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Escalada de tensão no Oriente Médio impulsiona dólar em dia de aversão ao risco

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dólar - Volodymyr TVERDOKHLIB/Shutterstock.com

A divisa norte-americana encerrou as negociações desta quinta-feira, 5 de março de 2026, com uma valorização consistente frente ao real, refletindo o clima de apreensão nos mercados globais. Durante a sessão, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,19 e atingiu máximas superiores a R$ 5,29, consolidando uma alta diária entre 0,8% e 1,1%. O movimento de compra foi impulsionado pela busca de investidores por ativos de segurança diante do agravamento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

No cenário internacional, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas fortes, avançou 0,47%, situando-se próximo aos 99,23 pontos. Esse fortalecimento global da moeda americana pressionou divisas emergentes, incluindo o real, que sofreu com a saída de capital estrangeiro em direção a portos seguros. O dólar turismo, utilizado em transações de viagens e cartões de crédito, acompanhou a tendência de alta, sendo negociado entre R$ 5,45 e R$ 5,55 nas principais casas de câmbio.

A abertura do mercado já indicava um dia de estresse, com a cotação partindo de R$ 5,23 e ganhando força ao longo da manhã. O fluxo de notícias sobre possíveis interrupções no fornecimento de petróleo e a retórica militar no Oriente Médio mantiveram a pressão sobre os preços. Mesmo com movimentos pontuais de venda por parte de exportadores brasileiros, que aproveitaram as taxas mais altas para liquidar compromissos, a tendência predominante foi de valorização da moeda estrangeira.

Especialistas apontam que a combinação de juros americanos e instabilidade política externa cria um cenário desafiador para o câmbio doméstico. A taxa PTAX, calculada pelo Banco Central, confirmou a trajetória ascendente no fechamento do dia, servindo de referência para a liquidação de contratos futuros e balizando as expectativas para as próximas sessões.

Impactos no mercado acionário e commodities

O ambiente de aversão ao risco contaminou as bolsas de valores ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones Industrial Average chegou a recuar mais de 1.000 pontos em momentos críticos do pregão, partindo de 47.690 pontos. O S&P 500 e o Nasdaq também operaram no vermelho, embora o setor de tecnologia tenha apresentado perdas ligeiramente menores em comparação aos setores industriais e de energia.

No Brasil, o Ibovespa seguiu a dinâmica negativa do exterior. A alta do petróleo, com os contratos Brent e WTI disparando devido aos riscos de desabastecimento, trouxe preocupações adicionais sobre a inflação global. O índice VIX, conhecido como o “termômetro do medo” em Wall Street, registrou uma elevação abrupta, sinalizando que a volatilidade deve permanecer alta no curto prazo.

Investidores locais monitoraram de perto os desdobramentos externos, que ofuscaram fatores domésticos como o fluxo cambial e a política monetária brasileira. A percepção de risco aumentou, levando a uma realocação de portfólios que penalizou ativos de renda variável e moedas de países emergentes.

Desempenho frente às principais moedas

O dólar demonstrou força generalizada no mercado forex, superando as principais divisas globais. O euro e a libra esterlina recuaram diante da moeda americana, enquanto o iene japonês, tradicionalmente um refúgio, também sofreu depreciação. Moedas ligadas a commodities, como o dólar australiano e o neozelandês, não escaparam da tendência de queda.

Abaixo, o comportamento das principais moedas em relação ao dólar:

  • Euro (EUR): desvalorização entre 0,4% e 0,6%.
  • Libra esterlina (GBP): queda na faixa de 0,5% a 0,8%.
  • Iene japonês (JPY): recuo de 0,3% a 0,5%.
  • Dólar australiano (AUD): queda próxima de 0,3%.
  • Dólar canadense (CAD): variação negativa inferior a 0,6%, amortecida pela alta do petróleo.
  • Franco suíço (CHF): estabilidade com leve viés de alta.
  • Yuan chinês offshore (CNH): depreciação moderada.
  • Coroa sueca (SEK): recuo marginal.
  • Dólar neozelandês (NZD): queda em torno de 0,3%.

Cotação das divisas em reais

Com a valorização do dólar comercial, as taxas de conversão das principais moedas internacionais frente ao real também sofreram ajustes significativos nesta quinta-feira. O mercado de câmbio refletiu a perda de valor da moeda brasileira de forma ampla.

Confira as cotações aproximadas de fechamento para 05/03/2026:

  • Euro (EUR/BRL): negociado entre R$ 6,10 e R$ 6,12.
  • Libra esterlina (GBP/BRL): patamar de R$ 7,04.
  • Iene japonês (JPY/BRL): cotação de R$ 0,0335.
  • Dólar australiano (AUD/BRL): próximo de R$ 3,69.
  • Dólar canadense (CAD/BRL): cerca de R$ 3,86.
  • Franco suíço (CHF/BRL): aproximadamente R$ 6,75.
  • Yuan chinês offshore (CNH/BRL): em torno de R$ 0,76.
  • Coroa sueca (SEK/BRL): próximo de R$ 0,57.
  • Dólar neozelandês (NZD/BRL): cerca de R$ 3,11.

O mercado financeiro encerra o dia em estado de alerta, aguardando novos posicionamentos oficiais das potências envolvidas no conflito e a divulgação de indicadores econômicos nos Estados Unidos que possam influenciar as próximas decisões do Federal Reserve.

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