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Bap afirma que Flamengo não mudará gestão e questiona modelo financeiro da SAF do Botafogo

Bap revela camisa do Flamengo com patrocínio da Betano
Bap revela camisa do Flamengo com patrocínio da Betano - Foto: Reprodução / FlamengoTV

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, declarou de forma contundente que o clube rubro-negro não pretende migrar para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em entrevista concedida ao jornal espanhol As nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, o mandatário utilizou a situação financeira e administrativa do Botafogo como um exemplo negativo de como o sistema tem sido implementado no cenário brasileiro. Segundo o dirigente, a instituição carioca manterá sua estrutura associativa, priorizando a sustentabilidade financeira que foi construída ao longo da última década sem a necessidade de investidores externos majoritários.

A posição do dirigente surge em um momento de debate intenso sobre a regulamentação do futebol nacional e a responsabilidade fiscal das novas empresas esportivas. Bap argumentou que, embora a SAF possa representar uma saída viável para clubes em crises terminais, a aplicação prática no Brasil tem revelado distorções preocupantes que ferem a competitividade equilibrada. O foco do Flamengo, de acordo com o presidente, permanece em consolidar sua hegemonia através de receitas próprias e uma gestão profissionalizada, evitando a entrega do patrimônio do clube a terceiros que, em sua visão, podem agravar passivos existentes.

Críticas ao modelo de gestão financeira do Botafogo

O mandatário flamenguista direcionou críticas específicas à forma como a SAF do Botafogo tem operado suas finanças após a aquisição por investidores internacionais. Ele destacou que o clube alvinegro, apesar de ter conquistado títulos expressivos como o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores em 2024, viu seu endividamento crescer de forma alarmante sob o novo regime jurídico. Para Bap, é inadmissível que um clube consiga captar milhões de euros para contratações de peso enquanto negligencia o pagamento de credores e obrigações básicas de funcionamento.

A preocupação central reside na ausência de mecanismos que obriguem as SAFs a sanear as contas herdadas antes de realizarem investimentos vultosos no departamento de futebol. No caso do rival carioca, o presidente do Flamengo apontou que a dívida inicial, estimada em cerca de 100 milhões de euros, não foi reduzida conforme o esperado no plano de transição. Pelo contrário, o dirigente alega que o passivo aumentou significativamente, criando um cenário de concorrência desleal onde o sucesso esportivo é financiado pelo descumprimento de compromissos financeiros previamente estabelecidos.

  • Aumento de dívidas após a transição para o regime de empresa.
  • Contratações de alto valor sem a quitação de débitos anteriores.
  • Risco de colapso financeiro admitido pela própria administração da SAF.
  • Inexistência de um cronograma rígido de pagamentos para credores cíveis e trabalhistas.

Necessidade de punições esportivas e rigor na regulamentação

A solução proposta por Luiz Eduardo Baptista para corrigir o que chama de “distorção do conceito de SAF” passa obrigatoriamente pela aplicação de sanções esportivas severas. Ele defende que clubes que não cumprem suas obrigações financeiras, independentemente de serem associações ou empresas, devem sofrer perdas de pontos e outras penalidades dentro de campo. Na visão do presidente rubro-negro, apenas o prejuízo técnico pode forçar os gestores a manterem a disciplina fiscal necessária para a saúde do ecossistema do futebol brasileiro a longo prazo.

O Flamengo se posiciona contra a falta de controle e a ausência de fiscalização efetiva no processo de propriedade e gestão das equipes profissionais no país. Bap reforçou que o clube não é filosoficamente contra a existência das SAFs, reconhecendo que elas podem salvar instituições centenárias da falência técnica. Entretanto, ele enfatizou que o modelo atual permite que investidores comprem clubes endividados, aumentem o passivo sem consequências e continuem operando normalmente no mercado, o que classificou como um erro grave de governança esportiva.

Episódios recentes reforçam o alerta da diretoria rubro-negra

Os problemas enfrentados por outras equipes que adotaram o modelo de sociedade anônima servem de base para o ceticismo da diretoria do Flamengo. O Botafogo, por exemplo, enfrentou recentemente um “transfer ban” imposto pela Fifa devido à falta de pagamento ao Atlanta United pela transferência do jogador Thiago Almada. Além disso, relatos de atrasos frequentes nos direitos de imagem dos atletas e em parcelas de acordos judiciais corroboram a tese de Bap sobre a fragilidade da gestão financeira nessas novas estruturas empresariais.

