Economia

Ouro e prata ampliam perdas após correção histórica no mercado internacional

ouro e prata
ouro e prata - Seacalm/Shutterstock.com

Os preços do ouro e da prata registraram novas quedas expressivas nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, estendendo o movimento de correção iniciado na semana anterior. O ouro chegou a despencar 9% durante o pregão, alcançando a mínima de US$ 4.403 por onça troy, antes de fechar em US$ 4.686, o que representa uma desvalorização de 4,23%. Já a prata enfrentou recuo inicial de 15%, tocando US$ 71,33, e encerrou o dia cotada a US$ 80,6, com perda de 5,6%. Esse comportamento reflete uma reversão após período de máximos históricos impulsionados por demanda por ativos de refúgio.

A sessão foi marcada por alta volatilidade nos mercados de commodities. Investidores realizaram vendas intensas logo na abertura, mas parte das perdas foi reduzida ao longo do dia. O movimento acompanha ajustes em outros metais, como platina e cobre, que também apresentaram recuos.

A correção ganhou força após o ouro ter superado a barreira dos US$ 5.600 por onça troy na semana passada. A prata, por sua vez, havia alcançado patamares acima de US$ 110 antes do tombo inicial.

Detalhes da sessão de negociação

O pregão começou com pressão vendedora acentuada nos contratos futuros negociados na Comex. O ouro abriu em baixa e manteve trajetória descendente nas primeiras horas, refletindo liquidações de posições acumuladas durante a alta recente.

A prata apresentou volatilidade ainda maior, com oscilações intensas ao longo do dia. Parte dos investidores optou por realizar lucros após ganhos acumulados expressivos nos últimos meses.

O volume de negociações permaneceu elevado em comparação com a média recente. Operadores relataram aumento na atividade de hedge por parte de fundos de investimento.

Fatores que influenciaram o movimento

Vários elementos contribuíram para a continuidade das perdas nos metais preciosos. O fortalecimento do dólar americano frente a outras moedas principais reduziu a atratividade do ouro como reserva de valor.

  • Aumento das margens exigidas pela CME Group para contratos futuros de metais;
  • Valorização dos rendimentos dos títulos públicos americanos;
  • Indicadores econômicos positivos divulgados nos Estados Unidos;
  • Redução percebida em riscos geopolíticos envolvendo regiões chave.

Esses fatores combinados incentivaram a migração de capitais para ativos de maior rendimento. A demanda por refúgio seguro diminuiu em relação aos picos observados anteriormente.

Contexto recente das cotações

O ciclo de alta dos metais preciosos ganhou força ao longo de 2025 e início de 2026. O ouro acumulou valorização superior a 100% em doze meses, impulsionado por incertezas macroeconômicas globais.

A prata apresentou desempenho ainda mais expressivo em determinados períodos. Sua dupla função como metal precioso e industrial ampliou os ganhos durante fases de otimismo com recuperação econômica.

O ponto de inflexão ocorreu na quinta-feira da semana passada. Os preços atingiram recordes consecutivos antes do início da realização de lucros.

Prata e Ouro
Prata e Ouro – Nattapon Saisaard/ shutterstock.com

Razões para a reversão atual

A elevação das margens de garantia nos contratos futuros pressionou posições alavancadas. Muitos fundos precisaram reduzir exposição para atender às novas exigências.

Indicadores de força da economia americana alteraram expectativas sobre política monetária. Rendimentos reais mais altos tornaram ativos sem juros, como o ouro, menos atrativos.

A prata sofreu impacto adicional pela componente industrial. Expectativas de menor demanda em setores como eletrônicos e energia solar contribuíram para as vendas.

Comportamento de outros metais

A platina registrou recuo superior a 15% em relação aos máximos recentes. O metal enfrenta pressão específica pela transição no setor automotivo.

O cobre também apresentou baixa significativa no mesmo período. Sua cotação reflete preocupações com ritmo de crescimento em economias emergentes.

Esses movimentos demonstram correlação entre diferentes commodities metálicas. A correção abrangeu todo o complexo de metais negociados em bolsa.

Volatilidade nos mercados derivados

Os contratos futuros de ouro para entrega em meses próximos apresentaram spreads ampliados. A curva de preços indicou contango mais pronunciado.

Na prata, os contratos de março mostraram maior liquidez durante as vendas. O volume negociado superou médias históricas para o período.

Operadores institucionais ajustaram posições de forma coordenada. ETFs lastreados em metais físicos registraram saídas líquidas expressivas.

Perspectivas técnicas de curto prazo

Os indicadores de momentum apontam para sobrevendido nos gráficos diários. Níveis de suporte anteriores foram testados durante a sessão.

O ouro encontra suporte psicológico próximo aos US$ 4.600 por onça. A prata tem região de apoio ao redor dos US$ 75.

A recuperação parcial no final do pregão sugere possibilidade de consolidação. Novos catalisadores serão necessários para definir direção mais clara.

Uso industrial da prata

A prata mantém demanda relevante em aplicações tecnológicas. Setores como painéis solares e eletrônicos consomem volumes significativos anualmente.

Essa característica diferencia o metal de outros preciosos puramente financeiros. Variações na atividade industrial impactam diretamente suas cotações.

Produção global de prata proviene majoritariamente de minas polimetálicas. Alterações nos preços de chumbo e zinco influenciam oferta indireta.

Mineração e oferta global

Empresas mineradoras enfrentaram volatilidade acentuada em suas ações. Muitas registraram quedas superiores às dos metais físicos.

Custos operacionais elevados durante a alta recente comprimiram margens. A correção atual traz alívio parcial em termos de planejamento.

Países produtores como México e Peru acompanham de perto as cotações. Exportações de concentrados metálicos representam parcela importante de suas economias.

Demanda por investimento físico

Investidores individuais mantiveram compras de moedas e barras em níveis elevados. Lojas especializadas relataram fluxo constante apesar das quedas.

Bancos centrais continuaram acumulando ouro em reservas oficiais. O movimento reflete estratégia de diversificação de longo prazo.

A demanda física oferece suporte em níveis mais baixos. Absorção por parte de mercados asiáticos permanece consistente.

A sessão desta segunda-feira consolidou o cenário de correção nos metais preciosos. Ouro e prata estenderam perdas após os recordes da semana anterior, com volatilidade elevada ao longo do pregão. O mercado absorveu liquidações significativas antes de recuperação parcial nos preços de fechamento.

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