A chuva de meteoros Líridas ganha força nos próximos dias. O fenômeno ocorre quando a Terra atravessa a trilha de detritos deixada pelo cometa C/1861 G1 Thatcher. O pico de atividade está previsto para a madrugada de 22 de abril.
Astrônomos indicam que a taxa pode chegar a 18 meteoros por hora em condições ideais de céu escuro. A lua crescente com cerca de 27% de iluminação se põe cedo, o que favorece a observação. O evento está ativo desde meados de abril e segue até o fim do mês.
Pico ocorre nas primeiras horas de 22 de abril
O máximo de atividade da chuva de meteoros Líridas acontece por volta das 19h40 no horário de Greenwich em 22 de abril. No Brasil isso equivale à madrugada entre 21 e 22 de abril ou entre 22 e 23, dependendo da região.
O melhor momento para olhar o céu fica entre 2h e o amanhecer no horário de Brasília. Nessa janela o radiante, ponto de onde os meteoros parecem surgir, fica mais alto. Observadores no hemisfério norte veem taxas maiores. No sul do país a visibilidade é menor, mas ainda possível.
A constelação de Lira serve de referência. A estrela Vega, brilhante e de cor branco-azulada, ajuda a localizar a área de origem dos rastros.
- Evite olhar diretamente para o radiante para captar trilhas mais longas
- Afaste-se pelo menos 40 graus dessa direção, o equivalente a cerca de quatro punhos estendidos no braço
- Procure um local com horizonte livre para o leste e nordeste
- Espere de 20 a 30 minutos para os olhos se adaptarem à escuridão

Condições de observação favorecem o espetáculo
A lua não deve interferir muito nesta edição. Ela se põe por volta das 2h da manhã em muitas cidades brasileiras, deixando o céu mais escuro. Sem poluição luminosa excessiva, o contraste melhora e meteoros mais fracos ficam visíveis.
Regiões afastadas de grandes centros urbanos oferecem as melhores chances. Parques, áreas rurais ou praias com pouco iluminação artificial são ideais. O tempo claro e sem nuvens é essencial.
Astrônomos recomendam deitar em uma cadeira reclinável ou cobertor para cobrir o maior campo possível do céu. Binóculos ou telescópios não ajudam, pois limitam a visão periférica. Uma lanterna com luz vermelha preserva a adaptação noturna.
Origem cósmica remonta a um cometa de órbita longa
Os meteoros Líridas são fragmentos do cometa C/1861 G1 Thatcher. Esse corpo celeste tem período orbital de cerca de 415 anos e passou perto do Sol pela última vez em 1861. A Terra cruza anualmente essa corrente de poeira e pedras pequenas.
Ao entrar na atmosfera a cerca de 49 quilômetros por segundo, os detritos se aquecem e queimam, criando os rastros luminosos. Alguns meteoros são rápidos e brilhantes, com chance de bolas de fogo ocasionais.
A chuva de Líridas é uma das mais antigas registradas pela humanidade, com observações que datam de mais de 2.700 anos. Ela marca o início da temporada de chuvas de meteoros da primavera no hemisfério norte.
Dicas práticas para quem vai observar
Escolha um ponto com visão ampla do céu. Desligue luzes artificiais próximas e evite o uso de celular com brilho alto. Aplicativos de astronomia com modo noturno ou realidade aumentada ajudam a identificar Vega e a constelação de Lira.
Vista roupas quentes, pois as madrugadas de abril podem ser frias. Avise alguém sobre o local escolhido se for para área remota. Paciência é importante, já que os meteoros aparecem de forma irregular.
A atividade permanece boa também nas noites próximas ao pico. Quem perder o dia 22 ainda tem chances nos dias seguintes, embora com taxas menores.
O que esperar no céu brasileiro
No Brasil o radiante fica mais baixo no horizonte norte. Mesmo assim, meteoros podem cruzar outras partes do céu. Regiões do Norte e Nordeste têm vantagem por causa da posição geográfica.
A taxa real depende de fatores como poluição luminosa e condições atmosféricas. Em céu escuro e limpo, observadores dedicados podem registrar vários eventos por hora.
O fenômeno não oferece risco. Os detritos são pequenos e se desintegram completamente na alta atmosfera.