Economia

Ações da Intel caem 15% após guidance fraco para o primeiro trimestre de 2026

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Intel - Sundry Photography/ Shutterstock.com

A Intel divulgou seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025 na noite de quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, superando as expectativas dos analistas em receita e lucro ajustado. No entanto, a projeção para o primeiro trimestre de 2026 ficou significativamente abaixo do consenso de mercado, o que provocou uma forte reação negativa dos investidores. As ações da empresa chegaram a cair 15% nas negociações estendidas e continuaram pressionadas na abertura do pregão seguinte.

A companhia reportou receita de US$ 13,7 bilhões no período de outubro a dezembro de 2025, valor que representou queda de 4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, mas superou a guidance interna e as estimativas médias dos analistas. O lucro por ação ajustado alcançou US$ 0,15, mais que o dobro do esperado pelo mercado. Esses números positivos foram ofuscados pelas perspectivas mais conservadoras para os primeiros meses de 2026.

  • Receita do Q4 2025: US$ 13,7 bilhões
  • Lucro por ação ajustado: US$ 0,15
  • Margem bruta não-GAAP: 37,9%
  • Crescimento em segmentos de IA: double-digit sequencial e anual

A demanda por processadores voltados para inteligência artificial e data centers continua sendo um dos principais motores de crescimento da Intel.

Resultados detalhados do quarto trimestre

A Intel manteve desempenho resiliente no último trimestre de 2025, mesmo em um ambiente competitivo acirrado no setor de semicondutores. A receita total de US$ 13,7 bilhões reflete estabilidade em comparação com projeções mais pessimistas, impulsionada principalmente pelo segmento de produtos relacionados a IA. A margem bruta ajustada de 37,9% também superou as expectativas internas da companhia.

O lucro operacional ajustado registrou melhora significativa em relação ao trimestre anterior, beneficiado por controle de custos e aumento de volume em unidades de AI PC. A divisão de data center apresentou crescimento de dois dígitos tanto sequencial quanto anual, demonstrando que a empresa consegue capturar parte da expansão do mercado de inteligência artificial. Executivos destacaram que a demanda por CPUs Xeon para servidores de IA permanece robusta.

Guidance conservador para o início de 2026

A projeção divulgada pela Intel para o primeiro trimestre de 2026 indica receita entre US$ 11,7 bilhões e US$ 12,7 bilhões, com ponto médio de aproximadamente US$ 12,2 bilhões. Esse valor ficou abaixo dos US$ 12,6 bilhões esperados em média pelos analistas de Wall Street. A companhia também prevê lucro por ação ajustado próximo de zero ou ligeira perda de até US$ 0,21.

Restrições de suprimento foram apontadas como principal fator limitante para o período. A administração admitiu dificuldades para atender toda a demanda dos clientes, especialmente em produtos para data centers de IA. A situação deve ser mais crítica exatamente no primeiro trimestre, antes de melhorias graduais na capacidade de produção ao longo do ano.

A empresa trabalha para ampliar a operação de suas fábricas próprias, mas o processo de ramp-up ainda impacta os volumes disponíveis. Custos elevados associados ao desenvolvimento de novos nós de processo também pressionam as margens no curto prazo.

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Intel – nikkimeel/Shutterstock.com

Reação imediata do mercado

As ações da Intel reagiram de forma negativa logo após a divulgação dos números. A queda chegou a 15% nas negociações after-hours de quinta-feira e se manteve elevada na sessão regular de sexta-feira, 23 de janeiro. O movimento reflete a frustração dos investidores com a perspectiva de crescimento mais lento no início de 2026.

Analistas ajustaram rapidamente suas recomendações, com alguns reduzindo preços-alvo para o papel. A volatilidade observada reforça a sensibilidade do mercado a qualquer sinal de atraso na recuperação da Intel frente a concorrentes como AMD e Nvidia. Apesar do tombo, parte dos especialistas mantém visão construtiva de longo prazo, apostando na estratégia de manufatura interna da companhia.

O volume negociado aumentou substancialmente, indicando forte participação tanto de investidores institucionais quanto de varejo. A capitalização de mercado da Intel sofreu redução significativa em poucas horas de pregão.

Desempenho por segmentos operacionais

O segmento Client Computing, responsável por processadores para PCs, registrou crescimento moderado impulsionado pela adoção de AI PCs. As vendas de unidades com recursos de inteligência artificial embarcada avançaram 16% sequencialmente. Esse movimento acompanha a tendência geral do mercado de computadores pessoais, que mostra sinais iniciais de recuperação após anos de declínio.

