O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente os valores cobrados pela Fifa para a Copa do Mundo de 2026. Em entrevista ao jornal New York Post, Trump afirmou que não pagaria US$ 1 mil (aproximadamente R$ 5,6 mil) pelo ingresso mais barato da estreia norte-americana. A declaração ocorre enquanto o torneio, sediado conjuntamente por EUA, México e Canadá, enfrenta forte pressão sobre a acessibilidade dos ingressos e a estratégia de precificação adotada pela entidade máxima do futebol.
A fala do presidente repercutiu imediatamente nos bastidores da organização. Trump questionou a justificativa da Fifa para manter uma tabela de preços que exclui a maioria dos torcedores. O posicionamento do chefe do Executivo intensifica o debate público sobre a democratização do maior evento de futebol do planeta. Atualmente, os setores mais exclusivos para a decisão chegam a cifras que ultrapassam significativamente o poder de compra de torcedores comuns.

Valores estratosféricos para a final em Nova York
Os números que circulam no mercado oficial de ingressos revelam uma disparidade acentuada entre as categorias disponíveis. Enquanto as entradas comuns já pesam no orçamento familiar, as opções de hospitalidade atingem valores sem precedentes na história das copas. O pacote mais luxuoso para a grande final, no MetLife Stadium, está fixado em US$ 35 mil, equivalente a aproximadamente R$ 198 mil por pessoa.
A estrutura de preços reflete a tentativa da Fifa de maximizar a receita em um estádio que receberá as seleções mais tradicionais do mundo. O MetLife Stadium será o palco de confrontos entre potências desde a fase inicial, o que impulsiona a procura. Entretanto, a barreira financeira imposta tem gerado um clima de exclusividade que incomoda a classe média americana e despertou reações políticas.
- Preço mínimo para a estreia dos EUA: US$ 1.000 (R$ 5,6 mil).
- Ticket médio para fase de grupos: US$ 2.000 (R$ 11,2 mil).
- Valor máximo do camarote VIP: R$ 198 mil por pessoa.
- Total de jogos confirmados no MetLife Stadium: 8 partidas.
- Seleções garantidas na sede: Brasil, França, Alemanha e Inglaterra.
Parlamentares americanos cobram transparência da Fifa
A insatisfação com os preços escalou para o âmbito legislativo em Washington. Os deputados Nellie Pou e Frank Pallone Jr. lideram um movimento de cobrança formal contra a gestão de Gianni Infantino, presidente da Fifa. Os parlamentares enviaram uma carta aberta exigindo explicações detalhadas sobre os critérios de precificação e acusam a entidade de reter propositalmente lotes de ingressos para simular escassez de mercado.
Segundo os congressistas, essa tática forçaria a valorização artificial das entradas em canais oficiais e de revenda. A pressão política foca na transparência do processo de distribuição de tickets. Os legisladores argumentam que um evento público deste porte não deveria segregar o acesso por nível de renda de forma tão agressiva. A Fifa terá que responder aos questionamentos técnicos sobre a liberação gradual de ingressos e os mecanismos de controle de demanda.
Infantino defende preços alinhados ao mercado americano
Gianni Infantino defendeu publicamente a política tarifária da organização durante evento recente. O dirigente suíço argumentou que a precificação segue a lógica do entretenimento esportivo nos Estados Unidos, o país com o mercado mais desenvolvido do setor. Segundo ele, a adaptação aos padrões locais de consumo é necessária para competir com outros grandes espetáculos.
A entidade máxima do futebol enxerga a Copa de 2026 como o maior produto comercial de sua trajetória. Infantino destacou que os investimentos em infraestrutura e logística são proporcionais aos ganhos esperados. Ele comparou os preços com grandes eventos como o Super Bowl e concertos de escala global. O comitê organizador mantém a tabela atual, alegando que a demanda continua superando a oferta de assentos nos estádios.
Preparativos em Nova York e impacto econômico
A cidade de Nova York se prepara para uma invasão de turistas, incluindo grande contingente de brasileiros. A presença confirmada da Seleção Brasileira na cidade durante a fase de grupos mantém a procura em níveis elevados. Hotéis e serviços de transporte já registram aumento nos preços para o período do torneio. O governo local projeta um retorno financeiro bilionário com a realização dos oito jogos previstos no MetLife Stadium.
Apesar das críticas de Trump, a expectativa é de lotação esgotada em todas as sessões. A segurança nos arredores do estádio será reforçada para evitar a ação de cambistas e garantir a ordem nos acessos principais. O desafio das autoridades agora é equilibrar a segurança com a experiência do torcedor que desembolsou valores elevados pela entrada.