A Xiaomi redefiniu sua estratégia de atualizações de software, uma decisão que deixará um grupo de oito smartphones de fora das aguardadas versões HyperOS 3 e Android 16. A fabricante chinesa confirmou a mudança em seu cronograma oficial, esclarecendo que os dispositivos em questão terão seu suporte de sistema encerrado no HyperOS 2.2, baseado no Android 15. A medida impacta diretamente proprietários de modelos de entrada e intermediários das populares linhas Redmi e POCO.
A justificativa da companhia se baseia em critérios técnicos, como os ciclos de suporte programados para cada aparelho e as limitações de hardware que poderiam comprometer a performance com o novo sistema. A lista inicial de atualização, que havia sido divulgada anteriormente, incluía esses modelos por engano, o que levou a uma correção pública para alinhar as expectativas dos usuários. Com isso, os aparelhos afetados continuarão funcionando normalmente, mas não receberão os novos recursos e melhorias de interface prometidos para a próxima grande atualização.
Para os proprietários desses dispositivos, a principal consequência é a ausência de novas funcionalidades, incluindo as otimizações de inteligência artificial e a interface renovada que são os carros-chefes do HyperOS 3. A política da empresa, no entanto, garante que todos os modelos excluídos continuarão a receber atualizações de segurança periódicas até atingirem suas respectivas datas de fim de vida útil (EOL), assegurando proteção contra vulnerabilidades críticas.

Entre os principais aparelhos que não receberão o upgrade estão modelos de grande volume de vendas, como o Redmi 13C, o POCO C65 e o Redmi 12. As datas de fim de suporte para estes dispositivos variam, estendendo-se de novembro de 2026 até janeiro de 2028, dependendo do modelo específico e da data de seu lançamento original no mercado global.
Dispositivos afetados pela exclusão
A lista revisada pela Xiaomi removeu um conjunto de aparelhos lançados principalmente entre 2023 e o início de 2024, que são direcionados a mercados emergentes e faixas de preço mais acessíveis. Modelos como o Redmi Note 12 4G, por exemplo, são conhecidos por oferecer um pacote equilibrado de especificações, como câmeras de até 108 MP e processadores MediaTek, atraindo consumidores que buscam um bom custo-benefício.
A decisão de focar o desenvolvimento do Android 16 em dispositivos com hardware mais robusto sinaliza uma priorização de performance. A empresa entende que a implementação de recursos mais pesados em chipsets de entrada poderia resultar em uma experiência de uso lenta e instável, prejudicando a reputação da marca. A nova política visa garantir que apenas os aparelhos capazes de executar o sistema de forma fluida recebam a atualização completa.
Cronograma ajustado do HyperOS 3
O plano de distribuição do HyperOS 3 está programado para começar em outubro, com os modelos topo de linha, como a futura série Xiaomi 15T, sendo os primeiros a receber a nova versão. Uma fase beta já está em andamento, testando funcionalidades inovadoras como a “Super Island”, um sistema de notificações dinâmicas semelhante ao de outras marcas, e uma integração mais profunda com ecossistemas de terceiros, incluindo produtos da Apple.
Até o primeiro trimestre de 2026, a expectativa é que mais de 50 modelos globais, incluindo smartphones, tablets e wearables, sejam atualizados. Essa fase inicial de implementação dará prioridade aos dispositivos mais recentes e potentes, otimizando o sistema para um melhor gerenciamento de bateria e maior eficiência na conectividade 5G.
A distribuição do software ocorrerá em lotes regionais, com a China e a Europa recebendo as atualizações primeiro. Para os usuários em outras regiões, como o Brasil, o acesso antecipado a versões de teste geralmente é disponibilizado por meio de inscrições no aplicativo Mi Community, permitindo que entusiastas experimentem as novidades antes do lançamento oficial.
