Automobilismo

Ferrari enfrenta problemas de ajuste e Lewis Hamilton muda preparação para o GP do Canadá de Fórmula 1

Lewis Hamilton - @lewishamilton
Lewis Hamilton - @lewishamilton

Lewis Hamilton decidiu alterar de forma radical a sua rotina de treinamentos para o GP do Canadá de Fórmula 1. O piloto britânico deixará de usar o simulador da Ferrari nas semanas anteriores à prova no circuito de Montreal. A escolha ocorre após o competidor identificar que a tecnologia estava prejudicando o acerto do carro na pista. O heptacampeão mundial pretende repetir o planejamento adotado no GP da China, única etapa da temporada de 2026 onde ele não utilizou o equipamento virtual e obteve o seu melhor rendimento do ano.

A insatisfação com o sistema computadorizado ficou evidente depois do GP de Miami. Na pista norte-americana, Lewis Hamilton terminou na sexta colocação, sofrendo para encontrar o equilíbrio ideal do modelo SF-26. O descontentamento com as respostas dadas pela tecnologia digital motivou o esportista a conversar com os engenheiros na fábrica de Maranello para suspender as sessões virtuais. A meta é focar nas análises de dados reais e nas reuniões táticas presenciais.

Lewis Hamilton - X.com/ Ferrari
Lewis Hamilton – X.com/ Ferrari

Desempenho abaixo do esperado em comparação com Charles Leclerc

O começo da temporada de 2026 tem se mostrado desafiador para Lewis Hamilton em sua nova jornada na escuderia italiana. Com exceção da rodada disputada em Xangai, o piloto inglês vem sendo superado de forma consistente pelo seu companheiro de equipe na Ferrari, Charles Leclerc. O GP de Miami evidenciou essa diferença de rendimento entre os dois competidores do time de Maranello desde as primeiras atividades oficiais.

Durante as sessões classificatórias na Flórida, Charles Leclerc demonstrou maior velocidade e adaptação ao traçado urbano. Os números oficiais mostram o tamanho da vantagem estabelecida pelo piloto monegasco sobre o parceiro de garagem na última corrida:

  • Diferença na classificação para a Corrida Sprint: Charles Leclerc foi 0s379 mais veloz que Lewis Hamilton.
  • Diferença na classificação para o GP principal: o competidor de Mônaco garantiu uma vantagem de 0s176.
  • Distância na corrida regulamentar: Lewis Hamilton rodava 24 segundos atrás de Charles Leclerc antes da última volta.
  • Incidente final: Charles Leclerc rodou, bateu no muro e acabou punido por cortar caminho, minimizando o prejuízo do britânico na tabela.

Atualmente, o piloto britânico ocupa a quinta colocação na classificação geral do campeonato mundial de pilotos da Fórmula 1. A distância em pontos para os líderes incomoda o piloto, que busca soluções imediatas junto ao corpo técnico da organização.

Falha de correlação entre o ambiente virtual e a pista real

O principal argumento de Lewis Hamilton para descartar o simulador da Ferrari é a falta de sintonia entre o comportamento do veículo no ambiente digital e a realidade enfrentada no asfalto. De acordo com o piloto, as modificações feitas na fábrica não se traduzem em ganhos de performance quando o carro entra na pista. Esse descompasso gera frustração e faz com que a equipe perca tempo precioso procurando ajustes básicos durante os treinos livres.

O comportamento do modelo SF-26 em Miami irritou o piloto britânico logo nas primeiras voltas do treino livre um. O competidor explicou que o carro se mostrou pesado nas tomadas de curvas, apresentando uma forte tendência de saída de frente no meio das trajetórias de baixa e média velocidade. Esse comportamento obrigava a realização de alterações mecânicas profundas de última hora, prejudicando o cronograma de testes da Ferrari.

A dinâmica dos fins de semana com o formato Sprint agrava ainda mais a situação descrita pelo automobilista da Ferrari. Nessas etapas, o regulamento da Federação Internacional de Automobilismo estabelece apenas uma sessão de treinos livres antes das sessões competitivas. Mudar elementos pesados como a geometria de suspensão vira um risco elevado, pois o atleta tem poucas voltas para entender as novas reações do carro antes da tomada de tempos oficial.

Expectativa de dificuldades com a potência do motor na pista canadense

Apesar das críticas severas ao processo de preparação tecnológica, Lewis Hamilton elogiou as características gerais do carro da Ferrari para 2026. O britânico destacou que os novos monopostos da categoria, construídos com dimensões menores e maior agilidade nas curvas, casam perfeitamente com o seu estilo de pilotagem agressivo. O problema central, portanto, reside exclusivamente nas decisões de ajuste provocadas pelos dados incorretos da ferramenta virtual.

O desafio no Circuito Gilles Villeneuve tende a ser complexo por motivos que vão além da calibração do chassi. A pista localizada na ilha de Notre Dame possui características que expõem as deficiências atuais da unidade de potência da Ferrari. O circuito canadense é marcado por uma sucessão de trechos de aceleração plena que exigem velocidade final máxima das máquinas.

O traçado do GP do Canadá conta com quatro grandes retas que prometem testar a capacidade mecânica dos carros vermelhos:

  • Reta de largada e boxes com comprimento total de 600 metros.
  • Trecho de aceleração intermediária medindo 550 metros entre as curvas estruturais.
  • Reta oposta principal com extensão de 1,2 quilômetro onde o sistema de asa móvel é crucial.
  • Reta final de aproximação para a chicane do Muro dos Campeões com 650 metros.

O diagnóstico interno da Ferrari indica que o motor italiano apresenta um rendimento ligeiramente inferior em velocidade final quando comparado aos propulsores fornecidos pela Mercedes. Lewis Hamilton sabe que a desvantagem nas longas retas exigirá um carro perfeito nas frenagens e retomadas. Por isso, a decisão de não utilizar o simulador visa garantir que o carro comece a primeira sessão de treinos em Montreal com uma base sólida de acerto mecânico, idêntica à que Charles Leclerc utiliza com sucesso.

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