Polícia Civil prende Deolane Bezerra em São Paulo por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC
A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi detida na manhã desta quinta-feira no estado de São Paulo. A ação faz parte de uma ofensiva coordenada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. O objetivo central é desarticular um esquema de lavagem de dinheiro. As autoridades apontam ligações diretas com o Primeiro Comando da Capital. A mobilização policial recebeu o nome de Operação Vérnix. Os agentes cumpriram mandados contra familiares e membros da alta cúpula da organização criminosa. Entre os alvos estão parentes de Marco Herbas Camacho, amplamente conhecido como Marcola.
A prisão ocorreu um dia após o retorno da influenciadora ao território nacional. Ela desembarcou no Brasil na quarta-feira. Nas semanas anteriores, a advogada permaneceu na cidade de Roma. O nome dela constava na lista da Difusão Vermelha da Interpol. A classificação indicava o status de procurada internacionalmente. Equipes policiais realizaram buscas na residência principal da investigada. O imóvel fica localizado em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Outros endereços ligados a ela também passaram por varreduras oficiais.

Detalhes da investigação e alvos da ofensiva policial
A operação cumpriu seis mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Everton de Souza foi um dos detidos durante as diligências matinais. Os investigadores o classificam como o operador financeiro do grupo. A estrutura familiar de Marcola também sofreu impactos com a ação. Alejandro Camacho recebeu uma nova ordem de prisão preventiva. Ele já cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília. Dois sobrinhos do líder da facção seguem foragidos. Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estão fora do país.
O ponto de partida das investigações ocorreu no ano de 2019. Agentes penitenciários apreenderam manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os bilhetes continham diretrizes internas da organização. O material também citava o planejamento de ações contra servidores públicos. Os responsáveis pelos textos sofreram condenações. Posteriormente, o Estado transferiu ambos para o sistema penitenciário federal. A análise dos documentos revelou a existência de uma rede de apoio externo.
Um trecho específico dos manuscritos chamou a atenção dos peritos. O texto mencionava uma mulher ligada a uma transportadora. A função dela seria mapear endereços de agentes de segurança. O levantamento subsidiaria ataques futuros. A descoberta motivou a abertura de um inquérito paralelo. A Polícia Civil buscou identificar a suspeita e a empresa envolvida. As apurações revelaram uma transportadora sediada em Presidente Venceslau. O negócio funcionava como fachada para ocultar capital ilícito. A Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, confirmou as suspeitas iniciais. A empresa apresentava movimentações incompatíveis com o mercado.
Rastreamento financeiro e depósitos fracionados
A quebra de sigilo telefônico forneceu novas provas aos investigadores. A apreensão do aparelho de Ciro Cesar Lemos foi determinante. Ele é apontado como o operador central do esquema. O celular continha registros de depósitos bancários. As transferências favoreciam contas vinculadas a Deolane Bezerra. A análise técnica confirmou a relação entre a lavagem de dinheiro e a influenciadora digital. Os laudos indicaram vínculos pessoais e comerciais com os gestores da transportadora.
O fluxo financeiro ocorreu de forma sistemática ao longo de três anos. Entre 2018 e 2021, a advogada recebeu R$ 1.067.505,00. Os repasses utilizaram a técnica conhecida como smurfing. O método consiste em realizar depósitos fracionados. Os valores individuais sempre ficavam abaixo de R$ 10 mil. A tática visa burlar os sistemas de controle do Banco Central. Everton de Souza orientava a execução desses fechamentos mensais.
As autoridades identificaram quase 50 transferências suspeitas. Os recursos entraram nas contas de duas empresas pertencentes à influenciadora. O montante chegou a R$ 716 mil. O dinheiro partiu de uma instituição apresentada como banco de crédito. Os peritos contábeis não encontraram lastro para as operações. Não havia registro de pagamentos referentes a esses supostos créditos. A ausência de documentação reforçou a tese de ocultação de patrimônio do Primeiro Comando da Capital.
Bloqueio de bens e impacto no patrimônio dos investigados
O avanço das investigações gerou medidas cautelares severas. A Justiça de São Paulo autorizou o confisco de diversos bens. O objetivo é garantir o ressarcimento aos cofres públicos. As ordens judiciais atingiram contas bancárias e propriedades físicas. Os números consolidados demonstram a magnitude da operação financeira.
- Apreensão de 39 veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões.
- Bloqueio financeiro total de R$ 357,5 milhões nas contas dos alvos.
- Retenção específica de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra.
O Ministério Público argumentou que os valores não possuem origem lícita comprovada. A quebra de sigilo fiscal não demonstrou prestação de serviços advocatícios compatíveis com a receita. A Justiça considerou o esquema altamente sofisticado. A estrutura utilizava a fama da investigada como escudo. A atividade empresarial formal servia para mascarar o trânsito do dinheiro. A movimentação patrimonial constante criava camadas de aparente legalidade. A estratégia dificultava o rastreamento dos recursos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Histórico de prisões e ascensão nas redes sociais
O histórico recente da influenciadora acumula problemas com a Justiça. A primeira detenção ocorreu no mês de setembro de 2024. Naquela ocasião, ela passou cinco dias no sistema prisional do Recife. A defesa conseguiu um habeas corpus no tribunal superior. A advogada passou a responder ao processo em liberdade. O juiz determinou o cumprimento de medidas cautelares. O uso de tornozeleira eletrônica foi uma das exigências legais.
A prisão anterior resultou da Operação Integration. A Polícia Civil de Pernambuco coordenou as investigações. O inquérito apurava a lavagem de dinheiro por meio de jogos ilegais. Plataformas de apostas online integravam o esquema criminoso. As autoridades apontaram o uso de empresas de eventos e publicidade. O grupo ocultava o capital oriundo de contravenções. A Justiça bloqueou cerca de R$ 2,1 bilhões em ativos. A defesa negou as acusações e alegou abuso de autoridade. Não existe condenação definitiva sobre este caso específico. As investigações apontaram a compra de 12 imóveis de luxo. Os investimentos somaram R$ 65 milhões em três anos.
A projeção nacional da advogada começou após uma tragédia pessoal. O marido dela faleceu em maio de 2021. O funkeiro MC Kevin caiu da varanda de um hotel. O caso aconteceu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O artista tinha 23 anos na época do acidente. A Polícia Civil do Rio de Janeiro conduziu a perícia. Os laudos descartaram agressão ou luta corporal. A morte foi classificada como acidental.
O engajamento digital cresceu exponencialmente após o episódio. A influenciadora passou a frequentar programas de televisão. O mercado de apostas online tornou-se uma fonte de renda. Atualmente, o perfil dela no Instagram acumula 21,7 milhões de seguidores. O conteúdo exibe uma rotina de alto padrão financeiro. As publicações mostram mansões em Alphaville e viagens internacionais. Destinos como Dubai e Roma aparecem com frequência. Passeios de helicóptero e jatinho particular completam o material compartilhado na internet. A Polícia Civil anexou essas postagens aos autos do processo. O material serve para confrontar a evolução patrimonial declarada.