O Vasco da Gama também foi citado pelo mandatário como outro exemplo de transição para SAF que encontrou obstáculos significativos e crises internas de governança. Esses episódios são utilizados internamente no Flamengo para justificar a manutenção do modelo atual, que permitiu ao clube sair de uma dívida bilionária há doze anos para se tornar a maior potência financeira do continente. A estratégia é manter a autonomia total sobre as decisões políticas e econômicas, garantindo que o superávit seja reinvestido exclusivamente no fortalecimento da marca e do elenco.

  • Imposição de punições pela Fifa por inadimplência em transferências internacionais.
  • Atrasos recorrentes em salários e direitos de imagem de jogadores e funcionários.
  • Conflitos entre sócios majoritários e associações civis em clubes como o Vasco.
  • Dificuldade de manter o fluxo de caixa estável sem aportes constantes de proprietários.

Sustentabilidade econômica como pilar da autonomia institucional

A independência financeira é vista pela atual gestão do Flamengo como a única garantia de que o clube não será refém de interesses externos ou de flutuações de mercado de investidores específicos. Luiz Eduardo Baptista argumenta que o modelo de sucesso do clube foi construído com base na austeridade, no aumento das receitas de marketing e na exploração eficiente da sua gigantesca base de torcedores. Ao contrário das SAFs, que dependem do capital de um dono, o Flamengo opera com um orçamento sustentável que permite investimentos competitivos sem comprometer o futuro da instituição.

O debate sobre a transformação ou não em empresa ganha contornos de estratégia de longo prazo, onde a transparência e a responsabilidade fiscal são as palavras de ordem na Gávea. O presidente reiterou que o clube não é “burro” ao gerir seus recursos e que cada gasto é planejado para gerar retorno, criticando o que chama de gastos desenfreados de concorrentes que não possuem a mesma saúde financeira. Para Bap, o Flamengo já funciona com o profissionalismo de uma grande empresa, mas com a vantagem de manter sua essência democrática e associativa, o que protege o clube de aventuras financeiras arriscadas.

Futuro do futebol brasileiro sob novas legislações

A discussão levantada pelo Flamengo deve pressionar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as ligas de clubes a debaterem uma regulamentação mais rígida para o fair play financeiro no Brasil. Bap acredita que a atual legislação da SAF precisa ser aprimorada para incluir dispositivos que garantam a transparência total das contas das empresas que gerem o futebol. Sem essas garantias, o receio é de que o futebol brasileiro sofra uma bolha inflacionária insustentável, onde clubes gastam o que não possuem para obter resultados imediatos, deixando o prejuízo para a história das agremiações.

O posicionamento do Flamengo é claro no sentido de que a modernização do esporte não exige necessariamente a venda do controle acionário, mas sim uma mudança de mentalidade na gestão. O clube pretende continuar liderando as discussões sobre a profissionalização do mercado, defendendo que todos os competidores joguem sob as mesmas regras de responsabilidade. Enquanto o cenário nacional ainda se adapta à nova realidade jurídica, o Rubro-Negro opta pelo caminho da solidez institucional, observando à distância os percalços enfrentados pelos rivais que escolheram o caminho do capital externo.

A declaração de que o Flamengo “nunca será SAF” encerra, ao menos sob a atual gestão, qualquer possibilidade de venda do futebol do clube. A estratégia agora é utilizar a força política e econômica para exigir que o mercado se autoregule de forma mais justa e transparente. Com receitas que superam a marca de um bilhão de reais anualmente, a diretoria entende que possui as ferramentas necessárias para continuar no topo do futebol sul-americano sem abrir mão de sua soberania administrativa, mantendo o Botafogo e o Vasco como pontos de reflexão sobre os riscos do novo modelo.

As críticas de Bap também refletem uma preocupação com a imagem do futebol brasileiro no exterior, já que a entrevista foi concedida a um veículo de comunicação da Europa. Mostrar que existem vozes contrárias à forma como as SAFs estão sendo geridas pode atrair a atenção de órgãos reguladores internacionais para as práticas contábeis adotadas no país. O Flamengo espera que sua postura sirva de catalisador para uma reforma nas regras de licenciamento de clubes, assegurando que o crescimento do esporte seja pautado por bases sólidas e não por endividamentos ocultos ou gestões temerárias disfarçadas de modernidade.

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