A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos divulgou novo relatório sobre as condições no Pacífico. A fase La Niña chegou ao fim. O sistema agora se encontra em condições neutras do ENSO.
Meteorologistas preveem alta probabilidade de desenvolvimento de El Niño a partir de maio ou junho de 2026. O fenômeno pode persistir até o final do ano. Algumas projeções apontam para a possibilidade de um episódio forte.
Transição atual no oceano Pacífico
As temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial estão próximas ou ligeiramente abaixo da média. A NOAA emitiu o alerta final de La Niña e colocou em observação para El Niño.
Ventos alísios enfraqueceram recentemente. Anomalias de vento do oeste no Pacífico ocidental contribuem para o aquecimento das camadas subsuperficiais. Essa configuração favorece a mudança de padrão.
O Centro de Previsão Climática da agência projeta que as condições neutras continuem favoráveis até abril-junho de 2026, com probabilidade de 80%. A partir de maio-julho, o El Niño ganha força nas estimativas.
Definição e força do fenômeno
O El Niño se caracteriza pelo enfraquecimento dos ventos alísios e pelo acúmulo de águas mais quentes no leste do Pacífico. Isso reduz a ressurgência de águas frias das profundezas.
Em eventos fortes, as anomalias de temperatura da superfície do mar superam 1,5 grau Celsius. Quando chegam a 2 graus ou mais, o episódio é considerado muito intenso. A NOAA não usa o termo super El Niño de forma oficial, mas reconhece o risco de um evento nessa magnitude.
- Anomalias acima de 0,5 grau Celsius indicam El Niño
- Acima de 1,5 grau Celsius configuram evento forte
- Acima de 2,0 graus Celsius representam o nível mais elevado
A duração habitual varia entre nove e 12 meses. O ciclo completo do ENSO pode se estender por dois a sete anos.

Possíveis efeitos no clima
O El Niño modifica os padrões de circulação atmosférica e altera a distribuição de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo. Regiões do leste do Pacífico tendem a ter mais precipitação. Áreas do oeste podem registrar períodos de seca.
Na América do Sul, partes do norte e leste do Brasil costumam enfrentar redução de chuvas, enquanto o sul pode receber volumes maiores. Secas em zonas agrícolas e aumento de incêndios florestais ocorreram em episódios anteriores.
No hemisfério norte, invernos podem ser mais amenos em algumas regiões dos Estados Unidos e Canadá. A temporada de furacões no Atlântico tende a ser menos ativa. O Pacífico central pode registrar maior atividade ciclônica.
O fenômeno libera calor do oceano para a atmosfera. Isso contribui para elevação temporária das temperaturas médias globais.
Monitoramento e probabilidades
A NOAA atualiza as projeções a cada mês. A próxima revisão está prevista para maio. Modelos como o conjunto norte-americano NMME indicam transição para El Niño, mas divergem sobre a intensidade final.
A probabilidade de surgimento do El Niño chega a 61% entre maio e julho de 2026 e a 62% entre junho e agosto. O evento deve se manter até o fim de 2026. A chance de um episódio muito forte depende da continuidade de anomalias de vento oeste durante o verão no hemisfério norte.
Equipes de meteorologia observam o conteúdo de calor no oceano e os padrões de vento. Esses dados ajudam a ajustar as previsões nos próximos meses.