Política

Polícia Federal confirma prisão de Alexandre Ramagem pelo ICE nos EUA

Alexandre Ramagem
Alexandre Ramagem - Saulo Ferreira Angelo / Shutterstock.com

O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos prendeu o ex-deputado federal Alexandre Ramagem em Orlando, na Flórida. A detenção ocorreu por volta das 11h no horário local, equivalente a 12h em Brasília, nesta segunda-feira. Ele foi levado a um centro de detenção na cidade. A Polícia Federal confirmou a informação e informou que mantém contato com as autoridades norte-americanas para os próximos trâmites.

O ex-parlamentar, que deixou o Brasil após condenação pelo Supremo Tribunal Federal, foi detido por questões migratórias. O governo brasileiro aguarda detalhes sobre o processo de retorno. O diretor-geral da Polícia Federal afirmou que a prisão resulta de cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Prisão em Orlando

Ramagem andava pela rua quando foi abordado pelo ICE. A detenção aconteceu em plena via pública na cidade da Flórida. Ele não resistiu à abordagem. Autoridades brasileiras receberam a comunicação oficial por volta das 12h em Brasília.

A Polícia Federal atua como interlocutora no caso. O órgão aguarda mais informações sobre o status migratório exato do ex-deputado. Até o momento, não há definição sobre o prazo ou os procedimentos para eventual extradição.

Antecedentes da condenação

O Supremo Tribunal Federal condenou Ramagem a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A pena foi fixada pela Primeira Turma da corte. Ele integra o núcleo acusado de participar da trama que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.

A condenação inclui crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O ex-deputado recorre em liberdade até a decisão final. Após o trânsito em julgado, ele deixou o país de forma clandestina.

Alexandre Ramagem em entrevista ao g1 — Foto: Stephanie Rodrigues/g1
Alexandre Ramagem em entrevista ao g1 — Foto: Stephanie Rodrigues/g1

Ramagem atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana em setembro de 2025. Ele seguiu depois para os Estados Unidos. O Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição e encaminhou a documentação ao Departamento de Estado americano em dezembro de 2025.

  • Ramagem teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025
  • A Câmara cancelou o passaporte diplomático dele após a cassação
  • O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio dos vencimentos parlamentares

Perfil do ex-deputado

Alexandre Ramagem ingressou na Polícia Federal em 2005. Ele ganhou projeção ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora durante a campanha de 2018. Na gestão Bolsonaro, Ramagem foi nomeado diretor da Agência Brasileira de Inteligência.

Sua passagem pela Abin é alvo de investigações sobre suposto uso irregular da estrutura do órgão para monitorar adversários políticos. Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da Polícia Federal, mas a indicação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes devido à proximidade com a família presidencial.

Em 2022, Ramagem foi eleito deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro com cerca de 59 mil votos. Ele disputou a Prefeitura do Rio em 2024 e terminou a eleição em segundo lugar. O mandato foi cassado após a condenação criminal.

Medidas anteriores contra Ramagem

O ministro Alexandre de Moraes incluiu o nome de Ramagem na lista da Interpol. A medida facilitou a possibilidade de detenção por autoridades estrangeiras. O ex-deputado era considerado foragido da Justiça brasileira desde a saída do país.

Aliados dele mencionavam a intenção de solicitar asilo político nos Estados Unidos. Enquanto isso, ele sofreu sanções administrativas e políticas no Brasil. A Câmara dos Deputados agiu em sequência após a condenação.

O governo brasileiro mantém o pedido de extradição ativo. A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação necessária. As autoridades americanas agora analisam o caso dentro das regras bilaterais de cooperação.

Situação atual e próximos passos

A Polícia Federal segue em contato direto com o ICE e outras instâncias nos Estados Unidos. O diretor-geral Andrei Rodrigues destacou a importância da cooperação entre os dois países. Nenhum detalhe adicional sobre condições de detenção ou audiência inicial foi divulgado até o momento.

O caso ganha atenção internacional por envolver um ex-diretor de inteligência e ex-parlamentar condenado por crimes contra o Estado Democrático. As investigações no Brasil continuam em paralelo. O retorno de Ramagem depende da decisão das autoridades norte-americanas sobre o pedido de extradição.

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