Um cientista da Nasa identificou uma nova chuva de meteoros a partir da análise de milhões de registros coletados por redes de câmeras. O aglomerado de 282 meteoros aponta para um asteroide ainda não detectado que se fragmenta ao se aproximar do Sol. A descoberta foi detalhada em estudo publicado no Astrophysical Journal em março de 2026.
O trabalho usa dados de observatórios automatizados localizados no Canadá, no Japão, na Califórnia e na Europa. Esses equipamentos registram estrelas cadentes todas as noites. A maioria dos fragmentos que geram meteoros vem de cometas. No entanto, asteroides também podem liberar poeira e pedaços quando sofrem estresse térmico ou outros processos.
Como se formam os meteoros na atmosfera
Quando um grão de areia espacial entra na atmosfera terrestre, ele se aquece rapidamente a mais de 24 quilômetros por segundo. A superfície vaporiza e forma um gás eletricamente carregado que faz o objeto brilhar por uma fração de segundo. Objetos maiores produzem bólidos mais brilhantes.
Redes de câmeras capturam esses eventos em tempo real. Cientistas processam os dados para determinar a órbita original dos fragmentos. Esse método permite identificar correntes de detritos que a Terra atravessa periodicamente. Cada chuva de meteoros conhecida tem origem em um corpo progenitor, geralmente um cometa.
Diferença entre cometas e asteroides ativos
Cometas são corpos gelados das regiões distantes do Sistema Solar. Ao se aproximarem do Sol, o gelo sublima e libera poeira, criando caudas visíveis. Asteroides, formados mais perto do Sol, são rochosos e secos na maioria dos casos.
Alguns asteroides exibem atividade quando o calor solar causa rachaduras na superfície ou libera gases aprisionados. O exemplo mais conhecido é o asteroide 3200 Phaethon, progenitor das Geminídeas de dezembro. Ele libera material durante passagens próximas ao Sol. A nova corrente identificada segue uma órbita de periélio baixo, compatível com esse tipo de processo térmico.
Os meteoros do aglomerado recém-descoberto são moderadamente frágeis, mais resistentes que os de cometas, mas ainda mostram sinais de fragmentação recente. Isso sugere que o calor intenso está desintegrando a superfície do corpo progenitor.

Método usado na detecção do aglomerado
- Análise estatística de similaridade orbital em mais de 235 mil meteoros
- Aplicação de critérios como DN para identificar agrupamentos compactos
- Comparação com distribuições nulas geradas por KDE para validar significância
- Isolamento de 282 membros por meio de algoritmo DBSCAN
- Cruzamento de dados entre quatro redes de câmeras independentes
Essa abordagem permitiu destacar o aglomerado mesmo em meio ao fundo esporádico de meteoros. O estudo confirma que a corrente é recente e difusa, concentrada em uma região do céu associada às Virginídeas do sul.
Importância para o monitoramento de objetos próximos à Terra
A detecção de chuvas de meteoros funciona como uma sonda sensível para localizar asteroides ativos invisíveis a telescópios tradicionais. Os detritos se espalham ao longo da órbita com o tempo devido a perturbações gravitacionais dos planetas.
Identificar essas correntes ajuda a mapear populações ocultas de objetos próximos à Terra. Essa informação contribui para a defesa planetária ao revelar corpos que podem passar perto do nosso planeta. O asteroide progenitor da nova chuva ainda não foi observado diretamente.
Próximos passos na investigação
A missão NEO Surveyor da Nasa, com lançamento previsto para 2027, deve melhorar a detecção de asteroides escuros e que se aproximam do Sol. O telescópio espacial foi projetado especialmente para tarefas de defesa planetária.
Enquanto isso, redes de câmeras continuam a registrar eventos. Cientistas planejam monitorar possíveis reforços da nova chuva em anos futuros para refinar a órbita do progenitor. A descoberta reforça o valor das observações de meteoros como complemento aos telescópios.
O estudo destaca que asteroides podem mudar ao longo do tempo por forças térmicas, impactos ou rotação rápida. Entender esses processos melhora o conhecimento sobre a evolução do Sistema Solar e a diversidade de meteoritos que chegam à Terra.