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Sobrevivente do caso Epstein pede varredura oficial em documentos e e-mails do Príncipe Andrew

Juliette Bryant
Juliette Bryant - Reprodução Youtube

Juliette Bryant, uma das vítimas do esquema de tráfico sexual operado pelo financista Jeffrey Epstein, solicitou publicamente que a Família Real britânica conduza uma investigação interna detalhada. A sobrevivente defende que o Palácio de Buckingham deve examinar proativamente todos os arquivos e correspondências eletrônicas relacionados ao Príncipe Andrew para garantir total transparência sobre suas conexões passadas. Falando de sua residência na Cidade do Cabo, na África do Sul, ela enfatizou a necessidade de ações concretas por parte da monarquia.

A declaração ocorre em um momento delicado para a realeza, logo após a divulgação de comunicados indicando que o Rei Charles III estaria disposto a apoiar investigações policiais sobre as condutas de seu irmão. Bryant acolheu o posicionamento oficial, mas questionou se a retórica será acompanhada de medidas efetivas de colaboração. Para a vítima, a instituição deve demonstrar que não há nada a esconder, abrindo seus registros para o escrutínio das autoridades competentes.

FILE PHOTO: Coronation of Britain's King Charles and Queen Camilla
FILE PHOTO: Britain’s Prince Andrew leaves Westminster Abbey following the coronation ceremony of Britain’s King Charles and Queen Camilla, in London, Britain May 6, 2023. REUTERS/Toby Melville/Pool/File Photo

Embora nunca tenha conhecido o Duque de York pessoalmente e não tenha feito acusações diretas contra ele, Bryant argumenta que a proximidade documentada entre o príncipe e o financista condenado exige esclarecimentos. Ela reforçou que outras sobreviventes e vítimas do esquema continuam disponíveis para colaborar com qualquer inquérito que busque a verdade sobre a rede de exploração montada por Epstein.

O caso voltou a ganhar destaque internacional no início de 2026, impulsionado pela liberação de novos lotes de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O material inclui fotografias e registros que reacenderam o debate sobre o papel de figuras públicas que orbitavam o círculo social do criminoso sexual.

Jeffrey Epstein - Reprodução/ TV Globo
Jeffrey Epstein – Reprodução/ TV Globo

Pressão por transparência institucional

A demanda de Juliette Bryant foca especificamente na responsabilidade institucional do Palácio em relação aos atos de seus membros. A sobrevivente destacou que as autoridades já realizaram exames minuciosos em seus próprios depoimentos e registros pessoais ao longo dos anos. Segundo sua perspectiva, a equidade exige que o mesmo rigor seja aplicado aos arquivos do Príncipe Andrew, considerado um amigo próximo de Epstein durante o período em que os crimes ocorriam.

Bryant relatou ter sido aliciada por Epstein em 2002, quando tinha apenas 20 anos, sob a promessa de oportunidades na carreira de modelo. O contato inicial evoluiu para uma série de abusos em propriedades do financista, incluindo sua ilha particular e um rancho no Novo México. Ela descreve a dinâmica como manipuladora e opressiva, comparando a experiência à de uma presa capturada por um predador experiente.

A posição da vítima é clara quanto à necessidade de proatividade. Ela sugere que o Palácio não deve apenas esperar por mandados judiciais, mas sim iniciar buscas internas voluntárias em e-mails e documentos da época. A divulgação dessas informações seria, na visão de Bryant, um passo natural e necessário para restaurar a confiança pública e demonstrar compromisso real com o combate ao abuso sexual.

Novos documentos e conduta oficial

A recente divulgação de mais de três milhões de páginas de documentos nos Estados Unidos trouxe elementos adicionais à controvérsia. Os arquivos contêm indícios de que o Príncipe Andrew pode ter compartilhado informações confidenciais com Epstein entre 2010 e 2011. Nesse período, o duque atuava como enviado comercial especial do Reino Unido, função que exige estrito sigilo sobre dados sensíveis de natureza política e econômica.

As imagens liberadas mostram o príncipe em situações sociais que geram questionamentos sobre a natureza de seu relacionamento com o financista, mesmo após a primeira condenação de Epstein. O material sugere uma continuidade nos laços de amizade que contradiz tentativas anteriores de distanciamento. Especialistas apontam que a quebra de protocolos de confidencialidade, se confirmada, poderia configurar infração grave às normas de conduta para representantes da Coroa.

Autoridades britânicas, incluindo a polícia do Vale do Tâmisa, confirmaram estar em contato com a procuradoria para avaliar se os novos elementos justificam a reabertura de inquéritos formais. O monitoramento policial persiste, embora até o momento não tenha havido indiciamento formal no Reino Unido. A análise dos documentos busca identificar possíveis cumplicidades ou facilitação de crimes por parte de associados de alto perfil.

Reações e posicionamento do Rei

O Palácio de Buckingham emitiu notas destacando a preocupação do Rei Charles III com a gravidade das alegações. O comunicado oficial ressaltou que o monarca tomou medidas sem precedentes para distanciar a instituição das acusações, retirando títulos e deveres públicos de seu irmão. A declaração reiterou a solidariedade do Rei e da Rainha com vítimas de abuso em todas as suas formas.

Observadores da realeza interpretaram o tom das declarações recentes como uma mudança significativa em relação a posturas anteriores, que tendiam a ser mais evasivas. Amy Wallace, coautora das memórias de outra vítima, Virginia Giuffre, avaliou positivamente a menção específica à conduta de Andrew. No entanto, ela expressou ceticismo sobre a possibilidade de o príncipe depor voluntariamente a investigadores americanos sem uma ordem direta do soberano.

O Príncipe Andrew, que vive recluso em uma propriedade real desde seu afastamento da vida pública em 2020, mantém sua negativa sobre qualquer envolvimento em atividades ilícitas. Seus representantes afirmam que ele lamenta a associação com Epstein, mas insistem que ele desconhecia a extensão dos crimes cometidos pelo amigo. O duque não comentou publicamente o conteúdo dos arquivos liberados em 2026.

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