A Nasa conclui os preparativos finais para o lançamento da missão Artemis II, programada para ocorrer no dia 1º de abril a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com horário local nos Estados Unidos. Quatro astronautas embarcarão na espaçonave Orion acoplada ao foguete Space Launch System (SLS) para realizar um sobrevoo do lado oculto da Lua em uma jornada de aproximadamente 10 dias. Esta será a primeira missão tripulada do programa Artemis e o retorno de humanos à proximidade da Lua após mais de cinco décadas desde a Apollo 17 em 1972.
A tripulação internacional inclui o comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o especialista de missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Wiseman acumula experiência na Estação Espacial Internacional e em caminhadas espaciais. Glover também possui histórico na ISS e se tornará o primeiro astronauta negro a viajar para o espaço profundo. Koch detém o recorde de permanência mais longa no espaço por uma mulher, com 328 dias. Hansen será o primeiro canadense a participar de uma missão lunar.
- Reid Wiseman atua como comandante da missão
- Victor Glover serve como piloto
- Christina Koch e Jeremy Hansen completam a equipe como especialistas de missão
Os astronautas realizarão o voo mais distante da Terra na história da exploração humana tripulada. A trajetória levará a espaçonave a uma distância superior a 400 mil quilômetros da Terra, especialmente com a Lua próxima ao apogeu durante o período de lançamento. A missão testará sistemas de suporte à vida, navegação e comunicação em condições de espaço profundo antes de missões subsequentes.
Detalhes do foguete sls e sequência de lançamento
O foguete SLS, com aproximadamente 98 metros de altura, representa o veículo de lançamento mais poderoso já desenvolvido pela Nasa para missões tripuladas. O estágio central carrega cerca de 2 milhões de litros de hidrogênio líquido e 740 mil litros de oxigênio líquido, alimentando quatro motores RS-25 que geram em torno de 770 toneladas de empuxo. Dois foguetes auxiliares de combustível sólido, posicionados lateralmente, contribuem com aproximadamente 1.500 toneladas de empuxo cada um, elevando o empuxo total de decolagem para mais de 8 milhões de libras.
Após a ignição, o veículo ascende rapidamente e separa os boosters sólidos após cerca de dois minutos. O estágio central opera por aproximadamente oito minutos antes de se desprender. O estágio superior realiza queimas adicionais para inserir a Orion em órbita terrestre elevada. Cerca de dois dias após o lançamento, o módulo de serviço europeu executa a injeção translunar, direcionando a espaçonave para a Lua.
A Nasa realizou ajustes no foguete após transferência para a plataforma de lançamento em janeiro, incluindo correções em sistemas de abastecimento de hélio no estágio superior. O veículo retornou ao Edifício de Montagem de Veículos para verificações e agora está posicionado para a janela de lançamento entre 1º e 6 de abril.
We're flying around the Moon. Come watch with us.
— NASA (@NASA) March 25, 2026
Live coverage of Artemis II prelaunch activities begins Friday, March 27, when the crew arrives at @NASAKennedy. Here's the full Artemis II event schedule — keep checking back for the latest updates: https://t.co/jroi7BTUA5 pic.twitter.com/9DDkjTdt3K
Perfil da tripulação e experiência acumulada
Reid Wiseman e Victor Glover trazem bagagem de voos anteriores na Estação Espacial Internacional, com treinamento específico para operações em espaço profundo. Christina Koch contribui com expertise em engenharia de sistemas e ciências, além de sua extensa permanência em órbita. Jeremy Hansen, piloto da Força Aérea Canadense, adiciona perspectiva internacional ao programa Artemis, que envolve parcerias globais.
Esses quatro tripulantes se juntam ao grupo restrito de apenas 24 pessoas que viajaram além da órbita terrestre baixa em direção à Lua. A missão Artemis II marca o primeiro voo humano com o SLS e a Orion, após o teste não tripulado bem-sucedido da Artemis I, que utilizou manequins para avaliar radiação e outros fatores ambientais.
A tripulação realizará atividades de pilotagem manual da Orion após separação do estágio superior, incluindo treinamentos de acoplamento simulados. Esses procedimentos preparam operações futuras que envolvem módulos de pouso lunar desenvolvidos por parceiros comerciais.
Observação do lado oculto da lua e aspectos científicos
No quinto dia da missão, os astronautas sobrevoarão o lado oculto da Lua a uma altitude de aproximadamente 7.400 quilômetros acima da superfície, maior que as missões Apollo. Essa trajetória permite a visualização de uma vasta área iluminada pelo Sol, incluindo formações geológicas como a Bacia Orientale e a Bacia Polo Sul-Aitken, algumas das crateras mais antigas do sistema solar.
Durante a passagem pelo lado oculto, a comunicação com a Terra será interrompida por 30 a 50 minutos devido à obstrução lunar. Os astronautas observarão regiões compostas principalmente por crosta anortosítica antiga, rica em plagioclásio, contrastando com os mares basálticos do lado visível. Geólogos da Nasa destacam o potencial científico de observações humanas diretas, que complementam dados de sondas automatizadas ao capturar nuances de cor, refletividade e iluminação.
A Lua preserva registros geológicos de eventos antigos do sistema solar, apagados na Terra por processos como erosão e tectônica de placas. A missão Artemis II coleta dados visuais e experienciais que apoiam análises sobre a formação planetária e a história do bombardeio tardio.
Riscos e desafios da jornada em espaço profundo
A distância extrema introduz desafios específicos para sistemas de suporte à vida, proteção contra radiação e reentrada atmosférica. A espaçonave Orion enfrentará velocidades de reentrada próximas a 40 mil quilômetros por hora e temperaturas de até 1.650 graus Celsius. Ajustes no ângulo de reentrada visam mitigar problemas identificados no escudo térmico durante a Artemis I, como desprendimento de material.
A cápsula desacelerará com paraquedas em etapas antes de amerissar no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia. Equipes de resgate estarão posicionadas para recuperar a tripulação ao final dos 10 dias. Engenheiros monitoram todos os sistemas para garantir redundância em caso de anomalias durante as fases de ascensão, translunar e retorno.
Preparação para missões subsequentes do programa artemis
A Artemis II serve como teste crítico de hardware e procedimentos antes de etapas mais complexas. A Nasa atualizou o cronograma do programa, com a Artemis III agora planejada para meados de 2027 como missão em órbita terrestre baixa para validar acoplamentos com módulos de pouso lunar de parceiros como SpaceX e Blue Origin.
A Artemis IV, prevista para 2028, visa o primeiro pouso tripulado na superfície lunar desde a era Apollo. Essas missões progressivas constroem capacidades para uma presença sustentável na Lua, incluindo testes de reabastecimento em órbita e sistemas de suporte à vida avançados. O programa prepara o caminho para explorações futuras em direção a Marte e outros destinos no sistema solar.
A execução bem-sucedida da Artemis II valida o SLS como veículo de lançamento humano e a Orion como espaçonave para missões de longa duração. Equipes continuam refinando operações no Centro Espacial Kennedy para garantir alinhamento com janelas de lançamento e condições meteorológicas.