Eva Schloss, sobrevivente de Auschwitz e meia-irmã de Anne Frank, morre aos 96 anos em Londres
Eva Schloss, nascida Eva Geiringer, faleceu no dia 3 de janeiro de 2026, aos 96 anos, em Londres. A informação foi confirmada pela Anne Frank Trust, organização britânica da qual ela era cofundadora e presidente honorária.
A austríaca de origem judaica dedicou décadas à educação sobre o Holocausto, promovendo tolerância e combatendo preconceitos. O rei Charles III e a rainha Camilla expressaram profunda tristeza pela perda, destacando o trabalho incansável dela pela memória e pela paz.
Schloss viveu experiências semelhantes às da família Frank durante a ocupação nazista. Ela e Anne foram amigas de infância em Amsterdã, antes de ambas as famílias entrarem na clandestinidade.
Nascida em 11 de maio de 1929 em Viena, Eva fugiu com a família para a Holanda após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938. A mudança ocorreu em meio ao aumento da perseguição aos judeus.
- A família Geiringer se instalou em Amsterdã, no bairro de Merwedeplein.
- Eva e Anne Frank, da mesma idade, brincavam juntas frequentemente.
- Em 1942, ambas as famílias se esconderam para escapar da deportação.
Trajetória durante a guerra
A família de Eva permaneceu escondida por dois anos, mudando de endereço várias vezes. No entanto, foram traídos por um colaborador nazista e presos em 11 de maio de 1944, no dia do 15º aniversário de Eva.
Eles foram enviados inicialmente para o campo de trânsito de Westerbork e, em seguida, deportados para Auschwitz-Birkenau. Eva e a mãe, Elfriede (conhecida como Fritzi), conseguiram manter contato no campo, mas foram separadas do pai, Erich, e do irmão, Heinz.
O pai e o irmão não sobreviveram às condições do campo. Eva e a mãe foram libertadas pelas tropas soviéticas em 27 de janeiro de 1945, em estado de extrema fraqueza.
Após a libertação, Eva e Fritzi retornaram a Amsterdã após uma longa jornada pela União Soviética. Lá, reencontraram Otto Frank, único sobrevivente da família imediata de Anne.

Vida após o Holocausto
Eva Schloss optou por silêncio sobre suas experiências por décadas. Ela se mudou para Londres, onde estudou fotografia e se tornou profissional na área.
Em 1953, sua mãe se casou com Otto Frank, tornando Eva meia-irmã póstuma de Anne. Eva casou-se com Zvi Schloss, também sobrevivente, e o casal teve três filhas.
A família obteve cidadania britânica e construiu vida em Londres. Em 2021, aos 92 anos, Eva recuperou a cidadania austríaca, encerrando um ciclo pessoal.
Eva manteve carreira como fotógrafa por anos. Ela também escreveu memórias que detalham sua trajetória.
Decisão de falar publicamente
Eva Schloss só começou a compartilhar sua história abertamente na década de 1980. A exposição sobre Anne Frank em Londres, em 1986, motivou-a a romper o silêncio.
Ela percebeu que guerras, perseguições e intolerâncias persistiam no mundo. Assim, decidiu usar sua experiência para educar gerações mais jovens.
Eva publicou livros como “Eva’s Story”, “After Auschwitz” e “The Promise”. Essas obras narram sua sobrevivência e reflexões sobre o período.
Fundação e educação sobre tolerância
Em 1990, Eva cofundou a Anne Frank Trust no Reino Unido. A organização foca em educar crianças e adolescentes sobre os perigos do antissemitismo e outros preconceitos.
A entidade realiza visitas a escolas, prisões e conferências internacionais. O objetivo é promover resiliência, coragem e compreensão entre jovens de 9 a 15 anos.
- Programas incluem recursos educativos baseados em diários e testemunhos.
- Atividades combatem discriminação e incentivam empatia.
- A rainha Camilla atua como patrona da instituição.
- Eva atuava como presidente honorária até sua morte.
Reações à morte
A Anne Frank Trust descreveu Eva como uma mulher extraordinária, dedicada à memória e à paz. A família expressou orgulho pelo legado deixado em livros, filmes e recursos educativos.
O rei Charles III destacou que se sentia privilegiado por tê-la conhecido. Ele e Camilla admiravam profundamente o compromisso dela com a superação do ódio.
A Anne Frank House, em Amsterdã, também lamentou a perda. Eva colaborava frequentemente com a instituição, inclusive em eventos comemorativos.
Outras organizações judaicas e de direitos humanos prestaram homenagens. Elas reforçaram a importância de continuar o trabalho iniciado por Eva contra o preconceito.
Legado duradouro
Eva Schloss visitou escolas e universidades ao longo da vida para contar sua história. Ela enfatizava a necessidade de combater intolerâncias em todas as formas.
Seus testemunhos alcançaram milhões de pessoas em todo o mundo. O foco sempre foi na promoção de kindness e understanding.
Eva recebeu honrarias como o MBE britânico em 2013. Ela também foi agraciada com medalha austríaca ao recuperar a cidadania.
Seu trabalho continua por meio da Anne Frank Trust. A organização mantém programas ativos para novas gerações.
A morte de Eva marca o fim de uma era para testemunhas diretas do Holocausto. No entanto, seus relatos permanecem como ferramenta essencial para educação.











