A samsung, gigante do setor de tecnologia, apresentou ao mercado o galaxy tab s11 ultra, posicionado como um dos tablets mais sofisticados e poderosos disponíveis globalmente. Após um período de avaliação intensiva de três meses, o dispositivo revelou uma série de aprimoramentos significativos, visando refinar a experiência já premium oferecida pela linha ultra. Esta análise profunda desvenda como o tablet se comporta sob uso contínuo, tanto como ferramenta de trabalho principal quanto central de entretenimento.
Contudo, a jornada do s11 ultra não é isenta de controvérsias. Algumas decisões da samsung em relação ao hardware dos acessórios e às funcionalidades de software geraram debate. Essas alterações podem impactar diretamente os consumidores que buscam no modelo ultra uma alternativa robusta e completa aos laptops tradicionais, levantando questões sobre sua capacidade de substituir plenamente um notebook em cenários de alta demanda.
A expectativa em torno do galaxy tab s11 ultra era alta, e o dispositivo entrega em muitos aspectos, mas as nuances das modificações implementadas pela samsung podem surpreender os usuários mais exigentes, que esperavam uma evolução sem concessões.
Design e acessórios: inovações e perdas notáveis

O galaxy tab s11 ultra apresenta uma evolução discreta em seu design, mantendo a reconhecida construção premium que combina vidro e armor alumínio. A samsung conseguiu o feito notável de reduzir as dimensões gerais do aparelho, tornando-o ainda mais fino que o galaxy s25 edge, seu próprio smartphone “ultrafino”, e empatando com o ipad pro de 2025 em espessura.
Apesar da redução nas dimensões, a capacidade da bateria foi ampliada, um feito impressionante de engenharia que otimiza a portabilidade sem comprometer a autonomia. O peso do dispositivo mantém-se em patamares confortáveis para um aparelho de seu porte, e a certificação ip68 confere proteção contra poeira e líquidos, garantindo maior durabilidade e tranquilidade aos usuários.
No mercado brasileiro, a capa-teclado continua sendo um acessório incluso na caixa, mas passou por uma reengenharia significativa. O suporte traseiro, agora com uma dobra triangular, melhora a estabilidade do conjunto para uso no colo, um avanço ergonômico importante. Em contrapartida, essa reformulação resultou na remoção do trackpad, exigindo que os usuários recorram ao toque na tela ou a um mouse externo. A ausência de retroiluminação nas teclas da capa-teclado também dificulta a digitação em ambientes com pouca luz.
A s pen, um dos grandes diferenciais da linha galaxy tab, também foi atualizada. Agora com formato hexagonal, reminiscentes de um lápis hb, a caneta perdeu suas funções bluetooth e os gestos associados. Embora a ausência de bateria signifique uma preocupação a menos e um encaixe magnético conveniente na lateral, a falta de uma aba de proteção na capa original exige maior cautela para evitar a perda do acessório durante o transporte, uma preocupação para quem está em constante movimento.
Experiência multimídia: tela e áudio em destaque
No que tange à experiência multimídia, o galaxy tab s11 ultra permanece uma referência inquestionável no segmento. A tela amoled dinâmico 2x de 14,6 polegadas, já aclamada em gerações anteriores, recebeu um upgrade considerável em brilho, alcançando um pico de 1.600 nits. Essa melhoria otimiza o uso em ambientes externos ou com forte iluminação, proporcionando visibilidade clara mesmo sob a luz do sol.
A resolução de 2960 x 1848 pixels, combinada com suporte a hdr10+ e uma taxa de atualização variável de até 120 hz, garante imagens nítidas, cores vibrantes e pretos absolutos, essenciais para o consumo de conteúdo em alta definição. O sistema de quatro alto-falantes otimizados complementa a tela, oferecendo áudio de alta qualidade com graves surpreendentes para um dispositivo tão fino, solidificando o tablet como uma das melhores plataformas portáteis para streaming, filmes e jogos.
Processamento avançado: análise do dimensity 9400+
Equipado com o processador mediatek dimensity 9400+ de 3 nm, o galaxy tab s11 ultra entrega uma performance bruta excepcional, capaz de lidar com as tarefas mais exigentes. O tablet se destaca na edição de vídeos em 4k, na execução de múltiplas tarefas simultaneamente e em jogos graficamente intensivos, sem apresentar travamentos ou superaquecimento notável. Mesmo em sessões prolongadas de uso intenso, o aparelho consegue manter um alto nível de funcionamento, demonstrando a robustez de seu hardware.
Apesar do impressionante poder de fogo, o potencial total do tablet ainda se vê limitado pelas características do ecossistema de software. Diferentemente dos ipads, há uma ausência de ports nativos de jogos aaa de consoles, restringindo o uso de alto desempenho a emuladores ou jogos mobile tradicionais. Embora serviços de jogos em nuvem funcionem perfeitamente, a experiência não depende diretamente do hardware do tablet. Adicionalmente, aplicativos de produtividade em suas versões mobile frequentemente carecem do mesmo nível de funcionalidade encontrado em suas contrapartes para pc, resultando em uma subutilização do poderio do s11 ultra em fluxos de trabalho complexos.
