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Jeffrey Epstein mudou tática de abusos e passou a recrutar modelos adultas após prisão em 2008

Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein - Foto: Reprodução/Netflix

O financista americano Jeffrey Epstein modificou sua rede de aliciamento após cumprir pena parcial por crimes sexuais no ano de 2008. A estratégia passou a focar no recrutamento de mulheres maiores de idade que possuíam traços físicos juvenis, com o objetivo de despistar as autoridades e evitar novas investigações policiais imediatas sobre suas atividades ilícitas.

A alteração no perfil das vítimas ocorreu logo após a sua saída do regime semiaberto, período em que cumpriu 13 meses de prisão. Advogados de acusação notaram uma mudança no padrão de comportamento do criminoso, uma vez que o foco em jovens com mais de 18 anos reduzia os riscos jurídicos associados à corrupção de menores, permitindo a continuidade das operações.

– Ofertas de testes falsos para grandes marcas de moda internacionais serviam como isca inicial.

– Auxílio burocrático para a obtenção de vistos americanos de trabalho garantia a permanência das estrangeiras.

– Fornecimento de moradia em bairros nobres de Manhattan ocorria com despesas rigorosamente monitoradas.

A ex-modelo russa Svetlana Pozhidaeva foi uma das mulheres inseridas nesse esquema adaptado. Ela relatou ter sido abordada com a promessa de um contrato para a Victoria’s Secret, oferta que serviu como porta de entrada para um ciclo de abusos, coerção e dependência financeira que se estendeu por anos.

Nova tática de recrutamento no mercado da moda

O advogado Brad Edwards, responsável por representar dezenas de vítimas do financista, detalhou que a escolha por adultas com aparência de adolescentes foi uma manobra calculada. A intenção era manter a estrutura de abusos ativa sem atrair a atenção policial que resultou na primeira condenação judicial na Flórida.

As abordagens ocorriam frequentemente em eventos do setor de vestuário e por meio de falsos olheiros que identificavam alvos vulneráveis. As jovens, muitas vezes estrangeiras em busca de oportunidades nos Estados Unidos, viam no contato com o milionário uma chance de alavancar suas carreiras em um mercado restrito.

Testes fotográficos eram agendados e reuniões com supostos agentes de talentos faziam parte da encenação inicial. No entanto, as promessas profissionais raramente se concretizavam, servindo apenas como ferramenta para isolar as mulheres de suas redes de apoio originais e inseri-las na rotina das propriedades do criminoso.

Domínio financeiro e monitoramento de despesas

O controle exercido sobre o grupo ia muito além das falsas promessas de emprego, estendendo-se para um domínio financeiro absoluto. O criminoso rastreava cada centavo gasto pelas jovens alojadas em seus imóveis em Nova York, criando planilhas detalhadas de dívidas que eram apresentadas regularmente. Esse mecanismo gerava um sentimento de obrigação, pois as vítimas eram cobradas por não alcançarem o sucesso profissional prometido, sendo responsabilizadas pelo próprio fracasso em uma indústria altamente competitiva e instável.

O isolamento social era aprofundado pela dependência habitacional e migratória. Mulheres vindas da Europa, como a modelo russa, dependiam da influência do abusador para manter o status legal no país e garantir um teto. O medo de represálias, somado às supostas conexões do financista com autoridades governamentais de diversos países, criava uma barreira invisível que impedia denúncias e mantinha as vítimas presas em uma situação de vulnerabilidade prolongada, sem acesso a vias de escape seguras.

Relatos de coerção e a rede de Svetlana Pozhidaeva

Svetlana Pozhidaeva tinha pouco mais de 20 anos quando foi inserida na estrutura criminosa. Ela trabalhava com marcas europeias e buscava expansão no mercado norte-americano quando aceitou o auxílio oferecido pela equipe do milionário.

Em depoimentos recentes ao Wall Street Journal, a ex-modelo descreveu a rotina de abusos repetidos e a pressão psicológica constante. Ela foi alojada em um prédio residencial, dividindo o espaço com outras estrangeiras que enfrentavam as mesmas falsas promessas.

A russa revelou que o trauma a impedia de perceber a gravidade da situação de forma imediata. A dor individual ofuscava o entendimento de que dezenas de outras mulheres estavam sendo submetidas ao mesmo processo de exploração sistemática.

Ela expressou vergonha por não ter sido menor de idade na época dos fatos, carregando por anos a culpa por ter aceitado as ofertas iniciais. O peso emocional foi agravado pela exigência de que as próprias vítimas trouxessem novas jovens para o círculo.

Exigência de recrutamento interno

A manutenção do esquema dependia da renovação constante do grupo de mulheres à disposição do financista. As vítimas mais antigas eram coagidas a atuar como recrutadoras, buscando novas modelos que se encaixassem no padrão estético exigido para evitar punições.

Essa tarefa de cooptação aumentava o desgaste psicológico das envolvidas, que se viam forçadas a colocar outras profissionais na mesma armadilha. A recusa em participar dessa etapa resultava em ameaças de corte financeiro e perda do patrocínio para os vistos de trabalho.

Arquivos judiciais e figuras públicas mencionadas

A liberação de milhares de páginas de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxe à tona a vasta rede de contatos mantida pelo criminoso durante décadas. Os arquivos, que incluem e-mails com erros de digitação e agendas telefônicas detalhadas, mencionam o nome de Svetlana Pozhidaeva em meio a conversas com figuras de alto escalão, como o ex-príncipe Andrew e o ex-embaixador britânico Peter Mandelson. Embora nomes de personalidades da política, do entretenimento e das finanças, incluindo Donald Trump e Michael Jackson, apareçam nos registros liberados recentemente, não há novas acusações formais diretas contra eles nestes lotes específicos. A divulgação contínua desses materiais tem o propósito de mapear a logística de operação da rede de tráfico sexual, evidenciando como o acesso a pessoas poderosas era utilizado como ferramenta de intimidação para silenciar as vítimas e garantir a continuidade das operações realizadas nas propriedades de luxo sem interferência externa.

Atuação conjunta na manutenção do esquema

A estrutura de aliciamento não era operada de forma solitária. Ghislaine Maxwell desempenhava um papel central na identificação, aproximação e controle das jovens, facilitando a transição do foco de menores para adultas após o ano de 2008.

A presença de uma figura feminina nos primeiros contatos ajudava a quebrar a resistência das modelos e transmitia uma falsa sensação de segurança. Essa dinâmica de dupla atuação foi fundamental para a longevidade das atividades ilícitas e para a expansão da rede internacional.

Encerramento das investigações sobre o óbito

O líder da rede criminosa foi encontrado morto em sua cela em Manhattan no dia 10 de agosto de 2019. Relatórios oficiais do FBI e do Departamento de Justiça confirmaram o suicídio, descartando teorias de assassinato e vídeos falsos gerados por inteligência artificial que circulam na internet sugerindo que ele estaria vivo na Flórida.

Desdobramentos e a busca por reparação

Mesmo após o encerramento das ações penais contra o principal acusado devido à sua morte, o caso continua a gerar movimentações na esfera civil. Vítimas buscam reparação financeira contra o espólio e instituições bancárias que facilitaram a movimentação dos recursos utilizados no esquema de tráfico.

Os depoimentos tornados públicos ajudam a desconstruir a logística de uma das maiores redes de exploração já registradas. Relatos como o da ex-modelo russa evidenciam a necessidade de vigilância sobre táticas de coerção que se disfarçam de oportunidades profissionais legítimas no mercado de trabalho.

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