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Nova mostra em Buckingham exibe looks marcantes da rainha Elizabeth II

Rainha Elizabeth
Alessia Pierdomenico/Shutterstock.com

A King’s Gallery, no Palácio de Buckingham, em Londres, prepara uma grande exposição dedicada ao estilo da rainha Elizabeth II, falecida em 2022. A mostra, intitulada “Queen Elizabeth II: Her Life in Style”, abre ao público em 10 de abril de 2026 e permanece até 18 de outubro do mesmo ano. Ela marca o centenário de nascimento da monarca, que completaria 100 anos em 21 de abril de 2026.

Entre as cerca de 200 peças exibidas, muitas pela primeira vez, destacam-se cinco outfits considerados icônicos ao longo das décadas de reinado. Esses itens ilustram não apenas a evolução da moda britânica, mas também o uso prático e simbólico das roupas pela rainha em aparições públicas e privadas.

A exposição reúne roupas, joias, chapéus, sapatos e acessórios que cobrem todas as dez décadas da vida de Elizabeth II. Metade das peças nunca foi mostrada ao público, incluindo esboços de design e amostras de tecidos que revelam o processo criativo por trás de cada escolha.

Estilo off-duty com tweed e tartan

O conjunto de jaqueta em tweed Harris e saia em tartan Balmoral, desenhado por Norman Hartnell nos anos 1950, representa o visual casual da rainha. Essa combinação tornou-se característica em momentos de lazer, especialmente em Balmoral, na Escócia.

As peças priorizavam praticidade para atividades ao ar livre, como caminhadas e equitação, enquanto mantinham uma aparência modesta. Os tecidos escolhidos promoviam a excelência da produção britânica, com tons discretos que transmitiam estabilidade e autoridade sutil.

Esse look influenciou designers contemporâneos, como visto na coleção de 2024 da Miu Miu, que reinterpretou os kilts em tartan. A silhueta feminina e os materiais tradicionais reforçavam uma imagem de continuidade na monarquia.

Vestido da coroação de 1953

O vestido da coroação, também criado por Norman Hartnell, foi confeccionado em seda de Kent com bordados em ouro, pérolas e cristais. Ele incorporava emblemas florais das quatro nações do Reino Unido: rosa da Inglaterra, cardo da Escócia, narciso de Gales e trevo da Irlanda.

A rainha solicitou a inclusão de símbolos do Commonwealth, como a folha de maple do Canadá e a flor de lótus da Índia. Essa escolha destacava a unidade do reino e dos territórios associados durante o pós-guerra.

O design refletia o artesanato britânico de alta qualidade, com saia volumosa e mangas curtas. Ele simbolizava o início de uma nova era no reinado de Elizabeth II.

  • Emblemas nacionais e do Commonwealth bordados manualmente.
  • Materiais luxuosos que celebravam a indústria têxtil do Reino Unido.
  • Oitava versão aprovada pessoalmente pela rainha.

Gown verde para banquete com Eisenhower

Em 1957, durante visita aos Estados Unidos, a rainha usou um gown verde sem mangas, assinado por Hartnell, em banquete para o presidente Dwight Eisenhower. A cor vibrante, descrita como verde maçã, reforçava laços transatlânticos na era da Guerra Fria.

O vestido apresentava detalhes em joias e silhueta elegante, com cintura marcada e saia ampla. Ele accentuava a feminilidade da jovem monarca em um palco global dominado por líderes masculinos.

Especialistas veem referências sutis à cultura americana, como a associação com a “Big Apple” de Nova York. A peça exemplificava a diplomacia sartorial empregada pela rainha em viagens oficiais.

Conjunto azul para casamento de Margaret

Para o casamento da irmã, princesa Margaret, em 1960, Elizabeth II escolheu um gown azul kingfisher com jaqueta bolero, também de Hartnell. O modelo incluía detalhes em renda guipure e cinto coordenado, ecoando a silhueta da noiva.

O chapéu acompanhante trazia rosas de seda azuis, aludindo ao nome completo da irmã, Margaret Rose. Essa foi a última vez que um membro da família real usou vestido longo em casamento, exceto a noiva.

A cor azul, que se tornou favorita da rainha, transmitia calma e confiança. O conjunto capturava um momento de transição na moda britânica, às vésperas dos anos 1960.

Rainha Elizabeth II
Rainha Elizabeth II – Foto: Instagram

Capa de chuva transparente dos anos 1960

Uma capa de chuva em plástico transparente, desenhada por Hardy Amies nos anos 1960, permitia visibilidade dos vestidos coloridos da rainha em dias chuvosos. Assim como os guarda-chuvas transparentes posteriores, garantiam que o público a reconhecesse à distância.

As cores vibrantes eram essenciais para que multidões identificassem a monarca, mesmo em grandes eventos. Essa peça refletia adaptações práticas às condições climáticas britânicas.

Amies, conhecido por criações modernas, alinhava-se às tendências da década, como silhuetas curtas e materiais inovadores. O item contrastava com gowns formais, mostrando versatilidade no guarda-roupa real.

Simbolismo e diplomacia nas escolhas

As roupas da rainha Elizabeth II frequentemente carregavam mensagens diplomáticas por meio de cores e emblemas. Em visitas oficiais, ela selecionava tons que homenageavam os anfitriões ou reforçavam alianças.

Cores brilhantes facilitavam a identificação em multidões, uma estratégia prática adotada ao longo do reinado. Designers como Hartnell e Amies contribuíram para um estilo reconhecível mundialmente.

A exposição inclui contribuições de designers atuais, como Erdem Moralioglu e Richard Quinn, que reinterpretam elementos do legado da rainha. Essas peças demonstram a influência contínua no design britânico.

Evolução ao longo das décadas

Nos anos 1940 e 1950, influências de Dior e Balenciaga apareciam em cinturas marcadas e volumes amplos. Na década de 1960, hemlines mais curtas e ternos ajustados acompanhavam as mudanças sociais.

Nos anos 1970, gowns mais fluidos com padrões vibrantes marcavam um relaxamento no glamour. Mesmo em looks casuais, como jaquetas tweed, prevalecia elegância restrita e britânica.

A curadora Caroline de Guitaut destaca a consistência nas escolhas adequadas para cada ocasião ao longo de 70 anos no trono. O estilo da rainha bolstrou a indústria da moda no Reino Unido.

Preparativos e acesso à mostra

A exposição ocupa a King’s Gallery e inclui itens do acervo da Royal Collection Trust. Ingressos estão disponíveis online, com visitas diárias programadas.

Um livro acompanhante, “Queen Elizabeth II: Fashion and Style”, será lançado em março de 2026. Ele traz análises de especialistas e designers sobre o arquivo fashion da monarca.

A mostra celebra não apenas o centenário, mas o impacto duradouro de um estilo único na história britânica. Visitantes poderão ver de perto o artesanato e o pensamento por trás de cada peça.

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