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Brasil registra superávit comercial bilionário com EUA em ano de tarifas elevadas

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Dólar e Real - Rmcarvalho/istockphoto.com

Os Estados Unidos registraram um superávit de US$ 14,4 bilhões no comércio com o Brasil em 2025, posicionando o país sul-americano como uma das principais fontes de ganhos para a economia americana. Esse resultado ocorreu apesar das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, que afetaram diversos fluxos comerciais globais. O saldo positivo para os EUA com o Brasil superou o de muitas outras nações, destacando uma dinâmica contrária à tendência de aumento no déficit comercial americano.

Os dados divulgados pelo Departamento de Comércio dos EUA mostram que apenas Holanda, Reino Unido e Hong Kong geraram superávits maiores para os americanos no ano passado. As exportações dos EUA para o Brasil cresceram, enquanto as importações de produtos brasileiros diminuíram em certos setores devido às barreiras tarifárias. Essa inversão reflete o impacto das medidas protecionistas adotadas em abril de 2025, que elevaram as taxas sobre bens de dezenas de países.

No contexto global, o déficit comercial total dos EUA caiu apenas 0,2%, totalizando US$ 901,5 bilhões, mesmo com o tarifaço implementado. As importações americanas somaram US$ 4,3 trilhões, um aumento de US$ 197,8 bilhões em relação a 2024, enquanto as exportações atingiram US$ 3,4 trilhões, crescendo US$ 199,8 bilhões. O Brasil, ao contrário de economias como China e México, contribuiu para mitigar parte desse desequilíbrio.

Efeitos das tarifas no fluxo bilateral

As tarifas impostas pelos EUA em 2025 alteraram significativamente o comércio com o Brasil, elevando o superávit americano de menos de US$ 2 bilhões em 2024 para US$ 14,4 bilhões. Essa mudança resultou de uma redução nas exportações brasileiras para o mercado americano, especialmente em setores sensíveis como commodities e manufaturados. O governo brasileiro estima que 22% dos bens nacionais ainda enfrentam essas barreiras, mesmo após algumas revogações.

Exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6% no ano, totalizando US$ 37,72 bilhões, enquanto as importações de produtos americanos subiram 11,3%, alcançando US$ 45,25 bilhões. Esse desequilíbrio gerou um déficit de US$ 7,53 bilhões para o Brasil no comércio bilateral, o terceiro maior superávit histórico para os EUA com o país. Analistas apontam que as tarifas, algumas das mais altas aplicadas globalmente, forçaram ajustes nas cadeias de suprimentos.

Principais parceiros comerciais dos EUA

No mês de dezembro de 2025, os EUA registraram superávits com Holanda em US$ 5,6 bilhões, Reino Unido em US$ 3,7 bilhões e Hong Kong em US$ 2,5 bilhões. O Brasil ficou em quarto lugar com US$ 2,1 bilhões, seguido por Bélgica e Singapura. Esses números indicam uma concentração de ganhos com economias europeias e asiáticas, além do Brasil.

Déficits foram observados com Taiwan em US$ 19,8 bilhões, Vietnã em US$ 17,6 bilhões e México em US$ 14,5 bilhões. A China registrou US$ 12,4 bilhões de déficit para os EUA, uma redução significativa devido às tarifas contínuas. A União Europeia como um todo apresentou US$ 11,1 bilhões de saldo negativo para os americanos.

Coreia do Sul, Japão, Índia e Canadá também contribuíram para o déficit americano, com valores entre US$ 5,8 bilhões e US$ 4,9 bilhões. Esses padrões revelam a persistência de desequilíbrios com nações asiáticas e vizinhas, apesar das políticas protecionistas.

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dólar – Volodymyr TVERDOKHLIB/Shutterstock.com

Impacto no superávit anual

Ao longo de 2025, os maiores superávits dos EUA foram com Holanda em US$ 60,7 bilhões, Reino Unido em US$ 32,2 bilhões e Hong Kong em US$ 28,5 bilhões. O Brasil ocupou a quarta posição com US$ 14,4 bilhões, destacando sua relevância no equilíbrio das contas americanas. Esse posicionamento contrasta com o déficit total mínimo reduzido, de apenas US$ 2,1 bilhões em comparação a 2024.

Os déficits anuais mais expressivos ocorreram com a União Europeia em US$ 218,8 bilhões, China em US$ 202,1 bilhões e México em US$ 196,9 bilhões. A guerra comercial com a China resultou em uma queda de US$ 93,4 bilhões no déficit, com exportações chinesas caindo US$ 130,4 bilhões. Outros países como Vietnã e Taiwan mantiveram déficits elevados, acima de US$ 146 bilhões cada.

Preparativos para reunião bilateral

As diplomacias de Brasília e Washington negociam os termos da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, agendada para março de 2026. O Itamaraty condiciona avanços em acordos amplos à remoção das tarifas restantes sobre produtos brasileiros. Essa posição reflete a necessidade de equilibrar as relações comerciais, impactadas pelas medidas protecionistas.

