geração do SUV da Dacia, subsidiária da Renault, se destaca por manter a estrutura original do veículo, incluindo o entre-eixos, o que resulta em um visual único e uma proposta focada em nichos de mercado específicos. A transformação não é um projeto oficial da montadora, mas sim uma conversão customizada, atendendo a uma demanda particular do continente.
Equipada com motorizações híbridas e tração 4×4, a picape foi projetada para atender principalmente empresas e profissionais autônomos que necessitam de um veículo versátil para o transporte de cargas leves. A capacidade da caçamba é limitada, mas a funcionalidade e a tecnologia embarcada a posicionam como uma solução prática e eficiente para as necessidades do mercado europeu, combinando a agilidade de um SUV com a utilidade de uma pequena picape.
Enquanto esta novidade movimenta a Europa, a Renault prepara uma ofensiva diferente para o Brasil. A montadora planeja lançar a picape Niagara a partir de 2026, um projeto desenvolvido para competir em um segmento superior e com maiores volumes, fortalecendo a estratégia da marca para o mercado sul-americano com um produto mais robusto e alinhado às preferências locais, como a Fiat Toro e a Chevrolet Montana.

Uma conversão focada na funcionalidade
A transformação do Duster em uma picape é uma especialidade da Romturingia, que já realizou adaptações em gerações anteriores do SUV. Esta, no entanto, é a primeira vez que o novo modelo de plataforma é convertido, caracterizando-se por uma abordagem pragmática. A decisão de não alongar o chassi ou o entre-eixos simplifica o processo de produção e contém os custos, alinhando-se à filosofia de custo-benefício da marca Dacia. Essa escolha, contudo, impacta diretamente as dimensões da caçamba, que se torna mais compacta em comparação com picapes tradicionais.
O foco do projeto é oferecer uma ferramenta de trabalho ágil e eficiente. Com capacidade de carga de até 430 kg, a picape Duster é ideal para o transporte de ferramentas, pequenos equipamentos ou mercadorias em entregas urbanas. A caçamba, apesar de modesta em tamanho, é equipada com revestimento protetor e pontos de ancoragem, garantindo a segurança dos itens transportados. O público-alvo são pequenas empresas, prestadores de serviço e frotistas que buscam um veículo com menor custo operacional e maior versatilidade que uma van compacta, especialmente em terrenos de difícil acesso, onde a tração 4×4 se torna um diferencial crucial.
Design compacto e detalhes da caçamba
Visualmente, a picape Duster mantém a dianteira idêntica à do SUV, com seus faróis de LED afilados e a grade robusta que caracteriza a nova identidade visual da Dacia. As alterações se concentram a partir da coluna central do veículo, onde o teto traseiro e as janelas laterais foram removidos para dar lugar a uma caçamba aberta, criando um perfil único e funcional.
A solução de engenharia adotada inclui um novo painel traseiro para a cabine com uma janela vigia, protegendo os ocupantes. A tampa da caçamba possui abertura convencional e o compartimento de carga mede 1,05 metro de comprimento por 1 metro de largura, dimensões que limitam seu uso para volumes maiores, mas são suficientes para o nicho de mercado ao qual se destina.
Apesar de sua aparência, que pode parecer peculiar à primeira vista, o acabamento da conversão é de alta qualidade, buscando integrar a caçamba de forma harmoniosa às linhas do Duster. Essa característica reforça que o veículo não é apenas um utilitário, mas também uma alternativa estilosa para quem busca exclusividade e praticidade no dia a dia.
O processo de conversão realizado pela Romturingia é meticuloso, garantindo que a integridade estrutural do veículo seja mantida. A empresa utiliza materiais de alta resistência para construir a nova seção traseira da cabine e a caçamba, assegurando durabilidade e segurança. A integração com o design original é tão bem executada que o veículo parece ter sido projetado como picape desde o início, um testemunho da experiência da preparadora romena.
Opções de motorização eletrificada
A picape Duster herda as modernas motorizações do SUV europeu, com forte apelo à eletrificação. Uma das principais versões é a Mild Hybrid, que combina um motor 1.2 turbo de três cilindros com 130 cv de potência a um sistema elétrico de 48 volts. Este conjunto está associado a um câmbio manual e a um sistema de tração 4×4, que amplia a capacidade do veículo em diferentes tipos de terreno.