A divisão Data Center and AI continua sendo o destaque positivo. O crescimento de dois dígitos reflete maior penetração de produtos Xeon em ambientes de treinamento e inferência de modelos de IA. A Intel posiciona-se como fornecedora chave para grandes hyperscalers que buscam alternativas aos GPUs dominantes da Nvidia.

Outros segmentos, como Network and Edge, apresentaram estabilidade relativa. A companhia beneficia-se de investimentos governamentais nos Estados Unidos para fortalecimento da produção doméstica de chips. Programas como o CHIPS Act seguem apoiando expansões de capacidade anunciadas anteriormente.

A unidade de foundry, responsável por fabricação para terceiros, avança gradualmente em certificações de processo. Clientes externos começam a validar o nó Intel 18A, com produção em volume prevista para o segundo semestre de 2026.

Desafios estruturais no setor

A Intel enfrenta concorrência intensa em praticamente todos os segmentos principais. A AMD ganha participação consistente no mercado de servidores com processadores EPYC otimizados para data centers. Arquiteturas baseadas em Arm também avançam, especialmente em dispositivos móveis e cloud computing eficiente.

Custos elevados de pesquisa e desenvolvimento pressionam as margens operacionais da empresa. O investimento pesado em novas fábricas e tecnologias de processo visa recuperar liderança tecnológica perdida nos últimos anos. A administração reitera compromisso com o plano IDM 2.0, que combina design interno com manufatura própria e serviços de foundry.

Fatores macroeconômicos, como taxas de juros elevadas e incertezas geopolíticas, afetam a demanda por semicondutores em geral. Ciclos de estoque ainda influenciam os pedidos de clientes, especialmente no segmento de PCs corporativos.

Perspectivas operacionais para o ano completo

Embora o guidance inicial para 2026 seja conservador, a Intel mantém expectativa de melhora gradual ao longo dos trimestres. A administração projeta que restrições de suprimento atinjam o pico no primeiro trimestre e diminuam progressivamente. Aumento de capacidade nas fábricas americanas e internacionais deve permitir maior atendimento à demanda reprimida.

O foco em produtos com recursos de IA permanece central na estratégia. A empresa lançou novas gerações de processadores Core Ultra e Xeon com NPUs dedicadas, posicionando-se para capturar crescimento do mercado de AI PC estimado em centenas de milhões de unidades nos próximos anos.

Parcerias com grandes fabricantes de equipamentos originais fortalecem a cadeia de distribuição. A Intel também avança em software aberto para acelerar adoção de suas plataformas em ecossistemas de desenvolvedores de inteligência artificial.

Posicionamento competitivo atual

A Intel busca recuperar terreno perdido para concorrentes asiáticos em manufatura avançada. Investimentos bilionários em novas fábricas nos Estados Unidos e Europa visam reduzir dependência de fornecedores externos. O apoio governamental diferencia a companhia como única grande fabricante de chips de ponta com base americana.

No segmento de GPUs discretas, a linha Arc continua evoluindo, embora ainda com participação limitada. A estratégia concentra-se em nichos como workstations e gaming de entrada, enquanto a empresa prioriza aceleração de IA em CPUs e XPUs integrados.

A unidade Mobileye, focada em sistemas de condução autônoma, mantém trajetória independente com listagem separada. Os resultados consolidados da Intel refletem contribuição estável desse negócio em meio à transição do setor automotivo para veículos elétricos e conectados.

A companhia segue ajustando estrutura de custos por meio de programas de eficiência anunciados anteriormente. Reduções de quadro e otimização de despesas operacionais ajudaram a melhorar margens no quarto trimestre de 2025.

Indicadores financeiros consolidados

O balanço da Intel encerrou 2025 com posição de caixa robusta, permitindo continuidade dos investimentos planejados. A geração de fluxo de caixa livre suportou pagamento de dividendos e recompra moderada de ações ao longo do ano. A dívida líquida permanece controlada em relação ao porte da empresa.

  • Receita anual 2025: US$ 52,9 bilhões (estável YoY)
  • Lucro por ação ajustado anual: US$ 0,42
  • Investimentos em P&D e capex: níveis elevados para suporte ao roadmap tecnológico
  • Dividend yield: atrativo para investidores de longo prazo

A administração reafirmou compromisso com retorno aos acionistas por meio de política de dividendos sustentável.

A Intel navega por um período de transição importante em sua história operacional. Os resultados do quarto trimestre de 2025 demonstram capacidade de execução mesmo em ambiente desafiador, enquanto o guidance conservador para o início de 2026 reflete prudência diante de restrições temporárias de suprimento. O foco estratégico em inteligência artificial e manufatura interna posiciona a empresa para capturar oportunidades de crescimento nos próximos anos.

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