Especialistas indicam que o encontro pode abordar não apenas tarifas, mas também investimentos e cooperação em áreas como energia e tecnologia. O Brasil busca diversificar mercados para mitigar dependências, enquanto os EUA visam manter superávits em parcerias estratégicas. As discussões preliminares incluem análises de dados comerciais recentes para fundamentar propostas.

O governo brasileiro monitora o impacto contínuo das tarifas, que afetaram setores como agricultura e manufatura. Projeções apontam para uma possível recuperação em 2026 se houver alívio nas barreiras, beneficiando ambos os lados.

Análise dos fluxos mensais

Em termos mensais, o superávit dos EUA com o Brasil variou, mas manteve tendência positiva ao longo de 2025. Em janeiro, o saldo foi de US$ 85 milhões, crescendo para US$ 728,6 milhões em fevereiro e alcançando picos como US$ 2,097 bilhões em novembro. Esses números demonstram a resiliência do comércio bilateral apesar das turbulências globais.

O mês de dezembro registrou US$ 1,811 bilhões de superávit para os EUA, fechando o ano com força. Fatores como demanda por produtos americanos no Brasil, incluindo maquinaria e químicos, impulsionaram esse resultado. Importações brasileiras, por sua vez, enfrentaram desafios logísticos e tarifários, reduzindo volumes em certos períodos.

Perspectivas econômicas globais

O tarifaço de Trump, iniciado em abril de 2025, visava reduzir o déficit comercial americano, mas obteve resultados mistos. Enquanto o saldo com a China melhorou, o total global diminuiu apenas marginalmente. Economias como o Brasil, que mantiveram superávits para os EUA, destacam exceções à regra geral de aumento nos déficits.

Projeções para 2026 indicam que os EUA podem buscar superávits mensais positivos pela primeira vez desde 1975, com estimativas de US$ 55,5 bilhões em certos meses. No entanto, persistentes déficits com Ásia e América Latina desafiam essa meta. O Brasil, como parceiro chave, pode influenciar negociações futuras.

Detalhes setoriais do comércio

No setor de bens, os EUA exportaram principalmente maquinaria, químicos e aeronaves para o Brasil, sustentando o superávit. As importações americanas de produtos brasileiros incluíram commodities como café, suco de laranja e minérios, mas com volumes reduzidos devido às tarifas. Essa dinâmica alterou cadeias de suprimento, forçando ajustes em ambos os lados.

Serviços também contribuíram, com superávit americano de US$ 23,1 bilhões em 2024, crescendo 31,9% em relação ao ano anterior. Áreas como tecnologia e finanças fortaleceram essa posição. Para o Brasil, o foco em diversificação inclui parcerias com China e União Europeia, onde exportações cresceram.

  • Exportações brasileiras para China aumentaram 6% para US$ 100 bilhões.
  • Vendas para a União Europeia subiram 3,2%.
  • Envios para a Argentina saltaram 31,4%.
  • Quedas foram registradas apenas para os EUA, de 6,6%.

Esses ajustes mitigaram impactos, mantendo o superávit comercial brasileiro em US$ 68,3 bilhões para 2025, apesar da redução de 7,9% em relação a 2024.

Tendências recentes no comércio

O comércio bilateral EUA-Brasil totalizou cerca de US$ 127,6 bilhões em 2024, crescendo 12,2% para estimativas semelhantes em 2025. Exportações americanas de bens somaram US$ 49,1 bilhões, up 10,3%, enquanto importações foram US$ 42,3 bilhões, up 8,4%. O superávit em bens foi de US$ 6,8 bilhões, reforçando a posição favorável.

Em novembro de 2025, os EUA exportaram US$ 4,31 bilhões e importaram US$ 2,21 bilhões do Brasil, gerando saldo de US$ 2,1 bilhões. Essa tendência mensal reflete a estabilidade, apesar de flutuações sazonais. Analistas preveem continuidade em 2026, dependendo de negociações.

O investimento direto estrangeiro americano no Brasil emergiu como principal fonte, alterando dinâmicas além do comércio. Tarifas impactaram produtos onde o Brasil é fornecedor chave, como café e minérios, reduzindo importações americanas em 44,5% em certos meses.

Balança comercial brasileira em foco

A balança comercial brasileira fechou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, terceiro maior da série histórica. Exportações totais atingiram US$ 348,676 bilhões, up 3,5%, com recordes em manufaturados e extrativos. Importações cresceram, pressionadas por bens de capital e combustíveis.

Apesar do tarifaço, o Brasil registrou superávit recorde em dezembro de US$ 9,633 bilhões, up 107,8%. Esse desempenho superou expectativas, impulsionado por volumes elevados em soja, café e minérios. O saldo anual poderia ser maior sem o impacto no comércio com os EUA.

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