Ciência

Telescópio Subaru detecta mudança na composição do cometa interestelar 3I/ATLAS

Telescópio Subaru
Telescópio Subaru - Alexandre.ROSA/ Shutterstock.com

O cometa interestelar 3I/ATLAS passou pelo ponto mais próximo do Sol em outubro de 2025. Observações posteriores com o Telescópio Subaru, no Havaí, registraram uma alteração na composição da coma, a nuvem de gás que envolve o núcleo. A proporção entre dióxido de carbono e água diminuiu em relação a medições feitas antes do periélio.

Astrônomos liderados por Yoshiharu Shinnaka, da Universidade Kyoto Sangyo, analisaram o objeto em 7 de janeiro de 2026. O resultado contrasta com dados coletados em agosto de 2025 por telescópios espaciais. Naquela ocasião, a coma se mostrava muito rica em CO₂. Agora, a relação CO₂/H₂O aparece mais baixa, embora ainda acima da média de cometas do Sistema Solar.

Mudança observada após o periélio

O cometa 3I/ATLAS foi descoberto em julho de 2025. Ele viaja em trajetória hiperbólica e deve deixar o Sistema Solar para sempre. Antes da passagem mais próxima do Sol, instrumentos como o James Webb indicaram alta emissão de dióxido de carbono em comparação com vapor d’água.

Após o periélio, ocorrido em 29 de outubro de 2025, a equipe japonesa usou o Subaru para medir novamente os gases. O método se baseou em linhas de emissão proibidas de oxigênio atômico, que servem como referência para estimar a produção de água. A proporção de CO₂ caiu de forma significativa.

Essa variação não ocorreu de maneira aleatória. O aquecimento solar parece ter exposto camadas diferentes do núcleo.

  • Camadas superficiais, ricas em CO₂ e monóxido de carbono, dominaram a atividade inicial.
  • Material mais profundo, com maior presença de gelo de água, contribuiu mais após o periélio.
  • A mudança é consistente com heterogeneidade radial no interior do cometa.

O objeto também desenvolveu comportamentos incomuns, como uma anticauda em alguns momentos. Ele se diferencia de cometas locais em vários aspectos.

Estrutura interna sugerida pelos dados

Astrônomos consideram que o cometa não é uniforme. A superfície, exposta por bilhões de anos a radiação interestelar, pode ter acumulado uma crosta com composição alterada. Raios cósmicos poderiam ter convertido parte do monóxido de carbono em dióxido de carbono ao longo do tempo.

Quando o cometa se aproximou do Sol, o calor removeu primeiro os voláteis mais voláteis da camada externa. Depois, gases do interior começaram a escapar. Essa sequência explica a redução observada na razão CO₂/H₂O.

A proporção medida em janeiro de 2026 se aproxima da registrada no segundo visitante interestelar conhecido, 2I/Borisov. Ainda assim, permanece elevada se comparada à maioria dos cometas originários do nosso Sistema Solar.

O estudo aceito para publicação no The Astronomical Journal reforça a ideia de que objetos interestelares carregam registros únicos de formação planetária em outros sistemas estelares.

3I/Atlas
3I/Atlas – X/@3IATLASEXPOSED

Comparação com cometas do Sistema Solar

Cometas formados perto do Sol perdem voláteis com mais facilidade ao longo de múltiplas passagens. Já visitantes como 3I/ATLAS preservam material primordial de seu local de origem.

A alta concentração inicial de CO₂ sugere que o cometa se formou em uma região fria, onde o gelo de dióxido de carbono se separa naturalmente. Exposição prolongada a radiação galáctica pode ter modificado ainda mais a superfície.

Observações futuras em diferentes distâncias heliocêntricas vão ajudar a refinar os modelos. Astrônomos planejam combinar dados espectroscópicos com simulações termofísicas.

O Telescópio Subaru, instalado no Observatório Mauna Kea, permitiu captar detalhes da coma mesmo após o cometa ter se afastado. Imagens registradas em dezembro de 2025 já mostravam o objeto ativo.

Implicações para estudos de objetos interestelares

A detecção de mudanças químicas abre caminho para comparar diretamente cometas internos e externos ao Sistema Solar. Técnicas desenvolvidas para cometas locais agora se aplicam a esses raros visitantes.

Com o aumento de telescópios de levantamento, espera-se descobrir mais objetos interestelares nos próximos anos. Cada um oferece pistas sobre a diversidade de sistemas planetários na Via Láctea.

O 3I/ATLAS segue em rota de escape. Ele já passou pela região de Júpiter e continua acelerando para fora.

A análise da composição volátil contribui para entender processos que levaram à formação de planetesimais e planetas em diferentes ambientes estelares.

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