Software: a controversa mudança do modo DeX
A maior polêmica desta nova geração do galaxy tab s11 ultra reside nas alterações implementadas no software. Com a chegada do android 16, a samsung tomou a decisão estratégica de remover a interface clássica do modo dex diretamente na tela do tablet. Agora, a simples conexão de um teclado ativa um “modo desktop” nativo do android, que se mostra mais simplificado e menos completo do que a experiência dex original.
O modo dex tradicional, com sua barra de tarefas e janelas flutuantes que emulavam um ambiente de desktop, agora só pode ser acessado quando o tablet está conectado a um monitor externo ou a uma tv. Essa mudança altera fundamentalmente a proposta de uso do dispositivo como um substituto de notebook, especialmente para aqueles que dependiam da versatilidade do dex integrado para produtividade em qualquer lugar.
A ausência de aplicativos profissionais completos, idênticos aos disponíveis para pcs, como as versões integrais da suíte adobe, agrava a situação. Essa limitação, combinada com a nova abordagem do dex, posiciona o galaxy tab s11 ultra como um dispositivo mais adequado para tarefas de produtividade básicas, como a criação de textos e planilhas, em vez de ser uma solução definitiva para substituir um laptop em cenários de trabalho que exigem ferramentas mais robustas.
Autonomia energética: bateria aprimorada e recarga
A capacidade da bateria do galaxy tab s11 ultra recebeu um incremento, passando de 11.200 mah na geração anterior para 11.600 mah na versão atual. Essa elevação, embora pareça modesta, traduz-se em uma autonomia sólida para um dispositivo de grande porte, permitindo que os usuários desfrutem de longas horas de uso sem a necessidade constante de recarga.
Em um cenário de uso intenso, focado em atividades de trabalho que demandam a tela ligada por períodos prolongados, o tablet consegue oferecer uma média de 8 horas de tela ativa. O consumo de energia em modo standby é particularmente eficiente, com uma descarga de aproximadamente 1% da carga por dia, o que é excelente para manter o dispositivo pronto para uso mesmo após alguns dias inativo.
Para usuários cujo foco principal é o entretenimento, como o consumo de streaming por cerca de uma hora e meia diária, o galaxy tab s11 ultra pode permanecer longe da tomada por mais de 5 dias. A recarga completa do dispositivo leva aproximadamente duas horas e meia utilizando o carregador de 25w que vem incluso na caixa, um tempo razoável para a capacidade da bateria. Contudo, essa duração pode ser reduzida para pouco mais de duas horas ao empregar um carregador compatível de 45w ou superior, proporcionando maior agilidade para retomar o uso.
Mercado e concorrência: o dilema do investimento
O preço de lançamento do galaxy tab s11 ultra, inicialmente em r$ 10 mil, e posteriormente ajustado para r$ 8 mil no site oficial da samsung, com ofertas a partir de r$ 7.200 em varejistas, o posiciona como um investimento considerável. Ele se destina a consumidores que buscam a vanguarda tecnológica e uma tela expansiva e portátil. No entanto, as perdas funcionais desta geração, como a remoção do trackpad e da retroiluminação do teclado, bem como a ausência de bluetooth na s pen, criam um dilema para potenciais compradores.
Estas modificações tornam o galaxy tab s10 ultra, seu antecessor, um concorrente interno bastante forte. O modelo anterior oferece uma experiência quase idêntica, mantendo as funcionalidades que foram suprimidas nos acessórios da nova geração, e ainda pode ser encontrado a um custo significativamente menor. A flexibilidade de não atualizar para a oneui 8 no s10 ultra permite que os usuários mantenham o modo dex rodando diretamente no tablet, uma vantagem para muitos.
Veredito final: s11 ultra ou seu antecessor?
A principal vantagem do galaxy tab s11 ultra reside no suporte de software estendido, com atualizações garantidas até o android 23, superando o limite esperado do android 21 para o modelo anterior. Além disso, o hardware levemente mais moderno oferece um desempenho ligeiramente superior, embora as limitações de software mencionadas possam impedir a plena utilização dessa potência adicional.
A decisão entre o s11 ultra e o s10 ultra dependerá das prioridades do usuário. Para quem valoriza o suporte de longo prazo e um hardware atualizado, e não se importa com as perdas nos acessórios e na funcionalidade do dex no próprio tablet, o s11 ultra pode ser a escolha. Contudo, para os que buscam maximizar o custo-benefício e valorizam as funcionalidades presentes no modelo anterior, especialmente em relação à produtividade com a capa-teclado e a s pen, o galaxy tab s10 ultra permanece uma alternativa altamente competitiva. Resta aguardar se a samsung reconsiderará e permitirá novamente o modo dex direto no tablet em futuras atualizações, o que certamente fortaleceria a posição do s11 ultra no mercado.