A adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes” dirigida por Emerald Fennell divide opiniões entre críticos e público desde o lançamento nos cinemas em fevereiro de 2026. O filme, estrelado por Margot Robbie como Cathy e Jacob Elordi como Heathcliff, apresenta uma releitura ousada do clássico de Emily Brontë, com ênfase em elementos visuais intensos e cenas de desejo explícito, o que gerou reações mistas.
O longa estreou em 13 de fevereiro de 2026 nos Estados Unidos (com exibições internacionais a partir de 11 de fevereiro), distribuído pela Warner Bros. Pictures. Fennell, conhecida por “Promising Young Woman” e “Saltburn”, optou por adaptar apenas a primeira metade do romance, focando na paixão inicial entre os protagonistas e interrompendo antes das consequências intergeracionais. A diretora justificou a abordagem afirmando que se trata de sua interpretação pessoal, destacada pelas aspas no título original em inglês, “Wuthering Heights”, para sinalizar que não pretende ser uma fiel transposição do livro.
As críticas apontam que o filme prioriza imagens sensuais e estilizadas, como close-ups de texturas orgânicas e sequências eróticas, em detrimento da profundidade psicológica e do trauma do original. Alguns veículos destacam o visual vibrante e a carnalidade adicionada, enquanto outros consideram a narrativa superficial, com personagens reduzidos e mudanças significativas, como a etnia de Heathcliff e dinâmicas alteradas entre figuras secundárias.
Recepção dividida entre público e crítica
O filme acumula elogios pela ousadia estilística e pelas atuações principais. Margot Robbie e Jacob Elordi entregam performances intensas que capturam a obsessão e o conflito dos personagens, com química evidente nas cenas de intimidade. A direção de Fennell cria uma atmosfera hipnótica, com fotografia rica em cores e simbolismos que evocam desejo e loucura.
Críticos observam que a adaptação transforma o gótico romântico em algo mais contemporâneo e provocativo. Elementos como cenas de sexo explícito e dinâmicas de poder ganham destaque, diferenciando-se de versões anteriores. O público tem respondido positivamente em bilheteria, com arrecadação expressiva no fim de semana de estreia, indicando apelo para quem busca um romance dramático visualmente impactante.
Elementos visuais e escolhas narrativas
Fennell incorpora close-ups detalhados de objetos cotidianos, como ovos rachados e gotas de chuva, para simbolizar superficialidade e intensidade sensorial. A trilha sonora e o design de produção reforçam uma estética moderna misturada ao período, com figurinos e cenários que contrastam o clássico com toques contemporâneos.
A narrativa se concentra na paixão proibida entre Cathy e Heathcliff, explorando temas de luxúria, amor destrutivo e loucura. Mudanças no enredo, como a ênfase em aspectos carnais e a omissão de partes posteriores do livro, geram debate sobre fidelidade à obra original.
Controvérsias em torno da adaptação
Parte das discussões envolve as liberdades criativas tomadas. Alterações em personagens secundários e na representação étnica de Heathcliff provocaram críticas por supostamente suavizar elementos sociais do romance. Outros apontam que a versão romantiza excessivamente relações tóxicas, transformando-as em fantasia erótica.
Apesar disso, o filme mantém elementos centrais do original, como a intensidade emocional e o conflito de classes. A diretora defendeu sua visão como uma experiência subjetiva de leitura, priorizando sensação sobre literalidade.
Bilheteria e impacto cultural
O longa tem desempenho comercial sólido, beneficiado pelo elenco de estrelas e pela polêmica gerada. A estreia coincidiu com o Dia dos Namorados em alguns mercados, o que impulsionou o interesse por um romance épico.
A produção reforça o estilo autoral de Fennell, marcada por provocações e explorações de desejo e poder. O filme continua em cartaz em diversos cinemas, alimentando conversas sobre adaptações literárias no cinema contemporâneo.