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Justiça de SC determina retirada de 400 gatos de apartamento de 200 m² em Concórdia após relatório

gatos amontoados
gatos em apartamento - Prefeitura de Concórdia/Divulgação

A Justiça de Santa Catarina ordenou a retirada de aproximadamente 400 gatos que viviam em condições insalubres dentro de um apartamento de 200 m² na cidade de Concórdia, no Oeste catarinense. A decisão judicial, divulgada na quinta-feira (28), fundamenta-se em um relatório detalhado do Instituto Federal Catarinense (IFC) que expôs a situação dos animais. O documento revelou que os felinos se comprimiam em diversas áreas do imóvel, muitas delas contaminadas, buscando ventilação e rotas de fuga.

Relatório do Instituto Federal Catarinense detalha cenário crítico

O relatório do curso de medicina veterinária do Instituto Federal Catarinense (IFC) revelou um panorama alarmante no apartamento em Concórdia, destacando as condições precárias enfrentadas pelos animais. Os gatos foram encontrados aglomerados em janelas, corredores e dentro de móveis, além de estarem próximos a áreas de alta contaminação. Fotos incluídas no documento mostram uma grande concentração de felinos apoiados em telas de janelas, sugerindo uma busca desesperada por ventilação, luz ou até mesmo uma tentativa de afastamento das áreas internas mais comprometidas.

A dificuldade em avaliar a totalidade dos animais foi um ponto crucial do relatório do IFC. As equipes técnicas enfrentaram limitações significativas durante as vistorias realizadas nos dias 21 e 22 de maio, impossibilitando uma análise completa da saúde e do bem-estar da maioria dos felinos. Essa restrição impediu a identificação e o registro de todos os indivíduos, embora uma lista inicial apresente 119 gatos microchipados.

  • Alta densidade populacional dos felinos no imóvel.
  • Comportamento extremamente feral e agressivo de uma parcela expressiva dos gatos.
  • Presença de animais escondidos em locais de difícil acesso, como armários, móveis, banheira e vãos de janelas.
  • Risco concreto de mordeduras e arranhaduras aos técnicos.
  • Possibilidade de fuga dos animais durante o processo de contenção.

Além da aglomeração, o documento também detalha a presença de caixas de areia saturadas e fezes espalhadas por todo o chão do apartamento, algumas apresentando coloração avermelhada. Muitos gatos estavam visivelmente doentes ou feridos, necessitando de intervenção veterinária imediata. O apartamento, de aproximadamente 200 m² e 11 cômodos, está localizado em uma área nobre da cidade, conforme informações da Diretora de Bem-Estar Animal, Juliana Lupatto.

gatos em apartamento
gatos em apartamento – Prefeitura de Concórdia/Divulgação

Decisão judicial e o plano de resgate dos felinos

A decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) impõe à moradora a obrigação de permitir a entrada das equipes técnicas da prefeitura no imóvel. A Justiça autorizou o uso de força caso haja qualquer resistência por parte da proprietária. Esta medida visa garantir que os profissionais possam atuar de forma eficaz para assegurar o bem-estar dos animais.

Os gatos resgatados serão encaminhados para locais adequados, sob a responsabilidade direta do município de Concórdia. Nesses abrigos temporários, receberão atendimento veterinário completo, incluindo vacinação e castração, etapas essenciais para sua recuperação e controle populacional. Posteriormente, após reabilitação e cuidados necessários, os felinos serão disponibilizados para adoção responsável, buscando um lar permanente para cada um. O número exato de animais a serem retirados ainda gera divergência; enquanto a decisão judicial cita 119 identificados, o laudo do IFC e a prefeitura estimam mais de 400 felinos no local.

Investigação da Polícia Civil e a origem do problema

A Polícia Civil de Santa Catarina abriu um inquérito para investigar a proprietária do apartamento por suspeita de maus-tratos a animais. A apuração busca esclarecer as responsabilidades sobre as condições insalubres e a negligência na manutenção do bem-estar dos felinos. Até o momento, a reportagem não obteve contato com a tutora nem localizou sua defesa para comentários sobre o caso.

Segundo informações da Diretoria de Proteção e Bem-estar Animal do município, que acompanha de perto a situação, a grande quantidade de gatos não se deve à adoção de animais abandonados pela tutora. A superpopulação resultou da reprodução descontrolada de um casal de felinos que vivia no apartamento. Este cenário ressalta a importância da castração e do controle reprodutivo para evitar a proliferação excessiva de animais em ambientes domésticos, garantindo condições de vida adequadas e prevenindo situações de acumulação e maus-tratos.

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