O município de Juiz de Fora amanheceu em estado de alerta máximo nesta terça-feira, enfrentando o mês de fevereiro mais chuvoso de sua história recente. O volume recorde de precipitação resultou em uma tragédia humanitária na Zona da Mata mineira, contabilizando óbitos e centenas de moradores forçados a deixar suas residências devido ao risco iminente de novos deslizamentos de terra em encostas instáveis.
Diante do cenário de destruição generalizada, a administração municipal oficializou o decreto de calamidade pública para acelerar a mobilização de recursos federais e ajuda humanitária emergencial. As autoridades locais confirmaram que o acumulado de chuvas ultrapassou a marca de 584 milímetros, o que representa o dobro do volume esperado para todo o mês, colapsando a infraestrutura de drenagem e causando o transbordamento do Rio Paraibuna e de diversos córregos que cortam a cidade.
PLANTÃO DE CHUVAS
Polícia Militar realiza resgate de pessoa ilhada na rua Fonseca Hermes, no centro da cidade. pic.twitter.com/uRnAP67wee
— Prefeitura em Alerta (@PJFemAlerta) February 24, 2026
Buscas intensas por sobreviventes nos bairros afetados
As operações de salvamento concentram-se em áreas críticas onde o solo encharcado cedeu sobre residências e vias públicas. No bairro Parque Burnier, as equipes do Corpo de Bombeiros trabalham incessantemente para localizar 45 pessoas que constam na lista de desaparecidos, incluindo crianças que estavam nos imóveis atingidos no momento do temporal. O terreno instável dificulta o acesso de maquinário pesado, exigindo esforço manual dos militares e o auxílio de cães farejadores para identificar sinais de vida sob os escombros.
Além das buscas, os agentes atendem a dezenas de chamados relacionados a desabamentos de edificações e moradores ilhados em pontos de alagamento. Nove pessoas foram resgatadas com vida nas últimas horas e encaminhadas para atendimento médico. O Hospital de Pronto Socorro (HPS) atua como unidade de referência para receber os feridos, enquanto equipes de assistência social realizam a triagem das famílias que perderam tudo.
Juiz de Fora acaba de perder o título de Manchester mineira e ganhar o de Veneza mineira toda chuva, as ruas viram canais, a defesa civil disparam alarmes do armageddon diluvianos. uma chuva pior que a outra além dos raios e trovões.
Que C'est Triste Venise
T R A G E D I A. pic.twitter.com/Ykk1yYLQnT— cavaleiro de bagdá ⏳ (@hugobritess) February 24, 2026
Danos estendem-se a municípios vizinhos
A devastação climática não se restringiu apenas a Juiz de Fora, afetando gravemente outras cidades da região da Zona da Mata. Em Ubá, o transbordamento de rios transformou a Avenida Beira Rio em um curso d’água violento, resultando em quatro óbitos confirmados pela Polícia Militar. A força da água invadiu comércios e residências, obrigando a população a buscar refúgio em locais mais altos.
No município de Matias Barbosa, o executivo local também reconheceu a gravidade da situação ao decretar estado de calamidade pública, visando amparar as famílias atingidas pelas enchentes que isolaram bairros inteiros. A coordenação regional da Defesa Civil monitora as previsões meteorológicas, que indicam a possibilidade de novos temporais, mantendo o alerta para riscos geológicos em toda a região serrana.
Mobilização para atendimento aos desabrigados
Com as aulas suspensas em toda a rede municipal por questões de segurança e logística, escolas e ginásios foram adaptados apressadamente para acolher os 440 desabrigados contabilizados até o momento. Voluntários e servidores públicos organizam a distribuição de colchões, alimentos, água potável e itens de higiene pessoal, enquanto campanhas de doação ganham força para suprir a demanda crescente das vítimas desta catástrofe.