Este sistema de tração integral oferece cinco modos de condução selecionáveis: Auto, Snow (neve), Mud/Sand (lama/areia), Off-Road e Eco. A variedade de configurações permite que o motorista adapte o comportamento do veículo às condições da via, otimizando tanto o desempenho quanto o consumo de combustível. É uma configuração voltada para quem precisa de robustez sem abrir mão da eficiência.
A outra opção disponível é a Hybrid 140, uma configuração totalmente híbrida (full hybrid). Ela utiliza um motor 1.6 a gasolina aspirado que trabalha em conjunto com um motor elétrico, entregando uma potência combinada de 140 cv. Nesta versão, o câmbio é automático e a tração é exclusivamente dianteira, com foco total na eficiência energética para uso urbano e rodoviário, sendo ideal para frotas que operam em grandes cidades.
Diferenciais da tração 4×4
A disponibilidade da tração 4×4 na versão mild hybrid é um dos maiores atrativos da picape Duster europeia. Essa funcionalidade expande consideravelmente o campo de atuação do veículo, tornando-o apto a enfrentar estradas não pavimentadas, terrenos acidentados ou condições climáticas adversas, como neve e gelo, comuns em diversas partes da Europa. Para um público profissional, como agricultores, engenheiros de campo ou empresas de manutenção em áreas rurais, a capacidade off-road combinada com a economia de um motor híbrido representa uma importante vantagem competitiva. O sistema permite que o veículo transite com agilidade tanto na cidade quanto em ambientes rurais, sem comprometer a eficiência energética ou a capacidade de superar obstáculos moderados, oferecendo uma versatilidade que poucos veículos comerciais compactos podem igualar no mercado atual. A altura elevada do solo, herdada do SUV, complementa o conjunto, garantindo que a picape possa acessar locais onde carros convencionais teriam dificuldade, tornando-se uma ferramenta de trabalho extremamente polivalente.
O cenário das picapes Renault no Brasil
A realidade da picape Duster na Europa contrasta fortemente com a estratégia da Renault para o mercado brasileiro de picapes, que é muito mais focado em volume e capacidade. No Brasil, a marca foi pioneira no segmento de picapes intermediárias com a Oroch, lançada em 2015. A Oroch se estabeleceu como uma opção robusta e versátil, oferecendo motores 1.6 aspirado e o moderno 1.3 TCe turbo flex, competindo diretamente com modelos de grande sucesso.
Para o futuro, os planos são ainda mais ambiciosos com a chegada da Niagara. Este novo modelo, construído sobre uma plataforma mais moderna e robusta, visa posicionar a Renault em um patamar superior no segmento, disputando consumidores que buscam mais tecnologia, capacidade de carga e desempenho. A Niagara será um produto global, mas com desenvolvimento focado nas demandas do mercado latino-americano, indicando uma abordagem estratégica distinta da solução de nicho adotada na Europa com o Duster convertido.
Produção e disponibilidade na Europa
É importante ressaltar que a picape Duster não é um modelo de produção em série da Dacia ou da Renault. Trata-se de uma conversão especializada realizada pela Romturingia, disponível sob encomenda, o que limita sua escala e a consolida como um produto de nicho, com a produção ajustada à demanda específica de clientes que buscam essa configuração exclusiva.
Um histórico de adaptações
A Romturingia possui uma longa tradição na modificação de veículos da Dacia, especialmente do Duster. A empresa já havia criado versões picape da geração anterior do SUV, atendendo a uma demanda constante na região por um veículo utilitário compacto e robusto. A continuidade do projeto com o novo Duster demonstra a viabilidade comercial desta adaptação.
A experiência acumulada ao longo dos anos permitiu que a preparadora refinasse o processo de conversão, apresentando no modelo atual um nível de acabamento superior e uma integração mais aprimorada entre a cabine e a caçamba. Essa expertise garante que, apesar de ser uma modificação, o produto final ofereça a qualidade e a confiabilidade esperadas de um veículo de trabalho moderno.