Ciência

Satélites da Nasa registram aumento de 34% na luminosidade artificial da Terra em nove anos

Mapa luminosidade da Terra
Mapa luminosidade da Terra - Nasa

Satélites da Nasa capturaram imagens que mostram a superfície da Terra iluminada por luz artificial à noite. Um estudo publicado recentemente analisou esses dados e apontou um crescimento de 34% na radiance global durante o período avaliado. A pesquisa cobriu nove anos e destacou variações regionais marcantes.

O trabalho reuniu mais de 1,16 milhão de imagens coletadas todos os dias por sensores VIIRS a bordo de satélites. As capturas ocorreram por volta das 1h30 da madrugada no horário local. Os equipamentos, do tamanho de uma geladeira, orbitam o planeta a mais de 25 mil km/h e detectam luz em comprimentos de onda que vão do visível ao infravermelho.

Imagens revelam crescimento da luz artificial em escala global

A análise indicou que o brilho noturno total aumentou de forma líquida em 16%. O avanço tecnológico na produção de petróleo e gás natural ajudou a explicar parte desse movimento, sobretudo na região central dos Estados Unidos. Cidades em expansão e redes elétricas mais robustas também contribuíram.

Nasa
Nasa – DiegoMariottini/ Shutterstock.com

Regiões da Ásia registraram os maiores ganhos. A China e o norte da Índia lideraram o aumento de luminosidade artificial. O fenômeno reflete urbanização acelerada e maior consumo de energia nessas áreas.

  • China e norte da Índia apresentaram os maiores acréscimos de luz noturna
  • Avanços na extração de petróleo e gás impulsionaram o brilho em partes dos Estados Unidos
  • Sensores VIIRS permitiram mapear mudanças diárias com resolução fina
  • Algoritmo novo processou os dados para separar variações abruptas de gradativas

Os pesquisadores desenvolveram um algoritmo específico para tratar as imagens diárias. Isso permitiu identificar mudanças rápidas que composições anuais anteriores não captavam. O resultado oferece uma visão mais dinâmica da atividade humana.

Algumas áreas do planeta registraram redução na luminosidade

Países da Europa mostraram queda no brilho noturno. A França teve redução de 33%, o Reino Unido de 22% e a Holanda de 21%. Medidas de eficiência energética e políticas contra poluição luminosa explicam parte desse recuo.

A zona entre Ucrânia e Rússia também apresentou diminuição. O conflito armado influenciou diretamente o padrão de iluminação na região. Esses casos de escurecimento compensaram em parte o crescimento observado em outros lugares.

O estudo acompanhou o período de 2014 a 2022. Cada local que mudou registrou em média 6,6 alterações distintas ao longo dos nove anos. A volatilidade aumentou especialmente depois de 2020, com impactos de crises econômicas e sanitárias.

Luz noturna serve como indicador de atividade humana

Cientistas utilizam o brilho artificial para acompanhar o fluxo de energia pelas redes elétricas e cadeias de suprimentos. O método funciona em tempo real e revela padrões que dados tradicionais não mostram.

A equipe da Universidade de Connecticut liderou o trabalho em parceria com a Nasa. Os sensores fazem parte do projeto Black Marble, que processa as informações para gerar visualizações globais.

Um parágrafo mais longo ajuda a contextualizar o alcance da pesquisa. Os satélites operados em conjunto pela Nasa e pela agência NOAA fornecem cobertura quase completa da Terra habitada. Cada pixel cobre cerca de 500 metros quadrados. A precisão permite detectar fontes de luz pequenas, como pedágios em estradas escuras.

Essa abordagem diária supera limitações de imagens mensais ou anuais. Ela captura flutuações ligadas a eventos específicos, como construções, blackouts ou mudanças políticas. O conjunto de dados abre caminho para estudos sobre evolução urbana, transição energética e efeitos ecológicos da iluminação noturna.

Volatilidade marca o padrão de mudanças na iluminação

O aumento bruto de 34% na radiance foi parcialmente compensado por uma redução de 18% em áreas que escureceram. Essa dinâmica cria um efeito de “coração pulsante” do planeta, segundo os autores. Regiões com crescimento intenso convivem lado a lado com outras em declínio.

A pesquisa destacou que tanto o clareamento quanto o escurecimento se intensificaram na última década. Fatores como urbanização, políticas públicas e crises globais explicam as oscilações. O trabalho foi publicado na revista Nature e contou com colaboração de instituições dos Estados Unidos e da Alemanha.

A imagem final produzida pelos satélites mostra um planeta com contrastes nítidos. Áreas douradas indicam forte aumento de luz, enquanto tons roxos marcam regiões que perderam brilho. Zonas brancas registram locais que passaram por ambos os movimentos no período.

Esses mapas ajudam a entender melhor como a atividade humana se distribui durante a noite. Eles também servem como ferramenta para monitorar impactos ambientais e sociais da expansão da iluminação artificial.

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