Suporte de segurança para os excluídos
Embora não recebam novos recursos de sistema, os oito modelos excluídos terão sua segurança garantida por meio de atualizações pontuais. Esses patches são projetados para corrigir vulnerabilidades de segurança e proteger os usuários contra ameaças digitais, como exploits de rede e malware. O Redmi 12, por exemplo, tem patches de segurança garantidos até junho de 2027, um período que cobre a maior parte de sua vida útil esperada.
Essa abordagem segue os padrões recomendados pelo Google para o ecossistema Android, que se concentra em manter a estabilidade e a segurança do dispositivo sem sobrecarregar o hardware com funcionalidades que ele não foi projetado para suportar. Modelos como o Redmi Note 13 com NFC, cujo EOL está previsto para janeiro de 2028, continuarão a ter compatibilidade com os aplicativos da Play Store por um longo tempo.
A Xiaomi reforça que a versão HyperOS 2.2, na qual esses aparelhos permanecerão, já incorpora diversas melhorias de performance em relação a sistemas anteriores. Entre elas, destacam-se um gerenciamento de memória mais eficiente e otimizações de segundo plano que contribuem para uma experiência de uso mais fluida no dia a dia.
A manutenção da segurança é um pilar fundamental da estratégia, assegurando que, mesmo sem as últimas novidades de interface, os dados e a privacidade dos usuários permaneçam protegidos contra as ameaças cibernéticas mais comuns. Isso permite que os consumidores continuem utilizando seus aparelhos com tranquilidade até decidirem por um upgrade de hardware.
Comparação com concorrentes
A política de atualização de software da Xiaomi, que geralmente oferece de três a quatro anos de suporte para seus aparelhos intermediários, contrasta com as estratégias de outras gigantes do mercado. A Samsung, por exemplo, se estabeleceu como uma líder no universo Android ao prometer até sete anos de atualizações de sistema e segurança para suas linhas Galaxy mais recentes, um compromisso que supera significativamente a média da indústria. Essa abordagem visa agregar valor aos seus dispositivos premium e fidelizar clientes a longo prazo. Do outro lado do espectro, a Apple mantém um controle rígido sobre seu ecossistema fechado, oferecendo em média seis anos de atualizações completas do iOS para seus iPhones, uma prática que valoriza a longevidade e a segurança de seus produtos. A estratégia da Xiaomi, por sua vez, parece focada em um equilíbrio diferente: oferecer inovações de software rapidamente, como os novos recursos de IA do HyperOS 3, mas limitando sua disponibilidade a hardwares mais recentes para garantir a máxima eficiência e desempenho. Essa diferença fundamental reflete modelos de negócios distintos, onde fabricantes chinesas competem em volume e velocidade de lançamentos, enquanto outras marcas apostam na durabilidade do software como um diferencial competitivo chave.
Recursos ausentes no HyperOS 2.2
Os usuários dos aparelhos que não receberão o HyperOS 3 ficarão sem acesso a uma série de melhorias visuais e funcionais. A nova interface, apelidada de “vidro líquido”, foi projetada para oferecer animações mais suaves e transições fluidas, enquanto o centro de controle foi redesenhado para ser mais intuitivo e personalizável. Os modelos excluídos continuarão com a interface atual, que possui ícones mais simples e uma versão básica do assistente Super Xiao AI.
Além das mudanças estéticas, o HyperOS 3 promete otimizações de performance significativas. Testes realizados nas versões beta indicam uma melhoria de até 20% na eficiência energética, graças a novos modos de bateria adaptativos que aprendem com o padrão de uso do indivíduo. As melhorias de privacidade e segurança do Android 16 também não serão portadas para os dispositivos mais antigos.
O que esperar para o futuro do HyperOS
Apesar da exclusão de alguns modelos, o desenvolvimento do HyperOS continua em ritmo acelerado. O lançamento para os modelos compatíveis, como a linha Redmi Note 14, está previsto para começar a partir de dezembro, reforçando a importância de verificar o cronograma de suporte antes de adquirir um novo smartphone para garantir o acesso às futuras inovações de software da marca.